Eleições

Lula questiona debates da Globo e critica “gracinhas”

Presidente defendeu formato com perguntas iguais e candidatos em condições semelhantes de disputa

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Jessica Cardoso
Lula em entrevista para o podcast Flow | Reprodução

Lula em entrevista para o podcast Flow | Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (1º) que há tempos questiona o formato dos debates promovidos pela TV Globo. Em entrevista ao Flow Podcast, ele criticou a dinâmica dos encontros com vários candidatos e disse que considera o modelo pouco produtivo.

“Quando você tem cinco ou seis candidatos, você fala 1 minuto e espera 10 minutos. Fala 2 minutos e espera 10 minutos. Não tem sequência [...] Eu, sinceramente, acho que esses debates estão infrutíferos, não produzem nada, não dá sequência. E aí o pessoal começa a fazer gracinha. [...] Eu, sinceramente, não gosto desse tipo de debate”, disse.

Lula também defendeu um modelo alternativo em que os candidatos respondam às mesmas perguntas. Na avaliação dele, deveria haver ainda maior equilíbrio entre os participantes.

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“Eu preferia que fosse feito um debate em que uma televisão ou você mesmo fizesse a mesma pergunta para vários candidatos. E os candidatos mais ou menos em condição de disputar. Você não pode pegar uma pessoa que tem 49% e levar para disputar com uma pessoa que tem 1%. É desproporcional”, disse.

O presidente Lula decidiu, há dois dias, não participar do debate presidencial promovido pela TV Globo que deveria acontecer nesta próxima quinta-feira (1º), e seria o último confronto entre os candidatos antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).

A estratégia definida pela campanha foi levar Lula ao podcast Flow no mesmo horário do debate, retirando Lula do confronto direto com os adversários na reta final da campanha. Em entrevista, o presidente teria mais controle sobre o formato e o ambiente da entrevista.

Debate cancelado

Nesta quinta-feira (1º), decisões da Justiça e a desistência de Flávio Bolsonaro de participar, de última hora, do confronto entre os presidenciáveis na TV fizeram a Globo decidir pelo cancelamento do debate presidencial.

Antes da decisão, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu liminarmente a regra que previa a manutenção de uma cadeira vazia, identificada com o nome do presidente Lula no debate desta quinta. Para a magistrada, a medida poderia criar desequilíbrio entre as candidaturas e produzir efeitos que extrapolariam a simples informação sobre a ausência.

Horas antes, o ministro Gilmar Mendes, do STF, havia determinado que a Globo incluísse Renan Santos (Missão) no encontro. O ministro estabeleceu que o candidato ocupasse a vaga aberta após a desistência de Lula.

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