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Os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na noite da última quarta-feira, dia 24 de junho, deixaram um rastro de destruição principalmente no estado de La Guaira e na capital, Caracas. Outros estados foram atingidos como Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón. O balanço oficial mais recente aponta mais de 2 mil mortos, incluindo dois brasileiros, além de mais de 11 mil feridos e milhões de pessoas afetadas direta ou indiretamente pela tragédia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. Diante da dificuldade em localizar vítimas, moradores criaram um site colaborativo para reunir informações sobre desaparecidos e facilitar o reencontro de familiares, que contabiliza mais de 40 mil pessoas incomunicáveis.
Dados da NASA mostram que cerca de 58.870 edifícios foram danificados pelo terremoto na Venezuela. | Reprodução/Reuters
Buscas continuam, apesar do tempo
As equipes de resgate seguem trabalhando em diversos pontos, como em Caraballeda, cidade em La Guaira, onde prédios inteiros vieram abaixo. Mesmo após o período considerado crítico para localizar sobreviventes, histórias de resgates considerados milagrosos mantêm viva a esperança.
Na terça-feira (3), no sexto dia das buscas, uma criança foi encontrada viva por uma equipe da Jordânia. Diante desse cenário, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, reforçou o pedido para que as equipes não desistam.
"Devemos manter a esperança de continuar encontrando pessoas vivas sob os escombros."
O bombeiro militar do Paraná Bruno Zacharias faz parte da missão humanitária que o governo brasileiro enviou à Venezuela. Com seu cão de resgate, ele tem trabalhado nas buscas por desaparecidos.
Direto de La Guaira, que foi classificada "zona de desastre" pelo governo venezuelano, ele relatou ao SBT News estar impressionado com o tamanho da área afetada e disse que a população segue esperançosa e permanece na busca por seus entes: "Sua força está voltada para ajudar as equipes que estão nos locais de trabalho."
Fernando Rodríguez busca a sobrinha de 19 anos desde a noite da tragédia. Acompanhado de duas pessoas, ele revira os escombros.
"Eu me sinto péssimo. Minha sobrinha de 19 anos está lá embaixo. Sabemos que ela estava ali porque falava ao telefone com a mãe, e nunca mais tivemos notícias dela. Sabemos que ela está na parte do prédio que pode ter sofrido os danos mais graves, porque foi exatamente onde o edifício desabou durante o terremoto. O acesso é difícil, mas precisamos continuar lutando porque precisamos encontrá-la", disse à agência Reuters.
Famílias vasculham os escombros de La Guaira. | Reprodução/Reuters
Outro morador, Juan Andrade, perdeu praticamente toda a família no desabamento de um edifício. Mesmo sem qualquer treinamento, ajudou a retirar nove pessoas com vida dos escombros nos primeiros dias da tragédia. Agora, continua procurando pelos próprios familiares.
"Quando resgatei nove pessoas, foi apenas com as minhas próprias mãos, e eu não sou socorrista, não sou bombeiro, não sou paramédico, não sou nada disso. Então, eu resgatei pessoas daqui, resgatei pessoas de cima, resgatei pessoas dali, no primeiro e segundo dia, mas do terceiro dia até agora não consegui resgatar ninguém com vida. Mesmo assim, minha fé permanece intacta: vou tirar minha família de lá e vou resgatar as pessoas que precisamos resgatar, e vamos continuar tentando."
Homem vasculha os escombros do terremoto na Venezuela em busca de família. | Reprodução/Reuters
Moradores lideram esforços de resgate
Como o bombeiro brasileiro relatou, os moradores estão focados em ajudar as equipes nas operações de resgate. Mas a falta de maquinário ainda é um dos principais obstáculos. Em vários pontos de La Guaira, moradores e voluntários removem concreto com pás, marretas e as próprias mãos, enquanto aguardam a chegada de equipamentos capazes de levantar grandes lajes.
