O que disse o CEO da C&A antes da ação cair mais de 15% em um dia
Na divulgação do balanço do 3º trimestre, Paulo Correa via C&A em nova fase, após fortalecer posição financeira
Exame.com
Paulo Correa: CEO via evolução consistente da operação | Divulgação/C&A
As ações da C&A (CEAB3) despencaram mais de 15% na sessão desta segunda-feira, 5 de janeiro, na B3. No mercado, circula a informação de que as vendas da varejista teriam estagnado no quarto trimestre de 2025 — o que ainda não foi confirmado oficialmente pela companhia.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A queda abrupta ocorre dois meses após a empresa divulgar um terceiro trimestre de 2025 com aumento de lucro, avanço na geração de caixa e planos de aceleração de investimentos.
Na ocasião da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o CEO da C&A, Paulo Correa, afirmou à EXAME que a empresa entrava em uma "nova fase" após fortalecer sua posição financeira.
"A partir dessa saúde financeira e assertividade que a gente vem tendo em termos de coleções e de resultados, temos um plano crescente de investimentos, seja em reformas, em novas lojas ou em tecnologia", disse o executivo, ao comentar a estratégia para os anos seguintes.
Um dos principais pilares desse plano é o novo conceito de loja inaugurado em agosto de 2025 no Shopping Center Norte, em São Paulo, desenvolvido em parceria com o escritório britânico Gensler. Com 3.500 metros quadrados, o espaço foi pensado para unir moda, tecnologia, design contemporâneo e sustentabilidade.
Segundo Correa, o projeto foi o grande teste do plano "Energia C&A", lançado há cerca de três anos. "A loja do Center Norte era um teste, e ela passou no teste. Estamos muito felizes com o resultado e com o feedback das clientes", afirmou. A partir dessa experiência, a companhia planejava acelerar um programa de reformas e expansão do novo modelo a partir de 2026.
Os números do terceiro trimestre reforçavam esse discurso. Entre julho e setembro, a C&A registrou lucro líquido de R$ 69,5 milhões, alta de 62,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado avançou 5,5%, para R$ 333,3 milhões, com margem de 18,1%. A receita líquida consolidada cresceu 2,3%, para R$ 1,84 bilhão, enquanto as vendas em mesmas lojas avançaram 8,1%, impulsionadas pelo segmento de vestuário, que subiu 8,9%.
Correa avaliou que o desempenho refletia uma evolução consistente da operação, com crescimento acompanhado de ganho de margem e gestão mais eficiente de custos e estoques. A empresa encerrou setembro com R$ 1,18 bilhão em caixa e uma dívida bruta 37,2% menor na comparação anual. Segundo o executivo, o bom giro dos produtos de inverno permitiu chegar ao fim do trimestre com estoques ajustados para o final do ano, reforçando a geração de caixa.
O período, no entanto, não foi isento de desafios. O inverno de 2025 foi mais longo e rigoroso que o habitual, o que beneficiou as vendas do segundo trimestre, mas postergou o início da temporada de calor.
Analistas já percebiam desaceleração de vendas
Algumas casas de análise, como a XP Investimentos, já apontavam na época para uma desaceleração do vestuário, com expectativa de crescimento mais modesto da receita.
Correa reconheceu o impacto climático, mas afirmou que produtos atemporais, como jeans e camisetas, ganharam relevância, enquanto itens mais típicos do alto verão tiveram desempenho mais fraco no pós-inverno.
Para lidar com esse cenário, o CEO destacou a aposta na "assertividade das coleções", apoiada na metodologia Test & Learn, que permite testar produtos em pequena escala antes de ampliar a produção.
"Neste ano [2025], completamos mais de mil testes. Isso nos torna mais assertivos e reduz sobras e descontos. Apostamos menos, testamos mais e ouvimos mais o cliente", afirmou. No campo logístico, a empresa também avançava na implementação de hubs regionais, reduzindo prazos de reposição e encurtando em nove dias o ciclo de caixa no trimestre.
É esse conjunto de expectativas — crescimento sustentado por eficiência operacional, novos formatos de loja e uso intensivo de tecnologia — que agora contrasta com o forte ajuste das ações na bolsa.
Enquanto o mercado tenta precificar o impacto do desempenho do quarto trimestre, investidores aguardam uma posição oficial da companhia para entender se a queda reflete apenas ruído ou uma mudança mais estrutural no ritmo do negócio.
