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Atacado novamente por Trump, papa Leão diz em Camarões que 'ricos e poderosos' ameaçam a paz

Em discurso proferido na presença do presidente Paul Biya, pontífice pediu para o governo erradicar a corrupção e pediu o fim da crise separatista no país

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Papa Leão 14 em visita à Argélia | Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters - 14.04.2026

O papa Leão 14 pediu nesta quarta-feira (15) para o governo de Camarões erradicar a corrupção e resistir aos "caprichos dos ricos e poderosos", em um discurso contundente proferido na presença do presidente Paul Biya, que lidera o país desde 1982.

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Leão, que foi criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela segunda vez durante sua viagem de 10 dias por quatro países africanos, também pediu o fim do conflito anglófono latente em Camarões, uma crise separatista que já matou milhares de pessoas.

Nas regiões noroeste e sudoeste (de língua inglesa), grupos lutam pela independência da Ambazonia contra o governo de maioria francófona.

"É hora de examinarmos nossa consciência e darmos um salto ousado em direção ao futuro", disse o primeiro papa norte-americano a Biya, ao primeiro-ministro Joseph Dion Ngute e a outros líderes, logo após chegar a Camarões vindo da Argélia.
"Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção – que desfiguram a autoridade e lhe roubam a credibilidade – devem ser quebradas", declarou Leão em um discurso incomumente direto para uma viagem papal ao exterior.
"Os corações devem ser libertados da sede idólatra pelo lucro."

Críticas a Trump

Biya ouviu o discurso do papa sem demonstrar qualquer reação. Seu governo nega acusações de corrupção e violações dos direitos humanos e afirma que a estabilidade que ele traz permite que Camarões evite o tipo de conflito visto em outras partes da região, incluindo a República Democrática do Congo e a República Centro-Africana, ambas devastadas por guerra.

Leão, que completará um ano de papado em maio, manteve um perfil relativamente discreto para um papa em seus primeiros 10 meses, mas nas últimas semanas tem se manifestado abertamente sobre uma série de questões, principalmente a guerra com o Irã.

Isso o tornou alvo de críticas de Trump esta semana, que reiterou seus comentários em uma publicação nas redes sociais na terça-feira, apesar da ampla reação negativa de cristãos norte-americanos de todo o espectro político.

Leão disse à Reuters na segunda-feira que continuaria criticando a guerra, independentemente dos comentários de Trump.

Em seu voo para Camarões, Leão não falou diretamente sobre Trump. Ele pediu respeito por todos os povos do mundo e disse que sua viagem demonstrou a importância de se buscar o diálogo entre as diferentes comunidades.

"Embora tenhamos crenças diferentes, maneiras diferentes de cultuar, maneiras diferentes de viver, podemos viver juntos em paz", declarou o pontífice, referindo-se aos seus dois dias na Argélia, de maioria muçulmana, onde a Igreja Católica é uma minoria pequena.
"Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje."

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