Eleições

Cury relata ataques ao crescer nas pesquisas: 'virei alvo'

Em entrevista ao SBT News, candidato do Avante afirmou que o avanço ganhou força após sua participação no debate da Band

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O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, atribuiu seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto a um movimento "completamente espontâneo" de eleitores após sua participação no primeiro debate entre os presidenciáveis mais bem colocados, promovido no último dia 23. A declaração foi dada nesta segunda-feira (31), em entrevista ao Poder Expresso. Apesar disso, Cury relatou ter sido alvo da "indústria" das "fake news" desde que começou a ganhar notoriedade entre os eleitores.

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O avanço aparece em dois dos levantamentos mais recentes. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, Cury chegou a 11% das intenções de voto, ante 2% na rodada anterior, enquanto, no AtlasIntel/Bloomberg, passou de 1,6% para 7,8% e também apareceu em terceiro lugar na disputa.

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"Eu atribuo [o crescimento] a um movimento sem precedente das pessoas do país todo entendendo que eu sou um candidato que quer ganhar o coração das pessoas, muito mais do que uma eleição. Depois das pessoas verem o primeiro debate que ocorreu na Band, ocorreu um movimento sem precedente, sem que nós impulsionássemos. Na verdade, elas descobriram apenas quem eu sou", afirmou.

Segundo Cury, sua candidatura busca superar a polarização política. Ele defendeu que problemas enfrentados pela população não devem ser associados a campos ideológicos. Como exemplos, mencionou a violência contra a mulher, os jovens que não estudam nem trabalham e as dificuldades enfrentadas por empreendedores.

Perguntado se o salto nas pesquisas poderia ser apenas resultado da maior exposição obtida com o debate e nas redes sociais, o candidato disse acreditar na continuidade do movimento. Para ele, o crescimento pode ser "sustentável" e até "imparável" por não depender de dinheiro, ego ou da busca por visibilidade.

Ao ser questionado sobre os vídeos em que Pablo Marçal manifesta apoio à sua candidatura, Cury minimizou a influência do então candidato do PRTB em seu desempenho nas redes sociais. Segundo ele, "milhares e milhares" de pessoas têm produzido conteúdos sobre sua campanha, sem que haja uma articulação centralizada para isso.

"Não é só Pablo Marçal. São milhares e milhares de pessoas que têm comentado e dado muito mais visualizações e comentários do que ele. Eu não tenho uma relação mais estreita com o Marçal. Há uns dois ou três meses, estive em um podcast dele, como estive em vários outros, e ele disse que nunca tinha conhecido alguém tão dócil e amável", afirmou.
"Ele até brincou: 'Cury, você tinha que ser candidato à Presidência na Suíça, não no Brasil', e disse que eu precisaria de elementos para chamar a atenção e furar a bolha. Eu falei: 'Eu nunca vou mudar minha essência para ganhar uma eleição'. Já me perguntei cem vezes: qual é o prazer de sentar na cadeira de presidente? Não encontrei nenhuma resposta que fosse prazerosa para o meu ego”, acrescentou.

Durante a entrevista, Cury também explicou por que ameaçou não participar do debate promovido pela TV Bandeirantes. O candidato afirmou ter se incomodado com as ausências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e com a exibição de uma entrevista gravada do presidente, no mesmo horário, em outra emissora, situação que classificou como uma falta de respeito aos candidatos e à democracia.

Cury disse que chegou a decidir não comparecer ao encontro, mas mudou de ideia por entender que sua ausência também representaria um desrespeito à imprensa e à própria Band. O candidato reclamou ainda do funcionamento dos algoritmos das redes sociais. Ele afirmou que, apesar de ter mais de 15 milhões de seguidores, apenas uma parcela deles recebia suas publicações sobre a candidatura.

Ao falar sobre de quem estaria conquistando votos, Cury afirmou enxergar adesões tanto entre eleitores de direita quanto de esquerda e disse não se considerar uma "ameaça" a Lula ou Flávio. Apesar disso, fez críticas ao projeto do atual presidente e afirmou que gostaria de enfrentá-lo diretamente em um eventual segundo turno.

"Eu tenho posições críticas em relação ao projeto de Lula, inclusive o Estado inchado e esse gasto excessivo que tem ocorrido, porque o dinheiro público, para mim, é sagrado. Eu gostaria de enfrentar Lula no segundo turno, com muito respeito e muita seriedade, porque eu estou magoado com determinados índices. Queria olhar nos olhos do Lula, com muito respeito", disse.

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