Mundo

Cuba se recusa a negociar sistema político ou mandato do presidente com os Estados Unidos

Cuba reconheceu que entrou em negociações com o governo norte-americano após bloqueio de petróleo imposto por Trump

Imagem da noticia Cuba se recusa a negociar sistema político ou mandato do presidente com os Estados Unidos
Cuba se recusa a negociar sistema político ou mandato do presidente com os Estados Unidos

Cuba rejeitou nesta sexta-feira (20) qualquer sugestão de que seu sistema político ou o mandato de seu presidente sejam colocados em negociação nas conversas com os Estados Unidos, após relatos de que Washington busca remover o presidente cubano Miguel Díaz-Canel do poder.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover
"Posso confirmar categoricamente que o sistema político de Cuba não está sujeito a negociação e, é claro, nem o presidente, nem o cargo de qualquer autoridade em Cuba estão sujeitos à negociação com os Estados Unidos", disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, em coletiva de imprensa.

Cuba reconheceu, há uma semana, que entrou em negociações com o governo dos EUA, já que um bloqueio de petróleo imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, empurra a nação comunista para uma crise econômica mais profunda, e diante de declarações de Trump de que pode fazer "tudo o que quiser" com Cuba, um vizinho soberano.

Citando duas fontes com conhecimento dos planos do governo Trump, o jornal USA Today informou, antes do posicionamento de Cuba, que Trump prepara um acordo econômico que relaxaria as restrições comerciais, mas incluiria uma rota de saída para Díaz-Canel.

O New York Times, a partir de quatro fontes familiarizadas com as negociações, informou posteriormente que o governo Trump tenta destituir Díaz-Canel faltando dois anos para o fim de seu mandato como presidente e cinco anos como líder do Partido Comunista.

As duas reportagens afirmam que a proposta dos EUA deixaria intocada a família dos ex-presidentes Fidel e Raúl Castro. Fidel Castro morreu em 2016, mas Raúl Castro, de 94 anos, continua altamente influente oito anos depois de entregar a presidência a Díaz-Canel, de 65 anos.

Esse acordo seria semelhante ao ocorrido na Venezuela, onde os Estados Unidos depuseram o presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Em vez de tentar instalar um governo de oposição, os EUA cooperaram com a presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo quando as forças norte-americanas levaram Maduro em um ataque.

Mas a autoridade em Cuba está amplamente distribuída entre as altas lideranças do Partido Comunista, outras autoridades do governo e as Forças Armadas, diferentemente da concentração de poder que caracterizou os anos Castro desde a revolução de 1959 até o início do mandato de Díaz-Canel, em 2018.

De Cossío, que tem liderado o escritório do Ministério das Relações Exteriores responsável pelas relações com os Estados Unidos, recusou-se a fornecer detalhes sobre as discussões bilaterais, deixando sem resposta as questões sobre onde e quando elas estão ocorrendo.

Mas ele disse que há muitos tópicos de interesse mútuo, incluindo o comércio entre os dois países, interrompido pelo abrangente embargo econômico dos EUA contra Cuba.

Ele também mencionou a compensação econômica de longa data demandada por cada país. Cuba tem reivindicações contra os Estados Unidos por danos causados pelo embargo, enquanto há 5.913 reivindicações de norte-americanos cujas propriedades foram nacionalizadas em Cuba após a revolução de 1959 que levou Fidel Castro ao poder.

"Essas são questões muito complexas que podem ser discutidas, mas exigem diálogo", disse de Cossío. "Elas exigem que nos sentemos e são questões legítimas."

Assuntos relacionados

Cuba
Estados Unidos

Últimas Notícias