Economia

Governo negocia, mas evita reciprocidade, diz ministro

Márcio Elias afirma ao SBT News que Brasil busca ampliar lista de exceções e só adotará medidas de retaliação se forem imprescindíveis

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Ministro Márcio Elias Rosa durante coletiva | Foto: Júlio César Silva/MDIC

Ministro Márcio Elias Rosa durante coletiva | Foto: Júlio César Silva/MDIC

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, afirmou nesta quinta-feira (20) que o governo brasileiro não pretende adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas aplicadas a produtos nacionais, a não ser que a ação seja imprescindível. Segundo o ministro, o caminho viável é manter as negociações para ampliar a lista de exceções.

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“O que desejo é que haja acordo. O que pretendo é negociar. O que virá a acontecer, se for imprescindível, é a aplicação de alguma medida. Um acordo amplo não é viável, mas é possível voltar a negociar para aumentar a lista de exceções, como fizemos no ano passado”, disse em entrevista ao programa Central de Notícias, do SBT News.

Márcio explicou que o Brasil está em duas frentes de negociação. Uma delas é a discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC), que foi aceita pelos Estados Unidos. A outra é a Lei de Reciprocidade, que já foi formalizada junto ao governo norte-americano. Caso eventualmente seja adotada alguma medida de reciprocidade, a ação só poderá ser implementada em 2027.

O governo brasileiro sustenta que as tarifas violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito da OMC. Para o ministro, a ação dos EUA é abusiva e um ataque injusto.

Um levantamento do governo, divulgado em julho, aponta que 47,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão alcançadas por alguma das medidas tarifárias em vigor. Apesar disso, o ministro afirmou que, até o momento, não há necessidade de ações do governo para socorrer os setores afetados e que o plano Brasil Soberano já contemplou os segmentos mais impactados.

Entenda

Em meados do mês passado e no fim de julho, os Estados Unidos impuseram duas novas sobretaxas comerciais ao Brasil: a primeira, de 25% com uma lista de isenções, sob a justificativa de que o país adota práticas que restringem o comércio norte-americano.

A segunda, com alíquotas de 10% a 12,5% aplicada a 60 nações, decorrente de investigações para punir países que não proíbem nem fiscalizam adequadamente a importação de produtos feitos com trabalho forçado.

Com isso, o governo brasileiro passou a planejar formas de contornar o cenário. Desde então o governo Lula e parte da diplomacia brasileira juntam esforços para negociar as tarifas.

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