"Estamos aguardando a chegada das máquinas pesadas do Estado, e ainda não as vimos aqui na praia de Los Cocos. Não vimos as máquinas pesadas — as máquinas que conseguem levantar toneladas e mover as lajes com a maior facilidade. Estamos esperando por elas o mais rápido possível, porque cada minuto conta para aquelas pessoas que estão lá embaixo, sob os escombros, esperando para serem libertadas", disse o professor de educação física e voluntário Alexander Delgado.
Diante da demora, os próprios moradores passaram a liderar as buscas. Sem treinamento especializado, eles organizaram equipes civis para escavar os escombros, orientar voluntários e tentar localizar sobreviventes.
Cidadãos venezuelanos lideram esforços de resgate. | Reprodução/Reuters
A mobilização popular acontece porque muitos familiares acreditam que ainda há pessoas presas sob os prédios destruídos. A ausência de estrutura suficiente também gera críticas entre os voluntários. Eles afirmam que o poder público deveria ter uma atuação mais efetiva nas áreas devastadas.
O voluntário Mijaed Diaz resumiu esse sentimento ao dizer: "Gostaria de ver um maior envolvimento das agências públicas, que são as que realmente deveriam estar responsáveis por isso. Mas, de qualquer forma, no final, vamos continuar aqui."
Já Miguel Poleo, que procura a própria filha sob os escombros, fez um apelo por mais equipamentos: "Há pessoas vivas, e o governo não está respondendo como deveria, com equipamentos pesados. Precisamos de equipamentos pesados... Estamos aqui há sete dias e queremos resultados. Minha filha está lá dentro."
Segundo ele, familiares chegaram a ouvir sobreviventes batendo nas paredes, mas as equipes permanecem pouco tempo nos locais antes de seguirem para outras áreas.
Os voluntários afirmam ainda enfrentar dificuldades para fazer a ajuda chegar às áreas atingidas. Segundo eles, alguns militares e policiais estariam bloqueando doações, se apropriando de mantimentos e até saqueando prédios desabados. O governo venezuelano nega as acusações e atribui os relatos à desinformação nas redes sociais, orientando a população a confiar apenas nas informações oficiais.
Em La Guaira, o necrotério improvisado na região portuária tornou-se um dos retratos mais dolorosos da tragédia. Caminhões do serviço forense chegam continuamente transportando corpos retirados dos escombros, enquanto familiares aguardam pela identificação das vítimas.
Em La Guaira, corpos se acumulam no porto enquanto familiares chegam para identificar seus entes queridos. | Reprodução/Reuters
O forte cheiro de morte provocado pela decomposição dos corpos tomou conta das áreas próximas ao porto, obrigando socorristas, voluntários e parentes a utilizarem máscaras durante o trabalho.
Muitos corpos permanecem sob os edifícios destruídos, tornando a identificação das vítimas uma tarefa lenta e extremamente delicada.
A situação é agravada pelas réplicas que continuam atingindo a região. Segundo o governo, 782 tremores secundários já foram registrados desde a tragédia. O último mais intenso ocorreu em 29 de junho, quando um novo abalo de magnitude 4,6 foi registrado.
🔍 As réplicas são abalos que ocorrem após um tremor principal de maior magnitude, como os dois terremotos registrados na semana passada.
Em Caracas, mesmo onde muitos prédios permaneceram de pé, o trauma continua. Centenas de moradores ainda preferem dormir em barracas ou nas calçadas por medo de novos tremores, apesar das vistorias técnicas em parte dos edifícios.
"Desde o primeiro dia estamos dormindo do lado de fora. Temos medo de voltar para nossos apartamentos. Moro no 12º andar. As pessoas nos veem dormindo na rua, mas não estamos ali porque queremos. Aquele momento foi absolutamente horrível para nós. Tenho medo de subir novamente, mesmo que os engenheiros tenham dito que as colunas não foram danificadas", relatou a moradora Nataly Salas.
