Justiça

Caso Moïse: terceiro acusado pela morte de congolês é condenado a 18 anos de prisão

Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tote, foi sentenciado por homicídio triplamente qualificado, em regime inicial fechado

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
Moïse foi espancado até a morte depois de cobrar salários que estavam atrasados | Reprodução

Moïse foi espancado até a morte depois de cobrar salários que estavam atrasados | Reprodução

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou, na quarta-feira (15), Brendon Alexander Luz da Silva a 18 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato do congolês Moïse Kabagambe, em janeiro de 2022. O lutador, conhecido como Tote, foi sentenciado por homicídio triplamente qualificado, em regime inicial fechado.

Brendon foi o último dos três denunciados pelo Ministério Público do Rio pela morte do congolês. Em março de 2025, os outros dois réus do caso, Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, foram condenados, com penas somadas de 44 anos de prisão em regime fechado.

O julgamento de Brendon durou cerca de 9 horas. Na sessão, foram ouvidas cinco testemunhas, incluindo Carlos Fábio da Silva Muse, dono do quiosque Tropicália, onde ocorreu o crime. O réu também prestou depoimento, no qual confirmou que amarrou a vítima. Ele alegou, contudo, que não tinha intenção de matar e usar técnicas de jiu-jitsu para machucar Moïse.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

“A minha intenção a todo momento era imobilizá-lo até a chegada da polícia, em nenhum momento matá-lo. Pedi para alguém chamar a polícia e, quando vi que ele havia desmaiado e, depois de uma massagem cardíaca, percebi que não respondia mais, fiquei desesperado. Quero pedir perdão à minha mãe, que está presente, e à família da vítima”, disse Brendon.

A fala foi reforçada pela defesa, que pediu para os jurados desclassificarem o crime para lesão corporal seguida de morte. O Ministério Público, porém, alegou que Brendon teve participação direta na morte do congolês, mostrando vídeos de câmeras de segurança do quiosque. Apresentou, ainda, uma série de áudios que o réu enviou após o homicídio, nos quais demonstrou tranquilidade ao comentar o ocorrido com um amigo.

Ao fim dos debates, o júri reconheceu que o crime foi cometido com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, por motivo fútil e com emprego de meio cruel.. Na leitura da sentença, a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis destacou a gravidade da conduta, dizendo que a vítima foi agredida ‘como se fosse um animal peçonhento’.

“Cumpre esclarecer que a conduta praticada pelo acusado foi extremamente cruel pois consistiu em imobilizar a vítima – durante 12 minutos e 40 segundos – para que os outros acusados pudessem agredi-lo por diversas vezes. Registre-se que Brendon, durante todo esse tempo, nada fez para fazer cessar a desnecessária violência”, destacou a magistrada.

Relembre o caso

Moïse Kabagambe foi espancado até a morte em 24 de janeiro de 2022. No dia, o congolês foi ao quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, para cobrar o pagamento de duas diárias de trabalho, mas acabou sendo amarrado e torturado com pedaços de madeira e um taco de beisebol.

O crime foi registrado por câmeras de segurança. No total, foram 13 minutos de agressão, com cerca de 30 pauladas, além de socos, chutes e tapas. Às autoridades, os três agressores negaram que tivessem a intenção de matar Moïse e acusaram a vítima de ter tentado pegar bebidas do freezer do quiosque sem o consentimento dos funcionários.

Últimas notícias