Resgates dependem de máquinas emprestadas, diz venezuelano
Sem equipamentos, governo recorreu ao empréstimo de gruas, enquanto familiares tentam salvar vítimas com poucos recursos e denunciam demora das autoridades
Sofia Pilagallo
27/06/2026, 02:12 • Atualizado em 27/06/2026, 02:12
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A escassez de equipamentos para retirar sobreviventes dos escombros agrava a situação nas áreas atingidas pelos terremotos que devastaram a Venezuela nesta semana. Segundo o venezuelano Carlos León, o governo recorreu ao empréstimo de gruas para iniciar os resgates, enquanto familiares tentam salvar vítimas com poucos recursos e denunciam a demora das autoridades.
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Ao SBT News, León afirmou que a falta de máquinas pesadas compromete as buscas por sobreviventes sob os prédios que desabaram, principalmente em La Guaira, um dos estados mais afetados. Segundo ele, voluntários também atuam sem equipamentos básicos de proteção, como luvas, capacetes, botas e óculos de segurança, o que dificulta ainda mais os trabalhos de resgate.
"Sempre se soube que a Venezuela está sobre essa falha tectônica. Não era preciso esperar uma tragédia para dizer: 'Precisamos de gruas'. Onde foi investido todo esse dinheiro? Não existe chefe de Estado, em nenhum país que se considere sério, que precise pedir gruas emprestadas ou alugadas a empresários", afirmou León durante participação no News Noite desta sexta-feira (26).
"Os familiares permanecem ao lado dos prédios porque ainda ouvem parentes gritando sob os escombros. Há também relatos e gravações que circulam na internet mostrando pessoas presas com metade do corpo soterrada. Elas não conseguem sair porque uma grande placa de concreto bloqueia a passagem e acabam morrendo por falta de ar ou em consequência dos ferimentos", acrescentou.
A dificuldade para fazer a ajuda humanitária chegar a La Guaira preocupa. Apesar da mobilização internacional e da oferta de apoio de diversos países, León afirmou que problemas logísticos têm atrasado a chegada dos recursos. O aeroporto da região está fora de operação, e o acesso terrestre depende praticamente de uma única rodovia que liga Caracas ao estado costeiro.
O venezuelano também criticou a decisão do governo venezuelano de restringir o acesso a La Guaira. A partir das 20h (horário local; 21h em Brasília) desta sexta-feira, quem quiser entrar no estado deverá fazer um registro prévio em Caracas para receber autorização. Segundo o governo, a medida busca organizar o fluxo de veículos e voluntários durante as operações de resgate.
"Agora, a dificuldade vai ser ainda maior. Estamos falando de horas cruciais para quem ainda pode estar vivo sob os escombros, e o que o regime resolveu fazer, depois de 48 horas, foi restringir o acesso à região", disse. "Quem quiser entrar em La Guaira terá de ir primeiro a Caracas para retirar um colete e um crachá. Só então poderá voltar ao estado, com todo o fluxo sendo monitorado."
León relatou que parte da família foi atingida pelo desastre. Uma prima de sua esposa conseguiu escapar do prédio onde morava antes do desabamento, mas sofreu fraturas no braço e na perna e segue hospitalizada. Já a esposa deixou o apartamento às pressas durante o terremoto, em Caracas. O imóvel sofreu danos estruturais, mas ela não se feriu e foi para a casa da mãe, no estado de Aragua.
Tragédia em números
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) indicam que o primeiro tremor teve magnitude 7,2, com epicentro a cerca de 21 km a oeste da cidade de Morón, na costa do Caribe. Cerca de um minuto depois, um segundo sismo, de magnitude 7,5, atingiu a mesma região.
Ao menos 250 edifícios foram danificados ou destruídos. O estado de La Guaira concentrou os danos mais severos, mas também houve destruição significativa em Caracas, onde diversos prédios sofreram colapsos estruturais. A capital ainda registrou interrupções no fornecimento de energia, nas comunicações e na operação do aeroporto e do metrô.
O número oficial de mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 920, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. O governo também contabiliza 3.360 feridos. Equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes entre os escombros.
Dois cidadãos brasileiros estão entre os mortos, informou o Ministério das Relações Exteriores na noite de quinta-feira (25). Uma das vítimas é Zacarias da Silva, de 44 anos, ex-morador do Distrito Federal. Em publicação nas redes sociais, o Itamaraty afirmou que presta assistência consular às famílias.
