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China deixa de importar soja dos EUA em setembro pela primeira vez em sete anos

Compradores evitaram cargas norte-americanas durante disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo

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Reuters
20/10/2025, 11:10 • Atualizado em 20/10/2025, 11:14
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Soja em mercado em Pequim | Reuters

Soja em mercado em Pequim | Reuters

A China não importou soja dos Estados Unidos em setembro, no primeiro mês desde novembro de 2018 que embarques caíram para zero, enquanto as importações da América do Sul aumentaram em relação ao ano anterior, já que os compradores evitaram as cargas americanas durante a disputa comercial em curso entre as duas maiores economias do mundo.

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No mesmo período do ano passado, as importações de soja dos EUA somaram 1,7 milhão de toneladas métricas, mostraram dados da Administração Geral de Alfândega da China nesta segunda-feira (20).

Os embarques caíram devido às altas tarifas que a China impôs sobre as importações dos EUA e porque os suprimentos americanos colhidos anteriormente, conhecidos como grãos de safra antiga, já foram comercializados. A China é o maior importador de soja do mundo.

"Isso se deve principalmente às tarifas. Em um ano normal, alguns grãos de safra antiga ainda entrariam no mercado", disse Wan Chengzhi, analista da Capital Jingdu Futures.

As chegadas do Brasil no mês passado aumentaram 29,9% em relação ao ano anterior, para 10,96 milhões de toneladas, respondendo por 85,2% do total das importações chinesas da oleaginosa, segundo dados da alfândega, enquanto os embarques da Argentina aumentaram 91,5%, para 1,17 milhão de toneladas, ou 9% do total.

As importações de soja da China atingiram 12,87 milhões de toneladas métricas em setembro, o segundo nível mais alto já registrado.

A China não comprou nenhuma carga de soja dos EUA da safra de outono deste ano. A janela para as compras de soja dos EUA está se fechando rapidamente à medida que os compradores asseguram as remessas até novembro, principalmente do Brasil e da Argentina.

Se não houver um avanço nas negociações comerciais, os agricultores dos EUA poderão enfrentar bilhões em perdas, já que as esmagadoras chinesas continuarão a se abastecer na América do Sul. Pequim, no entanto, também pode enfrentar uma possível crise de abastecimento no início do próximo ano, antes que as novas safras do Brasil cheguem ao mercado.

"Uma lacuna no fornecimento de soja pode surgir na China entre fevereiro e abril do próximo ano se não houver um acordo comercial. O Brasil já embarcou um volume enorme, e ninguém sabe quanto estoque de safras antigas ainda resta", disse Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, com sede em Pequim.

As negociações comerciais entre Pequim e Washington parecem estar recuperando o ímpeto após semanas de novas ameaças tarifárias e controles de exportação. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesse domingo (19) que acreditava que um acordo sobre a soja seria alcançado.

No período de janeiro a setembro, a China importou 63,7 milhões de toneladas do Brasil, um aumento de 2,4% em relação ao ano anterior, e 2,9 milhões de toneladas da Argentina, um aumento de 31,8% em relação ao ano anterior.

Mesmo que os compradores chineses estejam evitando a safra americana deste ano, as compras realizadas no início de 2025 significam que as importações de grãos americanos no acumulado do ano totalizaram 16,8 milhões de toneladas, um aumento de 15,5%, segundo os dados.

(Por Ella Cao e Lewis Jackson)

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