Mercadante confirma venda de ações da Petrobras pelo BNDES
Presidente do banco de fomento citou valorização dos papéis da petrolífera; objetivo, segundo ele, é realocar recursos em outras companhias


Aloizio Mercadante, presidente do BNDES | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, confirmou nesta terça-feira (26) que o banco de fomento vendeu em maio parte das ações da Petrobras que mantém em carteira, citando a valorização dos papéis da companhia que disparou obrigações da instituição.
A Reuters publicou na semana passada que o BNDES vendeu este mês cerca de R$ 3 bilhões em ações da Petrobras e mais R$ 500 milhões em papeis da Axia Energia.
Segundo Mercadante, a venda de ações de empresas maduras segue nos planos do BNDES. O presidente do banco afirmou que o objetivo é realocar recursos em outras companhias.
"Tem uma cláusula prudencial do Banco Central que nenhuma instituição financeira pode ter mais de 25% de sua carteira em uma única ação", disse Mercadante a jornalistas em evento na sede do BNDES.
"A Petrobras teve uma valorização muito forte no primeiro trimestre e ficamos com risco de romper esse teto", acrescentou, citando que a venda envolveu apenas ações preferenciais da petrolífera. Segundo dados da LSEG, as ações preferenciais da Petrobras valorizaram cerca de 58% no primeiro trimestre.
Ao ser questionado sobre as demais vendas de ações de Axia e Copel, Mercadante acrescentou que não poderia dar detalhes, mas afirmou que o BNDES está em um processo de reciclagem de sua carteira de participações para financiar outros setores e segmentos.
"Somos bancos de fomento e desenvolvimento e não podemos olhar só o rendimento. Temos que olhar o futuro, tecnologia, descarbonização, inovação. Olhamos nossa carteira nessa perspectiva", disse o presidente do BNDES.
Brasil Soberano 2
Mercadante disse também que a demanda por recursos do plano Brasil Soberano 2 está forte e já chega a cerca de R$ 5 bilhões.
O novo programa foi desenhado para apoiar empresas brasileiras exportadoras afetadas pelas tarifas de importação dos Estados Unidos e aquelas impactadas pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.
O plano, lançado via medida provisória (MP) no final de março, prevê R$ 21 bilhões em crédito sendo R$ 15 bilhões do governo federal e o restante do BNDES. "Está chegando já a R$ 5 bilhões e o BNDES está sendo rápido no crédito", disse Mercadante.
(Por Rodrigo Viga Gaier; edição Alberto Alerigi Jr.)















