"Domo Dourado": entenda o sistema militar que Trump justifica para anexar a Groenlândia
Presidente dos EUA diz que projeto será “como nunca se viu”; sistema de defesa é avaliado em US$ 175 bilhões


Antonio Souza
com informações da Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (22) que o país vai criar um sistema antimísseis inspirado no “Domo de Ferro” de Israel, batizado de “Domo Dourado", caso o acordo de anexação da Groenlândia se concretize.
Segundo ele, o projeto faz parte da estratégia de segurança nacional e é uma das justificativas para a proposta de anexação.
“O custo será basicamente a construção do ‘Domo Dourado’. Vamos construir o Domo Dourado, e haverá participação nisso também, inclusive nos custos. Será algo como nunca se viu. Nossa tecnologia é incrível”, declarou Trump a jornalistas.
O que é o “Domo Dourado”?
O sistema de defesa antimísseis, chamado Golden Dome, ou Domo Dourado, prevê um sistema de defesa em camadas que, pela primeira vez, incluirá armas espaciais americanas. O projeto é avaliado em US$ 175 bilhões.
O sistema foi apresentado pelos EUA em maio de 2025. Trump nomeou o general Michael Guetlein, atual vice-chefe de operações espaciais, como o responsável por supervisionar o desenvolvimento do projeto.
O Domo Dourado deve integrar recursos terrestres e espaciais capazes de neutralizar mísseis em todas as fases de um ataque: pré-lançamento, fase inicial, voo intermediário e descida final.
A diretriz prevê a proteção dos Estados Unidos contra mísseis balísticos, hipersônicos, mísseis de cruzeiro avançados e ameaças aéreas de nova geração, vindas de adversários considerados rivais estratégicos, quase rivais ou Estados hostis.
O sistema teria como base o Domo de Ferro, utilizado por Israel para interceptar foguetes e mísseis de curto alcance.
Custo maior do que previsto por Trump
Apesar do projeto ser avaliado US$ 175 bilhões, uma análise do Congresso Americano afirma que um sistema capaz de proteger os Estados Unidos contra toda a gama de ameaças aéreas poderia custar US$ 3,6 trilhões e, ainda assim, não alcançaria a eficácia de “100%” mencionada por Trump.
Em contraste, o valor de US$ 175 bilhões, citado pelo presidente Trump, permitiria apenas a construção de um sistema muito mais limitado, incapaz de enfrentar a quantidade de mísseis atualmente possuída por China e Rússia.
Para os formuladores de políticas públicas, a questão central não é se os Estados Unidos podem construir um escudo impenetrável, eles não podem, mas como equilibrar riscos.
Por que a Groenlândia entra no plano?
O território está em posição estratégica no extremo norte do planeta, próximo à Rússia e a rotas marítimas essenciais para o comércio e a defesa global.
A Groenlândia também chama atenção por sua riqueza em recursos naturais. Entre eles, estão as terras raras, minerais fundamentais para a indústria de tecnologia avançada e uso militar.
Atualmente, a China, principal rival geopolítica dos EUA, controla a maior parte das reservas mundiais e domina a distribuição desses insumos no mercado global.
No dia 9 de janeiro, Trump justificou que a anexação desse território seria para impedir que Rússia ou China ocupem a ilha no futuro.
“Vamos fazer algo em relação à Groenlândia, quer eles gostem ou não, porque, se não fizermos, a Rússia ou a China vão tomar posse da Groenlândia, e não vamos querer a Rússia ou a China como vizinhas”, disse o presidente.








