Revista britânica cita liberalismo, retórica provocadora, ligação com o rock e perfil de outsider como semelhanças entre os dois políticos
Sofia Pilagallo
O candidato à Presidência da República do Missão, Renan Santos (à esq.) e o presidente da Argentina, Javier Milei | Foto: Cauê Del Valle/MBL; e Reprodução/Redes sociais
A revista britânica The Economistcomparou o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) ao presidente da Argentina, Javier Milei. Em reportagem publicada nesta segunda-feira (31), a publicação destacou semelhanças entre os dois políticos, como a defesa do livre mercado, a retórica provocadora, a ligação com o rock e a chegada à disputa presidencial sem experiência anterior em cargos eletivos.
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A própria comparação já havia sido feita por Santos. Em maio, o candidato afirmou à CNN ser "Milei na forma e Bukele no conteúdo". Segundo a Economist, o brasileiro se aproxima do presidente argentino pela defesa de reformas econômicas liberais, mas adota, na segurança pública, um discurso inspirado no modelo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador.
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Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Santos ganhou projeção nacional ao organizar manifestações contra o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em 2016. Em 2025, o grupo foi registrado como partido político com o nome de Missão. Além de lançar Santos à Presidência, a legenda apresenta 57 candidatos ao Congresso nas eleições de outubro.
A Economist descreve a sede do partido como mais próxima de uma startup do que de uma estrutura política tradicional, com equipes produzindo conteúdo para os cerca de 4 milhões de seguidores do movimento. Segundo a revista, o Missão busca promover uma "revolução cultural", embora Santos diga que o combate ao chamado "wokeismo" não seja a principal identidade do partido.
Na economia, o Missão define sua orientação como um "liberalismo pragmático e não dogmático". Santos reconheceu que o Estado deve permanecer presente em determinadas áreas, sobretudo diante das desigualdades brasileiras. O partido, por exemplo, não propõe a privatização da Petrobras, mas defende a redução da influência do governo sobre a estatal.
'Alternativa ao bolsonarismo'
As principais propostas estão reunidas no "Livro Amarelo", programa de governo elaborado a partir de experiências internacionais. Entre as medidas citadas pela Economist estão a digitalização dos prontuários médicos, o uso de inteligência artificial para reduzir filas no sistema público de saúde e a criação de metas de desempenho para gestores municipais nas áreas de educação, saúde e saneamento.
O programa também prevê mudanças profundas nas contas públicas, como a desindexação do salário mínimo, a alteração das regras de financiamento da saúde e da educação, cortes nos salários mais altos do funcionalismo e uma nova reforma da Previdência. A intenção seria abrir espaço no Orçamento para elevar os investimentos em infraestrutura a 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ao tratar da segurança pública, porém, a Economist afirma que o "populismo supera o liberalismo". Santos defende estado de emergência contra organizações criminosas, a adoção do Direito Penal do Inimigo e uma atuação policial mais violenta — modelo que, segundo a revista, poderia resultar em violações de direitos e ser usado contra adversários políticos.
A publicação também prevê resistência entre o eleitorado feminino e relembra declarações de Arthur do Val, ex-integrante do MBL e aliado de Santos, durante uma viagem de ambos à Ucrânia, em 2022. Na ocasião, Do Val disse que refugiadas seriam "fáceis porque são pobres" e atribuiu a Santos conselhos sobre como abordar mulheres em cidades mais pobres.
Para a Economist, a polarização política e a força das estruturas partidárias tradicionais dificultam o avanço de Santos, que ainda é pouco conhecido nacionalmente e aparece com entre 3% e 7,6% das intenções de voto nas pesquisas mais recentes. Mesmo que não vença a eleição, avalia a revista, o candidato já ofereceu à direita brasileira uma possível "alternativa ao bolsonarismo".
A reportagem foi publicada no mesmo dia em que o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a propaganda digital de Santos, sua participação em debates e entrevistas e o acesso a recursos do Fundo Eleitoral. A decisão foi motivada por supostas irregularidades no registro dos perfis usados pela campanha nas redes sociais. O candidato nega as acusações e afirmou que vai recorrer da decisão.
