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'Sismos rasos' explicam devastação na Venezuela; entenda

Marcos Ferreira, geofísico do Sistema Geológico do Brasil, diz que tremores de grande magnitude ocorreram em profundidade de 10 a 20 kms da superfície

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Celso Freitas, Marina Demori, Acácio Filho, Marcela Guimarães
26/06/2026, 15:29 • Atualizado em 26/06/2026, 15:59
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Os tremores de terra que atingiram a Venezuela estão entre os mais fortes já registrados no país em mais de um século. Foram dois sismos de alta intensidade ocorridos com uma diferença de praticamente 40 segundos, entre o primeiro e o segundo evento.

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O primeiro abalo marcou 7,2 de magnitude na escala Richter e ocorreu aconteceu a 23 kms a sudoeste do epicentro, e a 20 km de profundidade, caracterizado como um abalo 'raso', ou seja, muito próximo da crosta terrestre. Cerca de um minuto depois, foi registrado o segundo tremor, de magnitude 7,5, a uma profundidade de 10 km, ou seja, ainda mais perto da superfície.

"Do ponto de vista sismológico, tudo que está acima de 50 km é considerado raso, vamos dizer assim. Então, nós temos eventos que podem ocorrer a profundidades acima de 500 km. Esses são eventos muito profundos", esclareceu Marcos Ferreira.

Segundo o geofísico e pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Marcos Ferreira, esses fatores associados - magnitude e profundidade - provocaram uma devastação no país, com uma "propagação de energia" muito mais rápido que o comum, fazendo com que os tremores fossem sentidos até em estados brasileiros.

"Quanto mais rasos esses eventos estão, maior a probabilidade de você [ter] maior a quantidade de energia próxima à superfície, porque se propagam em todas as direções. Então, como está mais perto, você tem uma maior amplitude dessa dessa onda. Em um evento muito profundo, até ele chegar na parte rasa, já perdeu bastante energia.", explica Ferreira.

A profundidade em que os tremores ocorreram, portanto, é a chave para entender a magnitude dos estragos. O geofísico traçou um paralelo com os terremotos profundos que costumam ocorrer na fronteira do Brasil com o Peru.

Há eventos que nós temos, por exemplo, aqui nos Andes, perto da região do Acre, do na fronteira com Peru, têm magnitudes similares, mas eles ocorrem a mais de 500 km de profundidade. Então, basicamente, só vão sentir alguma coisa, mas não tem nenhum tipo de danos a estruturas na região, ao contrário do que ocorreu na Venezuela", afirmou.

Relação entre os tremores e riscos de réplicas

Sobre a proximidade temporal e geográfica dos dois tremores, Ferreira confirmou que eles estão diretamente conectados e que o primeiro acabou afetando uma falha geológica que já se encontrava sob extrema tensão.

Segundo o geofísico, para os próximos dias e semanas, é possível que ocorram de novos tremores — conhecidos como réplicas —, um padrão esperado pela ciência.

"Isso é bem comum para esse tipo de evento. Logo após um evento principal, em eventos muito fortes, ocorrem vários outros eventos, em sua maioria, de menor magnitude... pode ser que possa ocorrer até um evento mais forte, a gente não tem como precisar, alertou

Previsão e sistemas de alerta

Apesar dos grandes avanços tecnológicos e do monitoramento constante, Marcos Ferreira reforçou que a Ciência ainda não possui mecanismos capazes de prever quando ou onde um terremoto vai acontecer de forma antecipada.

O que existe atualmente, são sistemas de alerta rápidos baseados em sensores que avisam quando um evento forte ocorre começa.

Segundo Ferreira, países que convivem com alta atividade sísmica, como Chile, Japão e Indonésia, utilizam essa diferença de velocidade entre as ondas para emitir alertas cruciais à população, garantindo alguns segundos ou minutos de antecedência.

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