Eleições

Lula nega influência sobre Dino após pedido de vista no STF

Presidente relembrou o período em que esteve preso para afirmar que ministros indicados por ele não lhe devem fidelidade

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Sofia Pilagallo
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante participação no podcast 'Flow' | Foto: Reprodução/YouTube/@FlowPodcast - 01.10.2026

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante participação no podcast 'Flow' | Foto: Reprodução/YouTube/@FlowPodcast - 01.10.2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (1º) que não exerce influência sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados por ele. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow Podcast, após ser questionado sobre o pedido de vista de Flávio Dino em um julgamento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o caso Master.

Ao questionar Lula, o influenciador Igor Coelho afirmou considerar o STF um tribunal político e citou a trajetória de Dino, que foi governador do Maranhão, ministro da Justiça no atual governo e indicado pelo presidente ao Supremo. O apresentador perguntou se Lula não teria influência suficiente para telefonar ao ministro e defender que o caso fosse analisado antes da eleição.

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“Nunca pedi um favor. O Toffoli, que eu indiquei, foi o cara que negou eu sair da cadeia para ir ver meu irmão morto. E eu não peço favor. Eu não indico ninguém em cargo nenhum para me fazer favor. Quero que você saiba disso. Isso é uma coisa de caráter”, afirmou Lula. “Nunca liguei para ninguém para pedir favor. Meu papel é não cometer erro. Se eu cometer erro, tenho que ser investigado.”

Lula relembrou o período em que ficou preso, entre abril e novembro de 2018, e afirmou que, na época, seis ministros indicados por ele integravam o Supremo. Para o presidente, episódios como esse demonstram que suas indicações à Corte não pressupõem fidelidade ou compromisso pessoal.

O presidente ainda elogiou Dino e afirmou considerá-lo um ministro competente, destacando sua trajetória política antes de chegar ao STF. O magistrado foi deputado federal, governador do Maranhão, ministro da Justiça e filiado ao PCdoB e ao PSB antes de assumir uma cadeira no Supremo.

Na sequência, Lula afirmou que pedidos de vista e eventuais divergências entre os ministros são questões internas do Supremo. O presidente ressaltou que interferir nesse tipo de decisão significaria ultrapassar os limites entre os Poderes e exaltou o papel da Corte como guardiã da Constituição.

“O presidente da República, se ele quiser governar com tranquilidade, precisa respeitar primeiro a autonomia de cada Poder. O Congresso tem a sua função, a Suprema Corte tem a sua. E a Suprema Corte é a mais poderosa. Embora seja um tribunal político, é a guardiã da sociedade. Depois de uma decisão da Suprema Corte, ninguém pode tomar mais atitude. É a guardiã da Constituição”, afirmou.

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