Resgates dependem de máquinas emprestadas, diz venezuelanoSem equipamentos, governo recorreu ao empréstimo de gruas, enquanto familiares tentam salvar vítimas com poucos recursos e denunciam demora das autoridadesMundo2026-06-27T02:12:18.451ZA escassez de equipamentos para retirar sobreviventes dos escombros agrava a situação nas áreas atingidas pelos . Segundo o venezuelano Carlos León, o governo recorreu ao empréstimo de gruas para iniciar os resgates, enquanto familiares tentam salvar vítimas com poucos recursos e denunciam a demora das autoridades. Ao SBT News, León afirmou que a falta de máquinas pesadas compromete as buscas por sobreviventes sob os prédios que desabaram, principalmente em La Guaira, um dos estados mais afetados. Segundo ele, voluntários também atuam sem equipamentos básicos de proteção, como luvas, capacetes, botas e óculos de segurança, o que dificulta ainda mais os trabalhos de resgate. "Sempre se soube que a Venezuela está sobre essa falha tectônica. Não era preciso esperar uma tragédia para dizer: 'Precisamos de gruas'. Onde foi investido todo esse dinheiro? Não existe chefe de Estado, em nenhum país que se considere sério, que precise pedir gruas emprestadas ou alugadas a empresários", afirmou León durante participação no News Noite desta sexta-feira (26). "Os familiares permanecem ao lado dos prédios porque ainda ouvem parentes gritando sob os escombros. Há também relatos e gravações que circulam na internet mostrando pessoas presas com metade do corpo soterrada. Elas não conseguem sair porque uma grande placa de concreto bloqueia a passagem e acabam morrendo por falta de ar ou em consequência dos ferimentos", acrescentou. A dificuldade para fazer a ajuda humanitária chegar a La Guaira preocupa. Apesar da mobilização internacional e da oferta de apoio de diversos países, León afirmou que problemas logísticos têm atrasado a chegada dos recursos. O aeroporto da região está fora de operação, e o acesso terrestre depende praticamente de uma única rodovia que liga Caracas ao estado costeiro. O venezuelano também criticou a decisão do governo venezuelano de restringir o acesso a La Guaira. A partir das 20h (horário local; 21h em Brasília) desta sexta-feira, quem quiser entrar no estado deverá fazer um registro prévio em Caracas para receber autorização. Segundo o governo, a medida busca organizar o fluxo de veículos e voluntários durante as operações de resgate. "Agora, a dificuldade vai ser ainda maior. Estamos falando de horas cruciais para quem ainda pode estar vivo sob os escombros, e o que o regime resolveu fazer, depois de 48 horas, foi restringir o acesso à região", disse. "Quem quiser entrar em La Guaira terá de ir primeiro a Caracas para retirar um colete e um crachá. Só então poderá voltar ao estado, com todo o fluxo sendo monitorado." León relatou que parte da família foi atingida pelo desastre. Uma prima de sua esposa conseguiu escapar do prédio onde morava antes do desabamento, mas sofreu fraturas no braço e na perna e segue hospitalizada. Já a esposa deixou o apartamento às pressas durante o terremoto, em Caracas. O imóvel sofreu danos estruturais, mas ela não se feriu e foi para a casa da mãe, no estado de Aragua. Tragédia em números Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) indicam que o primeiro tremor teve magnitude 7,2, com epicentro a cerca de 21 km a oeste da cidade de Morón, na costa do Caribe. Cerca de um minuto depois, um segundo sismo, de magnitude 7,5, atingiu a mesma região. Ao menos 250 edifícios foram danificados ou destruídos. O estado de La Guaira concentrou os danos mais severos, mas também houve destruição significativa em Caracas, onde diversos prédios sofreram colapsos estruturais. A capital ainda registrou interrupções no fornecimento de energia, nas comunicações e na operação do aeroporto e do metrô. O número oficial de mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 920, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. O governo também contabiliza 3.360 feridos. Equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes entre os escombros. Dois cidadãos brasileiros estão entre os mortos, informou o Ministério das Relações Exteriores na noite de quinta-feira (25). Uma das vítimas é Zacarias da Silva, de 44 anos, ex-morador do Distrito Federal. Em publicação nas redes sociais, o Itamaraty afirmou que presta assistência consular às famílias.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/resgates-dependem-de-maquinas-emprestadas-diz-venezuelano
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