Eleições

PE: Raquel lidera e pode ser a primeira governadora mulher do Estado

Marília Arraes saiu à frente da rival tucana no 1º turno, mas aparece atrás em pesquisas

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Rafaela Vivas
29/10/2022, 17:00 • Atualizado em 31/10/2023, 11:13
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Marília Arraes e Raquel Lyra

Marília Arraes e Raquel Lyra

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Duas mulheres, jovens, advogadas, de família política: Marília Arraes (Solidariedade) e Raquel Lyra (PSDB). Com a vitória de uma delas, será a primeira vez que Pernambuco terá uma governadora eleita. Há 16 anos, o estado é governado pelo PSB, nas gestões de Eduardo Campos, por duas vezes, e de Paulo Câmara, por mais duas.

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No primeiro turno, Marília recebeu 1.175.651 votos (23,97%), e Raquel, 1.009.556 votos (20,58%). De lá pra cá, as duas disputam voto a voto, mas Raquel vem subindo gradativamente nas pesquisas.

Em levantamento Ipec divulgado na última 3ª feira (25.out), Raquel Lyra aparecia com 51%, enquanto Marília tinha 43%.

A candidata do PSDB chegou ao segundo turno atrás nos levantamentos. Marília liderava até a véspera do primeiro turno. No sábado antes do pleito (1º.out), não era possível sequer cravar com quem Marília Arraes disputaria o segundo turno das eleições. Até que uma reviravolta, marcada por uma tragédia pessoal na vida de Raquel Lyra, mudou os rumos da política local.

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O marido da candidata, o empresário Fernando Lucena, de 44 anos, morreu na manhã do primeiro turno das eleições, em 2 de outubro. Fernando estava em casa quando passou mal. Após ser acionado, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou os primeiros atendimentos na residência, mas ele não resistiu.

Na ocasião, Raquel Lyra chegou a anunciar que não iria às urnas, mas a candidata votou no fim da tarde do primeiro turno, em Caruaru, no Agreste, e seguiu para o sepultamento do marido.

Raquel Lyra, o marido -- falecido em outubro -- e os dois filhos em festa local | Reprodução/Redes Sociais

Alianças e propostas

Em sua campanha, Marília Arraes reforçou alianças com o candidado à Presidência Luíz Inácio Lula da Silva (PT) e ganhou apoio público do ex-desafeto político e primo, o prefeito João Campos (PSB). Raquel Lyra se maneteve neutra no 2º turno das eleições presidenciais. Não anunciou apoio a Lula nem a Bolsonaro.

Marília traz em seu programa de governo pautas como o combate à violência e à criminalidade, garantia da igualdade de gênero, raça e diversidade de crença, atualização do Movimento de Cultura Popular e a melhora da gestão da água com Programa Água para Todos. 

Já plano de governo de Raquel fala sobre o aumento da violência e fome, traz medidas para aprimorar a gestão da saúde pública, fortalecer e integrar os serviços públicos de apoio ao enfrentamento da violência contra a mulher e reduzir o número de pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza.

Queda de pressão e cirurgia

O segundo turno de campanha foi marcado por debates acirrados e contratempos para as duas. Raquel cancelou a agenda em 13 de outubro para acompanhar o filho mais velho de 12 anos, que teve que se submeter a uma cirurgia de urgência para retirada do apêndice. Em 17 de outubro, Marília, na ocasião grávida de seis meses, apresentou um pico hipertensivo durante sabatina para um site e precisou ficar em observação médica no hospital.

Marília Arraes, grávida de 6 meses, passou mal e foi levada ao hospital durante sabatina | Reprodução

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Perfis

Marília Arraes, 38 anos, é deputada federal e presidente estadual do Solidariedade. Natural do Recife, é formada em Direito e iniciou a carreira política como vereadora. Foi eleita em 2008 e reeleita quatro anos depois. É neta do ex-governador Miguel Arraes.

Raquel Lyra tem 43 anos, nasceu em Recife, é advogada e filha de João Lyra Neto, ex-prefeito de Caruaru e ex-governador de Pernambuco. A candidata foi eleita duas vezes deputada estadual de Pernambuco pelo PSB e foi a mulher mais bem votada do estado e de Caruaru, onde deixou o comando da prefeitura para concorrer ao governo estadual. 

Com o ineditismo de gênero no comando do Palácio das Princesas, em Pernambuco, sendo Raquel ou Marília a escolhida, o Brasil terá em 2023 dois estados comandados por mulheres: Fátima Bezerra (PT) foi reeleita em primeiro turno para novo mandato no Rio Grande do Norte.

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