Justiça

Caso Moïse: terceiro acusado pela morte de congolês é condenado a 18 anos de prisão

Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tote, foi sentenciado por homicídio triplamente qualificado, em regime inicial fechado

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Camila Stucaluc
16/04/2026, 06:33 • Atualizado em 16/04/2026, 06:33
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Moïse foi espancado até a morte depois de cobrar salários que estavam atrasados | Reprodução

Moïse foi espancado até a morte depois de cobrar salários que estavam atrasados | Reprodução

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou, na quarta-feira (15), Brendon Alexander Luz da Silva a 18 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato do congolês Moïse Kabagambe, em janeiro de 2022. O lutador, conhecido como Tote, foi sentenciado por homicídio triplamente qualificado, em regime inicial fechado.

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Brendon foi o último dos três denunciados pelo Ministério Público do Rio pela morte do congolês. Em março de 2025, os outros dois réus do caso, Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, foram condenados, com penas somadas de 44 anos de prisão em regime fechado.

O julgamento de Brendon durou cerca de 9 horas. Na sessão, foram ouvidas cinco testemunhas, incluindo Carlos Fábio da Silva Muse, dono do quiosque Tropicália, onde ocorreu o crime. O réu também prestou depoimento, no qual confirmou que amarrou a vítima. Ele alegou, contudo, que não tinha intenção de matar e usar técnicas de jiu-jitsu para machucar Moïse.

“A minha intenção a todo momento era imobilizá-lo até a chegada da polícia, em nenhum momento matá-lo. Pedi para alguém chamar a polícia e, quando vi que ele havia desmaiado e, depois de uma massagem cardíaca, percebi que não respondia mais, fiquei desesperado. Quero pedir perdão à minha mãe, que está presente, e à família da vítima”, disse Brendon.

A fala foi reforçada pela defesa, que pediu para os jurados desclassificarem o crime para lesão corporal seguida de morte. O Ministério Público, porém, alegou que Brendon teve participação direta na morte do congolês, mostrando vídeos de câmeras de segurança do quiosque. Apresentou, ainda, uma série de áudios que o réu enviou após o homicídio, nos quais demonstrou tranquilidade ao comentar o ocorrido com um amigo.

Ao fim dos debates, o júri reconheceu que o crime foi cometido com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, por motivo fútil e com emprego de meio cruel.. Na leitura da sentença, a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis destacou a gravidade da conduta, dizendo que a vítima foi agredida ‘como se fosse um animal peçonhento’.

“Cumpre esclarecer que a conduta praticada pelo acusado foi extremamente cruel pois consistiu em imobilizar a vítima – durante 12 minutos e 40 segundos – para que os outros acusados pudessem agredi-lo por diversas vezes. Registre-se que Brendon, durante todo esse tempo, nada fez para fazer cessar a desnecessária violência”, destacou a magistrada.

Relembre o caso

Moïse Kabagambe foi espancado até a morte em 24 de janeiro de 2022. No dia, o congolês foi ao quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, para cobrar o pagamento de duas diárias de trabalho, mas acabou sendo amarrado e torturado com pedaços de madeira e um taco de beisebol.

O crime foi registrado por câmeras de segurança. No total, foram 13 minutos de agressão, com cerca de 30 pauladas, além de socos, chutes e tapas. Às autoridades, os três agressores negaram que tivessem a intenção de matar Moïse e acusaram a vítima de ter tentado pegar bebidas do freezer do quiosque sem o consentimento dos funcionários.

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