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'Chocado': a reação à decisão da Fifa após pressão de Trump

Torcedores questionam se a intervenção de um chefe de Estado em uma decisão esportiva pode comprometer a percepção de isenção da entidade

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Sofia Pilagallo
07/07/2026, 02:08 • Atualizado em 07/07/2026, 02:10
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Arbitro brasileiro Raphael Claus | Foto: Bernadett Szabo/Reuters - 21.06.2026

Arbitro brasileiro Raphael Claus | Foto: Bernadett Szabo/Reuters - 21.06.2026

A decisão da Fifa de suspender o cartão vermelho do atacante americano Folarin Balogun após uma ligação de Donald Trump ao presidente da entidade, Gianni Infantino, gerou reações entre torcedores. Enquanto alguns comemoraram a reversão da punição, outros se disseram "chocados" e questionaram a influência política no futebol.

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A medida é incomum e marca a primeira vez desde 1962 que um jogador expulso de uma Copa do Mundo é autorizado a disputar a partida seguinte. Para críticos, a intervenção de um chefe de Estado em uma decisão esportiva levanta questionamentos sobre a independência da competição e pode comprometer a percepção de imparcialidade da Fifa.

"Não dá para simplesmente ligar para o presidente da Fifa e exigir mudanças", afirmou Julie Foudy, comentarista de televisão e ex-jogadora da seleção feminina dos Estados Unidos. Segundo ela, o futebol tem um significado especial para milhões de pessoas e perde parte de sua essência quando decisões parecem deixar de seguir critérios de justiça.

Entre os torcedores, porém, a reação não foi unânime. Patrick McDonald, técnico de futebol escolar no Alabama, disse que ficou satisfeito com a revisão da punição e comparou o caso a situações em que decisões controversas são corrigidas após análise de imagens. "Sei que uma injustiça foi corrigida, isso beneficiou minha equipe e estou feliz com isso", disse.

Outros fãs afirmaram estar animados com o retorno de Balogun, autor de três gols nesta Copa do Mundo, mas demonstraram preocupação com a interferência de Trump no processo. "Fiquei chocado. Animado, mas chocado. E confuso", admitiu Ethan Engelken, de 23 anos.

O torcedor disse que provavelmente comemoraria uma eventual vitória dos Estados Unidos, mas reconheceu que o episódio pode deixar uma marca na competição. "Consigo entender esse argumento", declarou.

A discussão também trouxe à tona o histórico de questionamentos envolvendo a Fifa. A entidade já enfrentou denúncias de corrupção, incluindo o processo de escolha da Copa do Mundo de 2022, no Catar, e um esquema de suborno que levou à saída de Sepp Blatter da presidência.

Para Charnita West Jenkins, torcedora de futebol desde a Copa de 2006, a reversão do cartão vermelho de Balogun pode até corrigir um erro da arbitragem, mas não deveria ter ocorrido após uma intervenção política. "Quando você muda as regras, você mancha o jogo", afirmou.

Ela também criticou o envolvimento de Trump no caso e apontou uma contradição envolvendo o jogador. Balogun nasceu nos Estados Unidos porque sua mãe deu à luz em Nova York durante a gravidez, tornando-o cidadão americano. O episódio ocorre em meio ao debate sobre cidadania por nascimento, tema em que Trump defende mudanças.

"Trump está defendendo um jogador que, se dependesse dele, não estaria jogando pela seleção americana", disse Jeff Wolfe, torcedor do Los Angeles FC. Para ele, apesar da boa atuação de Balogun após a polêmica, a forma como a situação foi conduzida gerou desconforto.

Outros torcedores direcionaram as críticas à própria Fifa e afirmaram que a entidade deveria ter assumido a revisão do lance sem a participação de Trump. "Isso demonstra favoritismo em relação aos EUA", criticou Matt Gilley, pescador do Maine.

Balogun recebeu cartão vermelho após uma entrada dura no tornozelo de um jogador da Bósnia e Herzegovina durante uma partida na semana passada. A punição previa suspensão automática para o duelo contra a Bélgica, mas, após a ligação entre Trump e Infantino, a Fifa anunciou a reversão da decisão e liberou o atacante para atuar.

Trump negou ter pressionado o presidente da Fifa e afirmou que a decisão foi tomada por um comitê da entidade. "Não acredito que ele tenha tomado a decisão. Acho que foi um comitê que tomou a decisão correta", declarou.

Infantino, por sua vez, mantém uma relação próxima com Trump. No ano passado, o presidente da Fifa concedeu ao republicano um inédito "Prêmio da Paz da Fifa", após Trump não conseguir o Nobel da Paz.

Para alguns torcedores, a principal preocupação é que a polêmica ofusque o desempenho da seleção americana dentro de campo. Eric Miller, veterano da Marinha dos EUA, disse esperar que outros países também tenham seus pedidos analisados em casos semelhantes, evitando a impressão de favorecimento ao país anfitrião.

"Não sou contra, desde que não seja algo ameaçador, intimidatório ou que envolva o uso do governo para pressionar a entidade", afirmou.

Stephanie Brock, empresária de Portland, no Maine, resumiu a preocupação de parte dos fãs com a repercussão do caso. Para ela, a intervenção política acabou criando um problema maior do que a decisão original da arbitragem. "A solução é mais corrosiva do que a decisão questionável original", disse.

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