O governo venezuelano levantou acampamentos temporários em campos de beisebol, futebol e áreas abertas. Segundo o balanço mais recente, 15.866 pessoas estão desabrigadas.
Pessoas em abrigo temporário após terremotos na Venezuela. | REUTERS/Maxwell Briceno
A voluntária argentina Sofia Gohhold, que está na Venezuela desde antes dos terremotos e atua em ações de ajuda humanitária, relatou ao SBT News que a situação dos desabrigados continua crítica, principalmente em La Guaira."Tem muita gente que, mesmo sem ter perdido a casa, teve dano estrutural e precisa dormir na rua", afirmou.
Gohhold também descreveu as dificuldades enfrentadas pelas equipes de resgate, que convivem com a falta de recursos básicos. De acordo com a voluntária, bombeiros e socorristas precisam de itens como água, alimentos e produtos de higiene para conseguir manter as operações.
"Os resgatistas me pediram sabonete, água, comida. Tem tudo o que eles precisam, até para lavar roupa, para poder continuar lá", contou. Ela destacou ainda que, nas áreas mais afetadas, "não tem acesso à água, não tem acesso à comida", o que obriga o envio de suprimentos a partir de Caracas.
A voluntária afirmou ainda que a solidariedade da população venezuelana tem sido essencial para amenizar a crise. Segundo ela, escolas, organizações e moradores têm promovido campanhas para arrecadar mantimentos e medicamentos, embora a distribuição enfrente dificuldades.
Desde o dia 26 de junho, o governo venezuelano passou a controlar o acesso a La Guaira e começou a exigir registro prévio em Caracas para autorizar a entrada no estado. Segundo as autoridades, a medida tem como objetivo organizar o fluxo de veículos e voluntários durante as operações de resgate.
Os hospitais seguem sob enorme pressão para atender milhares de feridos. Médicos trabalham em turnos ininterruptos, enquanto enfrentam falta de medicamentos e materiais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que hospitais foram danificados, faltam profissionais para atender o grande número de vítimas e o atendimento tem sido marcado por superlotação, desorganização e acúmulo de cirurgias. A entidade também alertou para o risco de surtos de doenças, como dengue e febre amarela, entre os milhares de desabrigados, além da falta de especialistas em atendimento materno em La Guaira.
"Pelo menos três centros de saúde estão gravemente danificados e outros seis estão danificados ou funcionando apenas parcialmente", informou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Um dos médicos do Hospital Domingo Luciani, em Miranda, descreveu: "Recebemos um grande número de feridos após esse forte terremoto e os suprimentos médicos são escassos. Tivemos muita sorte de receber uma grande quantidade de doações da população e do setor civil."
Governo brasileiro envia equipes e recursos para ajuda humanitária na Venezuela - Reprodução Larissa Alves/SBT News
Segundo o governo, o país recebeu ajuda humanitária de 45 delegações, com envio de equipes especializadas, cães farejadores, medicamentos e toneladas de suprimentos.
Para quem sobreviveu, a reconstrução apenas começou: "Mesmo que tenhamos feito muito, sinto que ainda há muito mais a ser feito. E essa fase vai durar vários dias. Peço às pessoas que estão fora do nosso país que permaneçam unidas, porque é o povo que salva o povo. Vamos nos salvar com nossos próprios esforços", afirmou a moradora Angelima Sequera.
Uma semana depois dos terremotos, a Venezuela segue dividida entre esperança e luto. Enquanto escavadeiras removem toneladas de concreto e famílias aguardam respostas, o país enfrenta um desafio que deve durar anos: reconstruir cidades inteiras e tentar devolver alguma normalidade às milhares de pessoas que perderam parentes, casas e praticamente tudo o que tinham.
"Uma semana passa num instante, mas na realidade, um dia parece durar três ou quatro devido a todo o trabalho que todos aqui estão fazendo. A ajuda humanitária, tanto local quanto internacional, tem sido verdadeiramente notável", relata José Fernández, morador que sobreviveu aos tremores.
