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Malvinas: Inglaterra pressiona Fifa por punição à Argentina

Após faixa exibida por jogadores argentinos, governo britânico cobra investigação de entidade; seleção pode sofrer sanções disciplinares

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Emanuelle Menezes
Argentinos comemoram com uma faixa relacionada às Ilhas Malvinas após partida contra Inglaterra | REUTERS/Amanda Perobelli

Argentinos comemoram com uma faixa relacionada às Ilhas Malvinas após partida contra Inglaterra | REUTERS/Amanda Perobelli

Integrantes do governo britânico passaram a cobrar uma investigação formal da Fifa após jogadores da Argentina exibirem uma faixa com a frase "As Malvinas são argentinas". A manifestação ocorreu nesta quarta-feira (15), durante a comemoração da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo de 2026.

Até o momento, a entidade máxima do futebol não se pronunciou sobre o episódio. A Argentina enfrentará a Espanha na final do Mundial, no próximo domingo (19).

O primeiro a defender uma apuração foi o ministro de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle. Em entrevista à BBC, ele afirmou que a manifestação representou uma violação das regras da Copa do Mundo, que proíbem demonstrações de caráter político dentro dos estádios.

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"A Copa do Mundo tem como um de seus princípios fundamentais manter a política separada do futebol. Agora, cabe à Fifa investigar o caso de forma adequada", afirmou o ministro.
Argentina venceu Inglaterra por 2 x 1 e estará em mais uma final de Copa do Mundo | IMAGN IMAGES via Reuters/Nathan Ray Seebeck
Argentina venceu Inglaterra por 2 x 1 e estará em mais uma final de Copa do Mundo | IMAGN IMAGES via Reuters/Nathan Ray Seebeck

A posição foi endossada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. O governo considera que a decisão sobre eventuais sanções cabe exclusivamente à Fifa, mas, ao jornal The Guardian, um porta-voz reforçou que "a política deve ficar fora do futebol".

O governo britânico também reafirmou sua posição sobre a soberania das ilhas, dizendo que as Falklands – nome usado no Reino Unido para o arquipélago – pertencem ao país e que o direito de autodeterminação cabe aos moradores do território.

A repercussão também chegou ao Parlamento britânico. O líder do partido Liberal-Democrata, Ed Davey, defendeu que os jogadores envolvidos sejam suspensos da final da Copa do Mundo, citando como precedente a punição aplicada pela Uefa aos espanhóis Rodri e Álvaro Morata, que cantaram "Gibraltar é espanhol" durante as comemorações da Eurocopa de 2024.

O que pode acontecer com a Argentina?

Embora ainda não tenha aberto um procedimento disciplinar, a Fifa poderá analisar o caso após receber os relatórios oficiais da partida, como determina o protocolo da entidade.

As regras do futebol internacional proíbem a exibição de mensagens, símbolos ou faixas de natureza política. Tanto as Regras do Jogo, elaboradas pela International Football Association Board (IFAB), quanto o Código de Conduta nos Estádios da Fifa estabelecem que jogadores e seleções podem ser punidos caso promovam manifestações desse tipo durante uma competição oficial.

Na prática, a entidade deverá avaliar se a faixa exibida pelos jogadores argentinos caracteriza uma manifestação política. Caso conclua que houve violação das normas, poderá abrir um processo disciplinar.

As sanções variam conforme a gravidade do caso e podem incluir advertências, multas e outras medidas disciplinares. Não há um prazo definido para que a Fifa anuncie uma decisão.

"Las Malvinas son argentinas"

Logo após a classificação para a final da Copa do Mundo, jogadores argentinos apareceram no gramado, em Atlanta, segurando uma faixa com a frase "Las Malvinas son argentinas" ("As Malvinas são argentinas", em português). Entre os atletas, estavam Lisandro Martínez, Giovani Lo Celso e Nicolás Otamendi.

Lisandro Martínez e Giovani Lo Celso, da Argentina, comemoram com faixa "Las Malvinas son argentinas" | REUTERS/Amanda Perobelli
Lisandro Martínez e Giovani Lo Celso, da Argentina, comemoram com faixa "Las Malvinas son argentinas" | REUTERS/Amanda Perobelli

A mensagem faz referência à histórica disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas – chamadas de Falkland Islands pelos britânicos. O arquipélago é administrado pelo Reino Unido desde 1833, mas continua sendo reivindicado pelo governo argentino.

O tema é especialmente sensível devido à Guerra das Malvinas, travada em 1982, que terminou com a vitória britânica e deixou mais de 900 mortos, entre militares argentinos e britânicos.

Antes da semifinal, a Fifa havia proibido a entrada de bandeiras, faixas e outros materiais relacionados ao conflito justamente para evitar manifestações políticas durante a partida.

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