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Chef Rene Redzepi se afasta de restaurante famoso após acusações de abuso por ex-funcionários

Fundador do Noma assumiu a responsabilidade por comportamentos inadequados e disse que "tem buscado mudar"

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Naiara Ribeiro, com informações da Reuters
12/03/2026, 11:50 • Atualizado em 12/03/2026, 11:50
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Chef dinamarquês Rene Redzepi, fundador do restaurante Noma, em Copenhague | Reprodução Redes Sociais

Chef dinamarquês Rene Redzepi, fundador do restaurante Noma, em Copenhague | Reprodução Redes Sociais

O chef dinamarquês Rene Redzepi, fundador do Noma, em Copenhague, anunciou que vai se afastar das operações diárias do restaurante após acusações de ex-funcionários sobre abusos no ambiente de trabalho. Considerado um dos restaurantes mais famosos e premiados do mundo, o estabelecimento é comandado por Redzepi desde 2003. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (12), o chef reconheceu ter tratado funcionários de forma inadequada no passado.

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Segundo o jornal The New York Times, dezenas de ex-funcionários relataram ter sofrido danos físicos e psicológicos enquanto trabalhavam com Redzepi. Os episódios teriam ocorrido entre 2009 e 2017. Histórias semelhantes circulam na internet há anos.

Na publicação, o chef, de 38 anos, afirmou que o afastamento faz parte de um processo de assumir responsabilidade por sua “liderança no passado”. Ele também disse que a equipe do Noma seguirá unida para a próxima temporada do restaurante em Los Angeles. Segundo Redzepi, será uma oportunidade para o grupo mostrar o trabalho desenvolvido nos últimos anos.

Stories do chef dinamarquês Rene Redzepi | Reprodução Redes Sociais
Stories do chef dinamarquês Rene Redzepi | Reprodução Redes Sociais

“As últimas semanas trouxeram atenção e conversas que importam sobre o nosso restaurante, o setor e sobre como eu liderava antes.

Eu me esforço para ser um líder melhor e o Noma deu passos largos para mudar a nossa cultura ao longo de muitos anos. Eu sei que essas mudanças não consertam o passado. Pedir desculpa não basta, por isso eu assumo a responsabilidade pelas minhas atitudes.

Depois de mais de vinte anos em que criei e comandei este lugar, decidi me afastar para deixar que os nossos líderes que fazem a diferença guiem o restaurante neste novo momento. Também saí do conselho da Mad, a organização sem fins lucrativos que eu criei em 2011.

Para quem está na dúvida sobre o que isso significa para o restaurante, eu digo com clareza: o time do Noma hoje é o que mais tem força e inspira desde o começo. Estamos abertos há 23 anos e tenho um orgulho enorme da nossa gente, da nossa criatividade e do rumo que o Noma toma.

Essa equipe vai seguir unida para a nossa temporada em Los Angeles. Vai ser um momento que marca a chance de eles mostrarem tudo o que têm feito e receberem os clientes com algo que surpreenda.

A missão do Noma daqui para frente é continuar a busca por ideias, descobrir sabores novos e imaginar o que a comida pode ser daqui a décadas. O Noma sempre foi maior do que uma pessoa só e esse passo agora respeita essa ideia.”

Conhecido pela a culinária nórdica contemporânea, o Noma já liderou diversas vezes rankings de melhores restaurantes do mundo e recebeu três estrelas Michelin, uma das maiores distinções da gastronomia. Eventos temporários do restaurante costumam esgotar ingressos rapidamente em cidades como Tóquio e Los Angeles.

Redzepi fundou o Noma em 2003, quando tinha pouco mais de 20 anos.

Em outra publicação nas redes sociais, o chef pediu desculpas a pessoas que sofreram com sua conduta e disse que tem buscado mudar. Veja abaixo o comunicado completo:

“Quero falar sobre histórias passadas sobre minha liderança na cozinha que ressurgiram recentemente. Embora eu não reconheça todos os detalhes nestas histórias, consigo ver o suficiente do meu comportamento passado refletido nelas para entender que minhas ações foram prejudiciais às pessoas que trabalharam comigo. Para aqueles que sofreram sob minha liderança, meu mau julgamento ou minha raiva, sinto muito profundamente e tenho buscado mudar.

Quando comecei a cozinhar, trabalhei em cozinhas onde gritos, humilhação e medo eram simplesmente parte da cultura. Lembro de estar lá como um jovem cozinheiro pensando que, se algum dia tivesse minha própria cozinha, nunca lideraria daquele jeito. Mas depois que abrimos o Noma e a pressão começou a crescer, me vi virando o tipo de chef que um dia prometi a mim mesmo que nunca seria. Não importa o quão real essa pressão parecesse para mim na época, ela nunca deveria justificar perder a cabeça.

Uma década atrás, comecei a falar abertamente sobre meu comportamento na cozinha, as explosões de raiva e, às vezes, até agressão física, em que gritei e empurrei pessoas, agindo de formas que são inaceitáveis. Eu não era capaz de lidar com a pressão, pequenos erros podiam parecer enormes para mim e eu reagia de maneiras das quais me arrependo profundamente hoje. Eu sabia que precisava mudar e queria mudar. Desde então, tenho estado determinado a entender minha raiva e lidar com ela de forma diferente.

Ao longo da última década, isso significou terapia, reflexão profunda e o afastamento da liderança do serviço do dia a dia. Encontrei maneiras melhores de gerenciar minha raiva e ainda estou aprendendo. A organização que somos hoje é muito diferente daquela com a qual começamos. Sou grato ao nosso time e pela forma como eles ajudaram a mudar nossa cultura de cozinha e por sua dedicação em levar a indústria adiante. Um time que me faz querer ser melhor todos os dias. Não posso mudar quem eu era naquela época. Mas assumo a responsabilidade por isso e continuarei o trabalho para ser melhor.”

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