Economia

Haddad diz que governo pode adotar medidas de crédito e cogita reciprocidade contra tarifa dos EUA

Ministro reforça que diretriz é manter o Brasil na mesa de negociação, mas afirma que o país está se preparando para todos os cenários

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Gabriela Tunes
21/07/2025, 13:21 • Atualizado em 21/07/2025, 15:38
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Haddad | Divulgação/Ministério da Fazenda

Haddad | Divulgação/Ministério da Fazenda

A 10 dias do prazo para começar a taxação dos Estados Unidos de 50% aos produtos do Brasil, o governo federal ainda não chegou a uma solução para reverter o cenário. Nesta segunda-feira (21), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista ao vivo à rádio CBN, afirmou que o Executivo estuda adotar medidas de crédito para socorrer empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço de Donald Trump.

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Segundo ele, a reação pode ocorrer sem impacto nas contas públicas. "Não necessariamente isso vai implicar gasto primário", disse. Haddad também admitiu que a aplicação da Lei da Reciprocidade é uma das opções em análise, mas reiterou que a diretriz central do governo é seguir tentando uma solução negociada com Washington.

"Nosso objetivo não é retaliar, mas sim chamar a atenção que essas medidas não colaboram nem com eles nem conosco", pontuou. "Temos que separar a dimensão ideológica da dimensão real dos interesses do povo americano. É do etanol do milho, da balança de serviços, das big techs? Do que estamos falando?".

Na avaliação do ministro, a decisão dos Estados Unidos não tem base técnica. "Só comparar os outros países dos Brics pra você ver que o Brasil está longe de ser o problema dos EUA", disse. "O que sobra é a questão individual de Trump com Bolsonaro."

Ele classificou a situação como "muito grave" e sugeriu que interesses pessoais estão sobrepondo os nacionais. "Estamos com um problema sério no Brasil em que uma família está concorrendo contra os interesses nacionais."

Haddad: "Estamos desenhando os cenários possíveis"

Ainda segundo Haddad, o Brasil já se reuniu mais de dez vezes com autoridades norte-americanas neste ano, o que reforça o esforço por manter o diálogo aberto. "A orientação é estar engajado. Vamos insistir em uma negociação comercial", afirmou.

O governo já enviou duas cartas oficiais aos EUA, uma delas em maio, mas ainda não obteve resposta. "O encarregado de comércio dos EUA, que está no Brasil, não procurou ainda as autoridades brasileiras para se manifestar quanto às cartas do Brasil."

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) coordena oficialmente as tratativas, mas o Ministério da Fazenda tem atuado na formulação de respostas. "Estamos desenhando os cenários possíveis. Em uma situação de agressão externa, o MF se prepara para todos os cenários", disse Haddad.

Apesar da tensão, o ministro reforçou que o país não pretende abandonar o diálogo. "Brasil não vai sair da mesa de negociação", concluiu.

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