Cuba se recusa a negociar sistema político ou mandato do presidente com os Estados Unidos
Cuba reconheceu que entrou em negociações com o governo norte-americano após bloqueio de petróleo imposto por Trump


Reuters
Cuba rejeitou nesta sexta-feira (20) qualquer sugestão de que seu sistema político ou o mandato de seu presidente sejam colocados em negociação nas conversas com os Estados Unidos, após relatos de que Washington busca remover o presidente cubano Miguel Díaz-Canel do poder.
"Posso confirmar categoricamente que o sistema político de Cuba não está sujeito a negociação e, é claro, nem o presidente, nem o cargo de qualquer autoridade em Cuba estão sujeitos à negociação com os Estados Unidos", disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, em coletiva de imprensa.
Cuba reconheceu, há uma semana, que entrou em negociações com o governo dos EUA, já que um bloqueio de petróleo imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, empurra a nação comunista para uma crise econômica mais profunda, e diante de declarações de Trump de que pode fazer "tudo o que quiser" com Cuba, um vizinho soberano.
Citando duas fontes com conhecimento dos planos do governo Trump, o jornal USA Today informou, antes do posicionamento de Cuba, que Trump prepara um acordo econômico que relaxaria as restrições comerciais, mas incluiria uma rota de saída para Díaz-Canel.
O New York Times, a partir de quatro fontes familiarizadas com as negociações, informou posteriormente que o governo Trump tenta destituir Díaz-Canel faltando dois anos para o fim de seu mandato como presidente e cinco anos como líder do Partido Comunista.
As duas reportagens afirmam que a proposta dos EUA deixaria intocada a família dos ex-presidentes Fidel e Raúl Castro. Fidel Castro morreu em 2016, mas Raúl Castro, de 94 anos, continua altamente influente oito anos depois de entregar a presidência a Díaz-Canel, de 65 anos.
Esse acordo seria semelhante ao ocorrido na Venezuela, onde os Estados Unidos depuseram o presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Em vez de tentar instalar um governo de oposição, os EUA cooperaram com a presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo quando as forças norte-americanas levaram Maduro em um ataque.
Mas a autoridade em Cuba está amplamente distribuída entre as altas lideranças do Partido Comunista, outras autoridades do governo e as Forças Armadas, diferentemente da concentração de poder que caracterizou os anos Castro desde a revolução de 1959 até o início do mandato de Díaz-Canel, em 2018.
De Cossío, que tem liderado o escritório do Ministério das Relações Exteriores responsável pelas relações com os Estados Unidos, recusou-se a fornecer detalhes sobre as discussões bilaterais, deixando sem resposta as questões sobre onde e quando elas estão ocorrendo.
Mas ele disse que há muitos tópicos de interesse mútuo, incluindo o comércio entre os dois países, interrompido pelo abrangente embargo econômico dos EUA contra Cuba.
Ele também mencionou a compensação econômica de longa data demandada por cada país. Cuba tem reivindicações contra os Estados Unidos por danos causados pelo embargo, enquanto há 5.913 reivindicações de norte-americanos cujas propriedades foram nacionalizadas em Cuba após a revolução de 1959 que levou Fidel Castro ao poder.
"Essas são questões muito complexas que podem ser discutidas, mas exigem diálogo", disse de Cossío. "Elas exigem que nos sentemos e são questões legítimas."









