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Após 3 meses de bloqueio, Israel permite entrada de "quantidade básica" de alimentos em Gaza

Medida visa "evitar crise de fome” na região; comunidade internacional já alerta para altos níveis de desnutrição entre moradores

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Camila Stucaluc
19/05/2025, 07:11 • Atualizado em 19/05/2025, 07:11
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Israel bloqueou entrada de ajuda humanitária em Gaza em março | UNRWA

Israel bloqueou entrada de ajuda humanitária em Gaza em março | UNRWA

O governo de Israel anunciou, no domingo (18), que permitirá a entrada de “uma quantidade básica de alimentos” na Faixa de Gaza, visando “evitar uma crise de fome na região”. A decisão foi tomada após apelos da comunidade internacional, que alertou para um possível colapso no enclave palestino.

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Israel impôs um bloqueio em Gaza no início de março. Desde então, o exército vem proibindo a entrada de ajuda humanitária, provocando o esgotamento de alimentos, remédios e demais insumos de necessidade básica na região. Ao justificar a medida, o governo israelense afirmou que o objetivo era pressionar o Hamas a libertar os reféns capturados no ataque de 7 de outubro de 2023.

Líderes e organizações internacionais condenaram Israel pelo bloqueio, alegando que o país estava violando o direito internacional. A Organização Médicos do Mundo (MdM) chegou, até mesmo, a acusar Israel de “utilizar a fome como arma de guerra”, ressaltando a desnutrição aguda da população.

Apesar de autorizar a entrada de alimentos em Gaza, as Forças de Defesa de Israel anunciaram o início de “extensas operações terrestres” no norte e no sul do enclave palestino. “Temos dois objetivos pela frente: o retorno dos sequestrados e a derrota do Hamas. Continuaremos até quebrar a capacidade de combate do inimigo”, disse o chefe do Estado-Maior de Israel, tenente-general Eyal Zamir.

A ofensiva terrestre vem após o aumento dos ataques aéreos na região. Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, apenas nas últimas 24 horas, pelo menos 67 civis foram mortos e outros 361 ficaram feridos em bombardeios. Um dos mísseis, inclusive, atingiu o Hospital Indonésio em Beit Lahia.

O exército israelense não comentou sobre os ataques. Em declarações anteriores, os militares afirmaram que continuam atacando estruturas administradas pelo Hamas, como centros logísticos e armazéns de armas. “Essa organização terrorista explora cruelmente as instituições civis e a população como escudos humanos para atos terroristas”, disseram as Forças de Defesa de Israel.

Negociações de cessar-fogo

Israel rompeu o acordo de cessar-fogo com o Hamas em março deste ano. Desde então, as negociações encontram-se num impasse, uma vez que, enquanto o Hamas exige um cessar-fogo permanente e a retirada total de Israel de Gaza, Israel pede a liberdade imediata de todos os reféns.

Na última semana, o Hamas libertou o refém israelense-americano Edan Alexander, visando mostrar sua "boa vontade" em retomar as negociações de cessar-fogo com Israel. A ação foi aceita pelo governo israelense, que, no entanto, afirmou que a proposta de trégua será debatida “sob fogo”.

“As negociações serão realizadas sob fogo, com base no compromisso de atingir todos os objetivos da guerra. Continuaremos a agir implacavelmente até que todos eles [reféns] retornem para casa, em Israel. As negociações continuarão sob pressão, durante os preparativos para a intensificação dos combates”, disse o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

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