Economia

Palavra autonomia "precisa de rebrand" e BC tem que "cortar na carne" quando erra, diz Galípolo

Sem citar caso Master, presidente do Banco Central afirma esperar avanço "em ter arcabouço institucional mais adequado"

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Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Divulgação/Raphael Ribeiro/BC
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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (9) que "a palavra autonomia às vezes precisa de um rebrand", em referência à atuação da autarquia, e que a autoridade monetária utiliza essa prerrogativa justamente para "quando tiver uma coisa errada, ter a coragem de apontar e não só pedir desculpas, mas cortar na carne".

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Após citar que o BC "está há uma década sofrendo com condições de trabalho que não são as mais adequadas", Galípolo afirmou esperar avanços "em ter um arcabouço institucional mais adequado". "Já disse algumas vezes que a palavra autonomia precisa de um rebrand. Porque parece ideia de que estamos virando as costas pra democracia ou qualquer coisa desse tipo", comentou, em fala na abertura de um prêmio do órgão alusivo às projeções do Boletim Focus, que traz semanalmente expectativas do mercado financeiro para diversos indicadores (Selic, PIB, dólar e IPCA/inflação).

O chefe da autarquia reforçou que é fundamental "a gente completar o processo de autonomia". "Não por questão de qualquer comportamento. Ela não vem de um dispositivo legal. Autonomia significa algo que é muito caro ao Banco Central. É uma instituição que não está disponível pra negociar o seu mandato", acrescentou.

Galípolo completou que "autonomia significa também que quando tiver uma coisa errada, ter a coragem de apontar o que há de errado dentro do Banco Central e não só pedir desculpas, mas cortar na carne". "Porque é o que é mais forte pra institucionalidade, independente de relações pessoais que possam existir."

"Ela é importante ser completada justamente pra que quem decide não negociar algumas questões não seja punida por isso amanhã", disse, fazendo elogios a diretores e equipe técnica do BC e agradecimentos à imprensa "pela cobertura bastante transparente, honesta, em busca dos fatos".

Caso Master

Declarações de Galípolo ocorrem no contexto do caso do Banco Master, alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e de investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de fraudes bilionárias em ativos.

O escândalo também acabou respigando no BC, com suposto envolvimento dos ex-diretores Belline Santana (de Supervisão Bancária) e Paulo Sérgio de Souza Neves (de Fiscalização) em consultoria informal e orientações ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, sobre processos administrativos da autarquia.

Já afastados de funções desde dezembro por Galípolo, ambos também receberam ordem de afastamento no âmbito judicial em março pelo STF, após nova fase da operação Compliance Zero.

O esquema de Vorcaro, segundo a PF, também incluía suposta contratação de influenciadores digitais para promover ataques e disseminar fake news nas redes sociais contra o Banco Central por causa da liquidação extrajudicial do Master, realizada em 18 de novembro de 2025, mesma data da primeira fase da força-tarefa policial.

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