Economia

Presidente do Senado defende usar taxa das blusinhas para compensar perdas com desoneração

Rodrigo Pacheco também debateu a dívida dos estados com ministros de Lula. Expectativa é que definições ocorram antes de recesso parlamentar

G
Guilherme Resck
Rodrigo Pacheco conversa com senadoras no plenário (Pedro França/Ag. Senado)

Rodrigo Pacheco conversa com senadoras no plenário (Pedro França/Ag. Senado)

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse nesta terça-feira (25) que os recursos obtidos com a taxa das blusinhas, apelido dado à taxação das compras internacionais de até 50 dólares, deverão ser usados para compensar a desoneração da folha de pagamentos de municípios brasileiros e empresas de 17 setores da economia.

Essa é uma das propostas que estão sendo avaliadas pelo Congresso Nacional e deverão ser materializadas em um projeto de lei que está sendo relatado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

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Conforme Pacheco, entre as possibilidades, ainda estão um programa de repatriação de recursos no exterior, um programa de atualização de ativos, projeto já aprovado no Senado; um programa de equacionamento de multas em agências reguladoras, como se fosse um programa Desenrola; além da criação de alíquota de 20% do Imposto de Importação sobre compras de até 50,00 dólares.

"Há uma convicção hoje de nossa parte e da Fazenda de que a questão da desoneração da folha tanto dos municípios quanto dos 17 setores estará equacionada com essas fontes de compensação já apresentadas e todas elas absolutamente suficientes para poder fazer frente à compensação na linha do que é exigido na decisão do STF", disse Pacheco em entrevista coletiva.

O senador falou que essas medidas sugeridas devem superar os R$ 17 bilhões ou R$ 18 bilhões necessários para compensar a desoneração em 2024.

Segundo o parlamentar, há uma "perspectiva concreta" de antes do recesso também ocorrer a análise e aprovação da compensação no Senado. "De fato tanto a desoneração quanto a dívida dos estados tem travado um pouco o debate e exigido muita energia de todos para poder vê-los solucionados. Eu acredito muito na solução nos próximos dias", declarou.

Dívidas dos Estados

Ainda na coletiva, Pacheco falou a respeito de uma reunião que teve nesta terça-feira, na residência oficial da presidência do Senado, com o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo Pacheco, além de tratar da compensação da desoneração da folha de pagamento, os ministros e congressistas trataram da dívida dos estados.

O presidente do Senado disse que o Ministério da Fazenda concordou com vários pontos que ele (Pacheco) havia sugerido em relação à dívida e vai levar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta terça ou quarta-feira (26), "a formatação desse equilíbrio federativo entre estados envidados e a União".

Com a concordância de Lula sobre o modelo, será formatado um Projeto de Lei Complementar. De acordo com Pacheco, em linhas gerais, o projeto daria a possibilidade de entrega de ativos dos estados para amortização e pagamento da dívida com a União. Além disso, preveria a redução os juros da dívida a título de prêmio pela entrega de ativos pelos estados e a possibilidade de conversão de juros em investimentos no próprio estado.

"Ou seja, ao invés de se pagar juros para a União, o estado endividado se comprometer com investimentos nele próprio como contrapartida da redução do indexador", explicou. Os investimentos seriam em educação, infraestrutura e segurança pública.

O senador ressaltou que deve se encontrar com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), na quarta-feira, e quer encontrar também com governadores de outros estados, para debaterem o tema antes do recesso parlamentar, no próximo mês.

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