Brasileiro que perdeu o pai e o irmão em bombardeios no Líbano chega ao país: "não consegui mais respirar"
Mohamed Abdallah, de 16 anos, contou que estava ao lado dos dois quando os ataques aconteceram; ele veio com sua irmã Yara Abdallah
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Wagner Lauria Jr.
27/09/2024, 16:04 • Atualizado em 28/09/2024, 01:33
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Brasileiro Mohamed Abdallah, de 16 anos, perdeu o pai e o irmão no Líbano | Reprodução
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O brasileiro Mohamed Abdallah, de 16 anos, sobrevivente dos bombardeios do Líbano que mataram seu irmão Ali Kamal Abdallah, de 15 anos, e seu pai Kamal Hussein Abdallah, de 64 anos, no confronto entre Israel e Hezbollah, chegou a Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, na madrugada desta sexta-feira (27) e deu seu relato sobre o momento dos ataques: ele e Ali ajudavam o pai em uma fábrica familiar de produtos de limpeza quando as explosões começaram.
"Estava com meu irmão ajudando meu pai a trabalhar, quando escutamos o primeiro bombardeio. O segundo aconteceu na nossa frente. A gente pediu para o nosso pai para fugir, ele só queria terminar de encher a água lá dentro para trabalhar. A gente enchendo, caiu tudo, não consegui mais respirar, tirei as pedras de mim e fui ver meu pai. Ele tava no chão, morto e meu irmão... não consegui encontrá-lo. Gritava o nome dele, e as pessoas do meu lado mortas, ninguém conseguia encontrá-lo", disse.
Mohamed é natural deFoz do Iguaçu, no Paraná. Sua irmã YaraAbdallah, que é natural do país do Oriente Médio, também chegou ao Brasil.
Conflito Israel x Hezbollah
O número de mortos em apenas dois dias no Líbano já chega a 558, incluindo 50 crianças. Com o foco agora no norte, o governo israelense faz o que muitos consideram uma aposta arriscada: uma tentativa de eliminar a possibilidade de resistência do Hezbollah, algo que não conseguiu fazer completamente nem com o Hamas, que tem uma capacidade militar muito menor.
A escalada de ataques de ambos os lados é um fato consumado, mas traz uma série de perguntas ainda sem resposta. O Irã, principal financiador do Hezbollah, vai intervir diretamente? Por que o grupo libanês ainda não usou a parte mais poderosa do seu arsenal, como mísseis balísticos? O quão desorganizado ficou o Hezbollah depois da explosão de pagers e walkie talkies que usavam pra se comunicar e com a eliminação que Israel anunciou de vários comandantes do grupo?
Brasileiros no Líbano
Os dados mais recentes do Itamaraty, de 2022, estimam que 21 mil brasileiros estão no Líbano. A orientação dada pelo Ministério das Relações Exteriores é de que brasileiros evitem o país e, se possível, retornem ao Brasil.
Uma consulta pública também foi iniciada para avaliar quantos brasileiros teriam interesse em deixar o Líbano em caso de uma possível ação coordenada pelo governo para repatriação. A ação ainda não está prevista. Os aeroportos daquele país seguem em funcionamento.
Brasileiro que perdeu o pai e o irmão em bombardeios no Líbano chega ao país: "não consegui mais respirar"Mohamed Abdallah, de 16 anos, contou que estava ao lado dos dois quando os ataques aconteceram; ele veio com sua irmã Yara AbdallahMundo2024-09-27T16:04:44.108ZO brasileiro Mohamed Abdallah, de 16 anos, sobrevivente dos bombardeios do Líbano que mataram seu irmão Ali Kamal Abdallah, de 15 anos, e seu pai Kamal Hussein Abdallah, de 64 anos, no confronto entre Israel e Hezbollah, chegou a Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, na madrugada desta sexta-feira (27) e deu seu relato sobre o momento dos ataques: ele e Ali ajudavam o pai em uma fábrica familiar de produtos de limpeza quando as explosões começaram. "Estava com meu irmão ajudando meu pai a trabalhar, quando escutamos o primeiro bombardeio. O segundo aconteceu na nossa frente. A gente pediu para o nosso pai para fugir, ele só queria terminar de encher a água lá dentro para trabalhar. A gente enchendo, caiu tudo, não consegui mais respirar, tirei as pedras de mim e fui ver meu pai. Ele tava no chão, morto e meu irmão... não consegui encontrá-lo. Gritava o nome dele, e as pessoas do meu lado mortas, ninguém conseguia encontrá-lo", disse. Mohamed é natural de Foz do Iguaçu, no Paraná. Sua irmã Yara Abdallah, que é natural do país do Oriente Médio, também chegou ao Brasil. Conflito Israel x Hezbollah O número de mortos em apenas dois dias no Líbano já chega a 558, incluindo 50 crianças. Com o foco agora no norte, o governo israelense faz o que muitos consideram uma aposta arriscada: uma tentativa de eliminar a possibilidade de resistência do Hezbollah, algo que não conseguiu fazer completamente nem com o Hamas, que tem uma capacidade militar muito menor. A escalada de ataques de ambos os lados é um fato consumado, mas traz uma série de perguntas ainda sem resposta. O Irã, principal financiador do Hezbollah, vai intervir diretamente? Por que o grupo libanês ainda não usou a parte mais poderosa do seu arsenal, como mísseis balísticos? O quão desorganizado ficou o Hezbollah depois da explosão de pagers e walkie talkies que usavam pra se comunicar e com a eliminação que Israel anunciou de vários comandantes do grupo? Brasileiros no Líbano Os dados mais recentes do Itamaraty, de 2022, estimam que 21 mil brasileiros estão no Líbano. A orientação dada pelo Ministério das Relações Exteriores é de que brasileiros evitem o país e, se possível, retornem ao Brasil. Uma consulta pública também foi iniciada para avaliar quantos brasileiros teriam interesse em deixar o Líbano em caso de uma possível ação coordenada pelo governo para repatriação. A ação ainda não está prevista. Os aeroportos daquele país seguem em funcionamento. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/brasileiro-que-perdeu-o-pai-e-o-irmao-em-bombardeios-no-libano-chega-ao-pais-nao-consegui-mais-respirar
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