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Após resistir a tentativa de golpe, presidente da Bolívia enfrenta país descontente com a economia

Luis Arce nega a crise e afirma que a economia boliviana está crescendo

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O presidente da Bolívia, Luis Arce, que resistiu a uma tentativa de golpe de estado, enfrenta um país descontente com os rumos da economia.

Nas ruas, o que mais se ouve é reclamação sobre a situação econômica. Pascuala, uma vendedora ambulante de La Paz, diz que faltam empregos e que o povo tem fome porque o dinheiro não é suficiente: "o dinheiro que ganhamos não é suficiente para mim".

O presidente boliviano nega a crise: "a Bolívia tem uma economia que cresce. Uma economia em crise não cresce".

Ele também lembra que a inflação do país é uma das mais baixas da região. Tudo isso é verdade, mas a frieza dos números esconde uma situação mais complexa, que reside principalmente na falta de dólares.

O que aconteceu nos últimos anos na Bolívia é uma armadilha já vista em outras partes do mundo. O país aproveitou a bonança dos recursos naturais, mas se esqueceu de desenvolver outros setores da economia, acostumou-se com a entrada de dólares para comprar de tudo sem se preparar para o dia em que as reservas não seriam as mesmas.

Pelo menos no caso do gás natural, esse dia chegou. "Esse recurso que vinha daí extra e também com a valorização do gás, ele deixou de entrar nas contas do governo. E com isso, a desigualdade volta a subir na Bolívia", afirma Renato Menezes, professor da UNB.

Com as reservas em dólares baixíssimas, o governo agora enfrenta dificuldade para comprar produtos que vêm de fora, como os combustíveis para carros e caminhões. As filas para abastecimento viraram rotina.

A situação que deixou o governo vulnerável. Depois de brigar com o ex-mentor político, Evo Morales -- que quer disputar a eleição do ano que vem -- Luis Arce enfrentou na semana passada uma tentativa de golpe. Sobreviveu, mas ainda não apontou novos caminhos

É difícil ver uma saída para a situação a curto prazo. No médio e longo, o país poderia aproveitar outro bem precioso: as reservas de lítio, que é tão usado nas baterias de carros elétricos e produtos eletrônicos.

O recurso faz salivar bilionários como Elon Musk, que na rede social "X", chegou a dizer, não se sabe se de brincadeira, que apoiaria golpes de estado onde quisesse. Ele respondia a uma publicação acusando o governo americano de tentar afastar Evo Morales para ficar com o lítio da Bolívia.

O recurso também chama a atenção da China, mas, por enquanto, o ambiente para investimentos não é favorável. Especialistas lembram que a nacionalização de parques de mineração em 2006 afetou o capital de multinacionais.

"Tem quase 20 anos que ocorreu, mas isso está na memória ainda dos investidores internacionais", diz Renato Menezes.

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