Após 1 semana, Venezuela vive corrida por sobreviventesDois terremotos devastaram cidades do país e já deixaram mais de 2 mil mortos, milhares de feridos e de desaparecidosMundo2026-07-01T20:45:44.091ZUma semana depois dos , o país ainda vive uma corrida contra o tempo. Nesta quarta-feira (1º), em diferentes lugares na região norte, profissionais e moradores trabalham sob toneladas de concreto buscando por desaparecidos. Os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na noite da última quarta-feira, dia 24 de junho, deixaram um rastro de destruição principalmente no estado de La Guaira e na capital, Caracas. Outros estados foram atingidos como Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón. O balanço oficial mais recente aponta , , além de mais de 11 mil feridos e milhões de pessoas afetadas direta ou indiretamente pela tragédia. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. Diante da dificuldade em localizar vítimas, moradores criaram um site colaborativo para reunir informações sobre desaparecidos e facilitar o reencontro de familiares, que contabiliza mais de 40 mil pessoas incomunicáveis. , segundo estimativas divulgadas por agências internacionais. Imagens de radar da NASA oferecem uma visão inicial dos danos. Buscas continuam, apesar do tempo As equipes de resgate seguem trabalhando em diversos pontos, como em Caraballeda, cidade em La Guaira, onde prédios inteiros vieram abaixo. Mesmo após o período considerado crítico para localizar sobreviventes, histórias de resgates considerados milagrosos mantêm viva a esperança. Na terça-feira (3), no sexto dia das buscas, . Diante desse cenário, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, reforçou o pedido para que as equipes não desistam. "Devemos manter a esperança de continuar encontrando pessoas vivas sob os escombros." O bombeiro militar do Paraná Bruno Zacharias faz parte da missão humanitária que o governo brasileiro enviou à Venezuela. Com seu cão de resgate, ele tem trabalhado nas buscas por desaparecidos. Direto de La Guaira, que foi , ele relatou ao SBT News estar impressionado com o tamanho da área afetada e disse que a população segue esperançosa e permanece na busca por seus entes: "Sua força está voltada para ajudar as equipes que estão nos locais de trabalho." Fernando Rodríguez busca a sobrinha de 19 anos desde a noite da tragédia. Acompanhado de duas pessoas, ele revira os escombros. "Eu me sinto péssimo. Minha sobrinha de 19 anos está lá embaixo. Sabemos que ela estava ali porque falava ao telefone com a mãe, e nunca mais tivemos notícias dela. Sabemos que ela está na parte do prédio que pode ter sofrido os danos mais graves, porque foi exatamente onde o edifício desabou durante o terremoto. O acesso é difícil, mas precisamos continuar lutando porque precisamos encontrá-la", disse à agência Reuters. Outro morador, Juan Andrade, perdeu praticamente toda a família no desabamento de um edifício. Mesmo sem qualquer treinamento, ajudou a retirar nove pessoas com vida dos escombros nos primeiros dias da tragédia. Agora, continua procurando pelos próprios familiares. "Quando resgatei nove pessoas, foi apenas com as minhas próprias mãos, e eu não sou socorrista, não sou bombeiro, não sou paramédico, não sou nada disso. Então, eu resgatei pessoas daqui, resgatei pessoas de cima, resgatei pessoas dali, no primeiro e segundo dia, mas do terceiro dia até agora não consegui resgatar ninguém com vida. Mesmo assim, minha fé permanece intacta: vou tirar minha família de lá e vou resgatar as pessoas que precisamos resgatar, e vamos continuar tentando." Moradores lideram esforços de resgate Como o bombeiro brasileiro relatou, os moradores estão focados em ajudar as equipes nas operações de resgate. Mas a falta de maquinário ainda é um dos principais obstáculos. Em, moradores e voluntários removem concreto com pás, marretas e as próprias mãos, enquanto aguardam a chegada de equipamentos capazes de levantar grandes lajes. "Estamos