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Venezuela: 680 mil crianças precisam de ajuda, diz Unicef

Relatório estima que 1,8 milhão de pessoas necessitam de assistência humanitária após os terremotos que atingiram o país

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Julia Delaosa
29/06/2026, 19:33 • Atualizado em 29/06/2026, 19:33
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Venezuela: 680 mil crianças precisam de ajuda, diz Unicef

Um relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) estima que cerca de 1,8 milhão de pessoas necessitam de assistência humanitária após os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. Desse total, aproximadamente 680 mil são crianças que também precisam de ajuda.

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Os dois abalos sísmicos, de magnitudes 7,5 e 7,2, ocorreram com apenas um minuto de intervalo e configuram o evento mais significativo a atingir a Venezuela em mais de um século. Uma análise preliminar de imagens de satélite identificou que quase um terço das edificações avaliadas em Catia La Mar, no estado de La Guaira, apresenta danos.

De acordo com a estimativa da organização, cerca de 3,9 milhões de crianças e adolescentes vivem nas áreas afetadas pelos terremotos.

Os tremores atingiram comunidades de Caracas e dos estados de Aragua, Carabobo, Falcón, La Guaira, Miranda e regiões vizinhas. Nas localidades mais impactadas, dezenas de edifícios desabaram, e há relatos de crianças entre as vítimas.

A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, destacou que, à medida que a dimensão dos danos se torna mais clara, "a segurança, a proteção e o bem-estar das crianças devem permanecer no centro da resposta".

A organização também alerta que casas, escolas, unidades de saúde, sistemas de abastecimento de água e outras infraestruturas essenciais podem ter sido danificados, comprometendo o acesso aos serviços básicos e ampliando os riscos para crianças e seus responsáveis.

Conforme o representante do Unicef na Venezuela, Manuel Rodríguez Pumarol, os hospitais estão "operando acima de sua capacidade, milhares de crianças não têm acesso confiável à água potável e muitas escolas sofreram danos".

No Distrito Capital, dados preliminares apontam que 432 escolas, o equivalente a mais de um terço das unidades de ensino da região, foram danificadas. As escolas que não sofreram danos estão sendo adaptadas para acolher famílias desalojadas.

Réplicas mantêm população em alerta

Equipes de resgate e voluntários vasculhavam os escombros de prédios desabados em Caracas. | Reprodução/Reuters
Equipes de resgate e voluntários vasculhavam os escombros de prédios desabados em Caracas. | Reprodução/Reuters

Mais de 2.700 profissionais de resgate e apoio, enviados por 24 países, chegaram à Venezuela para reforçar as operações de busca e salvamento nas áreas atingidas pelos terremotos. Antes da chegada das equipes internacionais, familiares e voluntários passaram dias retirando sobreviventes e corpos dos escombros, enquanto relatavam a falta de equipamentos pesados para auxiliar nos trabalhos.

As centenas de réplicas registradas desde os terremotos da semana passada também dificultam as operações de resgate e mantêm moradores em estado de alerta.

Um site criado pela oposição reunia, até domingo (28), quase 50 mil registros de pessoas procuradas por familiares, uma redução em relação aos cerca de 55 mil cadastros registrados no dia anterior.

Na madrugada desta segunda-feira (29), uma réplica de magnitude 4,6 foi registrada ao norte de Caracas. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor ocorreu a 10 quilômetros de profundidade. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que não houve registro de novos danos. Desde os terremotos da última semana, equipes de resgate permanecem mobilizadas nas áreas mais afetadas, enquanto o país segue registrando novas réplicas.

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