Análise: Filho de xá deposto busca liderar protestos no Irã
Mohammad Reza Pahlavi, pai de Reza Pahlavi, foi derrubado pela revolução islâmica de 1979


Renato Machado
Durante a recente onda de protestos do Irã, um improvável nome surgiu como esperança de unificar a oposição e conduzir a transição política em uma eventual queda do regime dos aiatolás: Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, derrubado pela revolução islâmica de 1979.
Reza Pahlavi, atualmente com 65 anos, passou a dar entrevistas, fez postagens instigando os manifestantes a permanecerem nas ruas -- enquanto ele segue no exílio, nos Estados Unidos -- e teve seu nome gritado por alguns grupos.
A palavra improvável se dá, porque o ex-príncipe herdeiro tentou em diferentes momentos se tornar o principal nome da oposição ao regime. Recebeu ajuda da CIA, a agência de inteligência americana, como ao ter acesso a um transmissor para emissões de rádio dentro do Irã, como mostrou o jornal Washington Post.
No entanto, sempre enfrentou dificuldades para permanecer relevante. O principal motivo é que ainda estava vivo na memória dos manifestantes o regime do seu pai, que realizou reformas modernizantes para beneficiar uma minoria da elite, às custas da ampla maioria de muçulmanos xiitas. Sua família vivia em uma bolha de luxo, capa das principais revistas ocidentais, enquanto a população vivia na pobreza.
E ainda havia a Savak, a temida polícia secreta do xá, responsável por prisões, assassinatos e torturas. Tudo isso colocou os comerciantes dos populares bazares, estudantes, partidos políticos de esquerda, profissionais liberais, militares e, claro, os clérigos contra o regime, culminando na revolução.
Nos anos em que vivi em Teerã, entre 2018 e 2020, visitei algumas vezes o complexo palaciano Niavaran, onde vivia a família do xá. O local está totalmente preservado, com os móveis dos Pahlavi no lugar, os vestidos de luxo da imperatriz Farah Diba e a coleção de carros de luxo.
Reza Pahlavi cresceu nesse lugar. A escola funcionava dentro do palácio, para ele, seus irmãos e alguns privilegiados.
Chama a atenção que, ainda adolescente, ele decidiu sair de casa para morar sozinho. Para isso, transformou em sua casa um palácio menor usado para recepções, ao lado do principal. Os visitantes podem ver os artigos esportivos do jovem Reza Pahlavi e muitas relacionadas com aviões, sua grande paixão.
Ele começou ainda adolescente a aprender pilotagem na força aérea iraniana e, aos 17 anos, foi estudar em uma academia dos Estados Unidos. Estava lá quando sua família precisou deixar o Irã, com a revolução.
Agora, após quase 50 anos, seu rosto aparece em alguns cartazes nos protestos, que foram violentamente reprimidos. Um dos motivos é a ausência de líderes de oposição, quase todos presos ou no exílio. Além disso, jovens que enfrentam a dura repressão, a falta de direitos e de perspectiva de vida sob os aiatolás passaram a olhar com simpatia para a liberdade dos tempos do xá.
E claro que Reza Pahlavi intensificou suas articulações, após ver a açāo dos Estados Unidos na Venezuela e desejar ver uma repetiçāo no Irā. Talvez se tornar uma figura como Maria Corina, mas do seu país. Mas, assim como Donald Trump, descartou a venezuelana, parece ter a mesma posição sobre o filho do xá.
"Ele parece uma boa pessoa, mas eu não sei como ele se sairia dentro do seu próprio país", disse o presidente americano.