aguardando a chegada das máquinas pesadas do Estado, e ainda não as vimos aqui na praia de Los Cocos. Não vimos as máquinas pesadas — as máquinas que conseguem levantar toneladas e mover as lajes com a maior facilidade. Estamos esperando por elas o mais rápido possível, porque cada minuto conta para aquelas pessoas que estão lá embaixo, sob os escombros, esperando para serem libertadas", disse o professor de educação física e voluntário Alexander Delgado. Diante da demora, os próprios moradores passaram a liderar as buscas. Sem treinamento especializado, eles organizaram equipes civis para escavar os escombros, orientar voluntários e tentar localizar sobreviventes. A mobilização popular acontece porque muitos familiares acreditam que ainda há pessoas presas sob os prédios destruídos. A ausência de estrutura suficiente também gera críticas entre os voluntários. Eles afirmam que o poder público deveria ter uma atuação mais efetiva nas áreas devastadas. O voluntário Mijaed Diaz resumiu esse sentimento ao dizer: "Gostaria de ver um maior envolvimento das agências públicas, que são as que realmente deveriam estar responsáveis por isso. Mas, de qualquer forma, no final, vamos continuar aqui." Já Miguel Poleo, que procura a própria filha sob os escombros, fez um apelo por mais equipamentos: "Há pessoas vivas, e o governo não está respondendo como deveria, com equipamentos pesados. Precisamos de equipamentos pesados... Estamos aqui há sete dias e queremos resultados. Minha filha está lá dentro." Segundo ele, familiares chegaram a ouvir sobreviventes batendo nas paredes, mas as equipes permanecem pouco tempo nos locais antes de seguirem para outras áreas. Os voluntários afirmam ainda enfrentar dificuldades para fazer a ajuda chegar às áreas atingidas. Segundo eles, alguns militares e policiais estariam bloqueando doações, se apropriando de mantimentos e até saqueando prédios desabados. O governo venezuelano nega as acusações e atribui os relatos à desinformação nas redes sociais, orientando a população a confiar apenas nas informações oficiais. Necrotério no porto e o cheiro da tragédia Em La Guaira, o necrotério improvisado na região portuária tornou-se um dos retratos mais dolorosos da tragédia. Caminhões do serviço forense chegam continuamente transportando corpos retirados dos escombros, enquanto familiares aguardam pela identificação das vítimas. O forte cheiro de morte provocado pela decomposição dos corpos tomou conta das áreas próximas ao porto, obrigando socorristas, voluntários e parentes a utilizarem máscaras durante o trabalho. Muitos corpos permanecem sob os edifícios destruídos, tornando a identificação das vítimas uma tarefa lenta e extremamente delicada. A situação é agravada pelas réplicas que continuam atingindo a região. Segundo o governo, 782 tremores secundários já foram registrados desde a tragédia. O último mais intenso ocorreu em 29 de junho, quando um 🔍 As réplicas são abalos que ocorrem após um tremor principal de maior magnitude, como os dois terremotos registrados na semana passada. Em Caracas, mesmo onde muitos prédios permaneceram de pé, o trauma continua. Centenas de moradores ainda preferem dormir em barracas ou nas calçadas por medo de novos tremores, apesar das vistorias técnicas em parte dos edifícios. "Desde o primeiro dia estamos dormindo do lado de fora. Temos medo de voltar para nossos apartamentos. Moro no 12º andar. As pessoas nos veem dormindo na rua, mas não estamos ali porque queremos. Aquele momento foi absolutamente horrível para nós. Tenho medo de subir novamente, mesmo que os engenheiros tenham dito que as colunas não foram danificadas", relatou a moradora Nataly Salas. O governo venezuelano levantou acampamentos temporários em campos de beisebol, futebol e áreas abertas. Segundo o balanço mais recente, 15.866 pessoas estão desabrigadas. A voluntária argentina Sofia Gohhold, que está na Venezuela desde antes dos terremotos e atua em ações de ajuda humanitária, relatou