The Economist compara Renan Santos a Javier MileiRevista britânica cita liberalismo, retórica provocadora, ligação com o rock e perfil de outsider como semelhanças entre os dois políticosEleições2026-09-01T01:32:05.741ZA revista britânica The Economist comparou o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) ao presidente da Argentina, Javier Milei. Em reportagem publicada nesta segunda-feira (31), a publicação destacou semelhanças entre os dois políticos, como a defesa do livre mercado, a retórica provocadora, a ligação com o rock e a chegada à disputa presidencial sem experiência anterior em cargos eletivos. A própria comparação já havia sido feita por Santos. Em maio, o candidato afirmou à CNN ser "Milei na forma e Bukele no conteúdo". Segundo a Economist, o brasileiro se aproxima do presidente argentino pela defesa de reformas econômicas liberais, mas adota, na segurança pública, um discurso inspirado no modelo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Santos ganhou projeção nacional ao organizar manifestações contra o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em 2016. Em 2025, o grupo foi registrado como partido político com o nome de Missão. Além de lançar Santos à Presidência, a legenda apresenta 57 candidatos ao Congresso nas eleições de outubro. A Economist descreve a sede do partido como mais próxima de uma startup do que de uma estrutura política tradicional, com equipes produzindo conteúdo para os cerca de 4 milhões de seguidores do movimento. Segundo a revista, o Missão busca promover uma "revolução cultural", embora Santos diga que o combate ao chamado "wokeismo" não seja a principal identidade do partido. Na economia, o Missão define sua orientação como um "liberalismo pragmático e não dogmático". Santos reconheceu que o Estado deve permanecer presente em determinadas áreas, sobretudo diante das desigualdades brasileiras. O partido, por exemplo, não propõe a privatização da Petrobras, mas defende a redução da influência do governo sobre a estatal. 'Alternativa ao bolsonarismo' As principais propostas estão reunidas no "Livro Amarelo", programa de governo elaborado a partir de experiências internacionais. Entre as medidas citadas pela Economist estão a digitalização dos prontuários médicos, o uso de inteligência artificial para reduzir filas no sistema público de saúde e a criação de metas de desempenho para gestores municipais nas áreas de educação, saúde e saneamento. O programa também prevê mudanças profundas nas contas públicas, como a desindexação do salário mínimo, a alteração das regras de financiamento da saúde e da educação, cortes nos salários mais altos do funcionalismo e uma nova reforma da Previdência. A intenção seria abrir espaço no Orçamento para elevar os investimentos em infraestrutura a 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Ao tratar da segurança pública, porém, a Economist afirma que o "populismo supera o liberalismo". Santos defende estado de emergência contra organizações criminosas, a adoção do Direito Penal do Inimigo e uma atuação policial mais violenta — modelo que, segundo a revista, poderia resultar em violações de direitos e ser usado contra adversários políticos. A publicação também prevê resistência entre o eleitorado feminino e relembra declarações de Arthur do Val, ex-integrante do MBL e aliado de Santos, durante uma viagem de ambos à Ucrânia, em 2022. Na ocasião, Do Val disse que refugiadas seriam "fáceis porque são pobres" e atribuiu a Santos conselhos sobre como abordar mulheres em cidades mais pobres. Para a Economist, a polarização política e a força das estruturas partidárias tradicionais dificultam o avanço de Santos, que ainda é pouco conhecido nacionalmente e aparece com entre 3% e 7,6% das intenções de voto nas pesquisas mais recentes. Mesmo que não vença a eleição, avalia a revista, o candidato já ofereceu à direita brasileira uma possível "alternativa ao bolsonarismo". A reportagem foi publicada no mesmo dia em que o , sua participação em debates e entrevistas e o acesso a recursos do Fundo Eleitoral. A decisão foi motivada por supostas irregularidades no registro dos perfis usados pela campanha nas redes sociais. O candidato nega as acusações e afirmou que vai recorrer da decisão.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/the-economist-compara-renan-santos-a-javier-milei
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