O que disse o CEO da C&A antes da ação cair mais de 15% em um diaNa divulgação do balanço do 3º trimestre, Paulo Correa via C&A em nova fase, após fortalecer posição financeiraEconomia2026-01-06T15:54:53.051ZAs na sessão desta segunda-feira, 5 de janeiro, na B3. No mercado, circula a informação de que as vendas da varejista teriam estagnado no quarto trimestre de 2025 — o que ainda não foi confirmado oficialmente pela companhia. A queda abrupta ocorre dois meses após a empresa divulgar um terceiro trimestre de 2025 com aumento de lucro, avanço na geração de caixa e planos de aceleração de investimentos. Na ocasião da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o CEO da C&A, Paulo Correa, afirmou à EXAME que a empresa entrava em uma "nova fase" após fortalecer sua posição financeira. "A partir dessa saúde financeira e assertividade que a gente vem tendo em termos de coleções e de resultados, temos um plano crescente de investimentos, seja em reformas, em novas lojas ou em tecnologia", disse o executivo, ao comentar a estratégia para os anos seguintes. Um dos principais pilares desse plano é o novo conceito de loja inaugurado em agosto de 2025 no Shopping Center Norte, em São Paulo, desenvolvido em parceria com o escritório britânico Gensler. Com 3.500 metros quadrados, o espaço foi pensado para unir moda, tecnologia, design contemporâneo e sustentabilidade. Segundo Correa, o projeto foi o grande teste do plano "Energia C&A", lançado há cerca de três anos. "A loja do Center Norte era um teste, e ela passou no teste. Estamos muito felizes com o resultado e com o feedback das clientes", afirmou. A partir dessa experiência, a companhia planejava acelerar um programa de reformas e expansão do novo modelo a partir de 2026. Lucro cresceu 62% no terceiro trimestre Os números do terceiro trimestre reforçavam esse discurso. Entre julho e setembro, a C&A registrou lucro líquido de R$ 69,5 milhões, alta de 62,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado avançou 5,5%, para R$ 333,3 milhões, com margem de 18,1%. A receita líquida consolidada cresceu 2,3%, para R$ 1,84 bilhão, enquanto as vendas em mesmas lojas avançaram 8,1%, impulsionadas pelo segmento de vestuário, que subiu 8,9%. Correa avaliou que o desempenho refletia uma evolução consistente da operação, com crescimento acompanhado de ganho de margem e gestão mais eficiente de custos e estoques. A empresa encerrou setembro com R$ 1,18 bilhão em caixa e uma dívida bruta 37,2% menor na comparação anual. Segundo o executivo, o bom giro dos produtos de inverno permitiu chegar ao fim do trimestre com estoques ajustados para o final do ano, reforçando a geração de caixa. O período, no entanto, não foi isento de desafios. O inverno de 2025 foi mais longo e rigoroso que o habitual, o que beneficiou as vendas do segundo trimestre, mas postergou o início da temporada de calor. Analistas já percebiam desaceleração de vendas Algumas casas de análise, como a XP Investimentos, já apontavam na época para uma desaceleração do vestuário, com expectativa de crescimento mais modesto da receita. Correa reconheceu o impacto climático, mas afirmou que produtos atemporais, como jeans e camisetas, ganharam relevância, enquanto itens mais típicos do alto verão tiveram desempenho mais fraco no pós-inverno. Para lidar com esse cenário, o CEO destacou a aposta na "assertividade das coleções", apoiada na metodologia Test & Learn, que permite testar produtos em pequena escala antes de ampliar a produção. "Neste ano [2025], completamos mais de mil testes. Isso nos torna mais assertivos e reduz sobras e descontos. Apostamos menos, testamos mais e ouvimos mais o cliente", afirmou. No campo logístico, a empresa também avançava na implementação de hubs regionais, reduzindo prazos de reposição e encurtando em nove dias o ciclo de caixa no trimestre. É esse conjunto de expectativas — crescimento sustentado por eficiência operacional, novos formatos de loja e uso intensivo de tecnologia — que agora contrasta com o forte ajuste das ações na bolsa. Enquanto o mercado tenta precificar o impacto do desempenho do quarto trimestre, investidores aguardam uma posição oficial da companhia para entender se a queda reflete apenas ruído ou uma mudança mais estrutural no ritmo do negócio.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/o-que-disse-o-ceo-da-c-and-a-antes-da-acao-cair-mais-de-15-em-um-dia
Associação dos delegados da PF vê risco para caso Master
Em entrevista ao SBT News, presidente da entidade dos delegados da PF diz que corporação aprendeu com anulações, segue protocolos e atua com preocupação