ao SBT News que a situação dos desabrigados continua crítica, principalmente em La Guaira."Tem muita gente que, mesmo sem ter perdido a casa, teve dano estrutural e precisa dormir na rua", afirmou. Gohhold também descreveu as dificuldades enfrentadas pelas equipes de resgate, que convivem com a falta de recursos básicos. De acordo com a voluntária, bombeiros e socorristas precisam de itens como água, alimentos e produtos de higiene para conseguir manter as operações. "Os resgatistas me pediram sabonete, água, comida. Tem tudo o que eles precisam, até para lavar roupa, para poder continuar lá", contou. Ela destacou ainda que, nas áreas mais afetadas, "não tem acesso à água, não tem acesso à comida", o que obriga o envio de suprimentos a partir de Caracas. A voluntária afirmou ainda que a solidariedade da população venezuelana tem sido essencial para amenizar a crise. Segundo ela, escolas, organizações e moradores têm promovido campanhas para arrecadar mantimentos e medicamentos, embora a distribuição enfrente dificuldades. Desde o dia 26 de junho, o governo venezuelano passou a controlar o acesso a La Guaira e começou a exigir registro prévio em Caracas para autorizar a entrada no estado. Segundo as autoridades, a medida tem como objetivo organizar o fluxo de veículos e voluntários durante as operações de resgate. Hospitais lotados e ajuda internacional Os hospitais seguem sob enorme pressão para atender milhares de feridos. Médicos trabalham em turnos ininterruptos, enquanto enfrentam falta de medicamentos e materiais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que hospitais foram danificados, faltam profissionais para atender o grande número de vítimas e o atendimento tem sido marcado por superlotação, desorganização e acúmulo de cirurgias. A entidade também alertou para o risco de surtos de doenças, como e febre amarela, entre os milhares de desabrigados, além da falta de especialistas em atendimento materno em La Guaira. "Pelo menos três centros de saúde estão gravemente danificados e outros seis estão danificados ou funcionando apenas parcialmente", informou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em uma coletiva de imprensa em Genebra. Um dos médicos do Hospital Domingo Luciani, em Miranda, descreveu: "Recebemos um grande número de feridos após esse forte terremoto e os suprimentos médicos são escassos. Tivemos muita sorte de receber uma grande quantidade de doações da população e do setor civil." A ONU alerta que milhões de pessoas precisarão de assistência humanitária nas próximas semanas. Enquanto isso, participaram das operações de resgate ao lado de bombeiros e voluntários venezuelanos. Segundo o governo, o país recebeu ajuda humanitária de 45 delegações, com envio de equipes especializadas, cães farejadores, medicamentos e toneladas de suprimentos. Um país que tenta se levantar Para quem sobreviveu, a reconstrução apenas começou: "Mesmo que tenhamos feito muito, sinto que ainda há muito mais a ser feito. E essa fase vai durar vários dias. Peço às pessoas que estão fora do nosso país que permaneçam unidas, porque é o povo que salva o povo. Vamos nos salvar com nossos próprios esforços", afirmou a moradora Angelima Sequera. Uma semana depois dos terremotos, a Venezuela segue dividida entre esperança e luto. Enquanto escavadeiras removem toneladas de concreto e famílias aguardam respostas, o país enfrenta um desafio que deve durar anos: reconstruir cidades inteiras e tentar devolver alguma normalidade às milhares de pessoas que perderam parentes, casas e praticamente tudo o que tinham. "Uma semana passa num instante, mas na realidade, um dia parece durar três ou quatro devido a todo o trabalho que todos aqui estão fazendo. A ajuda humanitária, tanto local quanto internacional, tem sido verdadeiramente notável", relata José Fernández, morador que sobreviveu aos tremores. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/apos-1-semana-venezuela-mantem-esperanca-por-sobreviventes