Economia

O que disse o CEO da C&A antes da ação cair mais de 15% em um dia

Na divulgação do balanço do 3º trimestre, Paulo Correa via C&A em nova fase, após fortalecer posição financeira

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Paulo Correa: CEO via evolução consistente da operação | Divulgação/C&A

As ações da C&A (CEAB3) despencaram mais de 15% na sessão desta segunda-feira, 5 de janeiro, na B3. No mercado, circula a informação de que as vendas da varejista teriam estagnado no quarto trimestre de 2025 — o que ainda não foi confirmado oficialmente pela companhia.

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A queda abrupta ocorre dois meses após a empresa divulgar um terceiro trimestre de 2025 com aumento de lucro, avanço na geração de caixa e planos de aceleração de investimentos.

Na ocasião da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o CEO da C&A, Paulo Correa, afirmou à EXAME que a empresa entrava em uma "nova fase" após fortalecer sua posição financeira.

"A partir dessa saúde financeira e assertividade que a gente vem tendo em termos de coleções e de resultados, temos um plano crescente de investimentos, seja em reformas, em novas lojas ou em tecnologia", disse o executivo, ao comentar a estratégia para os anos seguintes.

Um dos principais pilares desse plano é o novo conceito de loja inaugurado em agosto de 2025 no Shopping Center Norte, em São Paulo, desenvolvido em parceria com o escritório britânico Gensler. Com 3.500 metros quadrados, o espaço foi pensado para unir moda, tecnologia, design contemporâneo e sustentabilidade.

Segundo Correa, o projeto foi o grande teste do plano "Energia C&A", lançado há cerca de três anos. "A loja do Center Norte era um teste, e ela passou no teste. Estamos muito felizes com o resultado e com o feedback das clientes", afirmou. A partir dessa experiência, a companhia planejava acelerar um programa de reformas e expansão do novo modelo a partir de 2026.

Lucro cresceu 62% no terceiro trimestre

Os números do terceiro trimestre reforçavam esse discurso. Entre julho e setembro, a C&A registrou lucro líquido de R$ 69,5 milhões, alta de 62,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado avançou 5,5%, para R$ 333,3 milhões, com margem de 18,1%. A receita líquida consolidada cresceu 2,3%, para R$ 1,84 bilhão, enquanto as vendas em mesmas lojas avançaram 8,1%, impulsionadas pelo segmento de vestuário, que subiu 8,9%.

Correa avaliou que o desempenho refletia uma evolução consistente da operação, com crescimento acompanhado de ganho de margem e gestão mais eficiente de custos e estoques. A empresa encerrou setembro com R$ 1,18 bilhão em caixa e uma dívida bruta 37,2% menor na comparação anual. Segundo o executivo, o bom giro dos produtos de inverno permitiu chegar ao fim do trimestre com estoques ajustados para o final do ano, reforçando a geração de caixa.

O período, no entanto, não foi isento de desafios. O inverno de 2025 foi mais longo e rigoroso que o habitual, o que beneficiou as vendas do segundo trimestre, mas postergou o início da temporada de calor.

Analistas já percebiam desaceleração de vendas

Algumas casas de análise, como a XP Investimentos, já apontavam na época para uma desaceleração do vestuário, com expectativa de crescimento mais modesto da receita.

Correa reconheceu o impacto climático, mas afirmou que produtos atemporais, como jeans e camisetas, ganharam relevância, enquanto itens mais típicos do alto verão tiveram desempenho mais fraco no pós-inverno.

Para lidar com esse cenário, o CEO destacou a aposta na "assertividade das coleções", apoiada na metodologia Test & Learn, que permite testar produtos em pequena escala antes de ampliar a produção.

"Neste ano [2025], completamos mais de mil testes. Isso nos torna mais assertivos e reduz sobras e descontos. Apostamos menos, testamos mais e ouvimos mais o cliente", afirmou. No campo logístico, a empresa também avançava na implementação de hubs regionais, reduzindo prazos de reposição e encurtando em nove dias o ciclo de caixa no trimestre.

É esse conjunto de expectativas — crescimento sustentado por eficiência operacional, novos formatos de loja e uso intensivo de tecnologia — que agora contrasta com o forte ajuste das ações na bolsa.

Enquanto o mercado tenta precificar o impacto do desempenho do quarto trimestre, investidores aguardam uma posição oficial da companhia para entender se a queda reflete apenas ruído ou uma mudança mais estrutural no ritmo do negócio.

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