Economia

Haddad diz que é preciso esperar avanço de investigação para falar em negligência de Campos Neto no caso Master

Citando Banco Central, Ministério Público e PF, ministro disse que "autoridades estão incumbidas de fazer essa avaliação"

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Fernando Haddad, ministro da Fazenda, fala em evento do BTG Pactual | Reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10) que é preciso esperar avanço de investigações sobre o Banco Master para saber se o antecessor de Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, foi negligente no caso envolvendo suspeitas de fraudes bilionárias na instituição do banqueiro Daniel Vorcaro.

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Questionado pela jornalista Amanda Klein, apresentadora do SBT News, se pode ter havido negligência do ex-chefe do BC indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Haddad respondeu que "isso quem tem que responder não sou eu, porque eu não estou lá para investigar".

"Eu penso que tem autoridades que estão incumbidas de fazer essa avaliação tanto dentro do BC, que abriu inquérito interno para apurar eventuais responsabilidades... Se tem ou não, é essa equipe que vai dizer. Como tem Polícia Federal, Ministério Público, também incumbidos de esclarecer os fatos. O fato concreto é que o Master, até 2024, teve crescimento exponencial. Assim que Galípolo tomou posse, se deparou com situação muito preocupante", explicou no evento CEO Conference Brasil 2026, do banco BTG Pactual.

Segundo Haddad, esse crescimento "foi estancado" assim que Galípolo assumiu o BC, em janeiro de 2025. O titular da Fazenda ainda admitiu que, diante de uma fraude bilionária, "não havia muito o que fazer".

"Desde a posse do Galípolo, não teve um crescimento [do Master], muito pelo contrário. "Descobriu uma fraude de R$ 12 bilhões. Bom, diante disso, não havia muito o que fazer diante de uma fraude desse tamanho, à luz não apenas do patrimônio do próprio Master, como do patrimônio do banco [BRB] que comprou carteiras fraudadas", comentou.

Haddad também disse que já havia pistas de irregularidades em ativos do Master desde a operação da Receita Federal que mirou a gestora de fundos Reag. A força-tarefa Carbono Oculto foi deflagrada pela PF em agosto de 2025, apurando esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis e infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima, coração do mercado financeiro nacional.

"Quando tomei ciência do que estava acontecendo... Porque a CVM [Comissão de Valores Mobiliários] acabou sendo afetada. Antes da liquidação [do Master], maior operação foi da Receita na Reag. Quando aconteceu, já tinha indício de que o Master estava envolvido ali. Começou também com trabalho da Receita. Atuação contra fraude como é dever da Receita fazer", continuou. Tanto Master quanto Reag tiveram liquidação extrajudicial decretada pelo BC.

O ministro afirmou que não "ia perder a oportunidade de fazer isto na Fazenda" após atacar "esse tipo de problema" quando foi prefeito de São Paulo, de 2013 a 2016. "Desbaratei quatro esquemas de corrupção [quando prefeito]", disse. "Coisa pouco usual [ministro da Fazenda agir dessa maneira]. Porque, em geral, ministro da Fazenda não gosta de se envolver. A Receita estourou a Reag com provas robustas de fraude."

Haddad complementou que "alguém vai responder" como a situação do Master chegou "neste patamar".

"O Master já estava envolvido [na época da operação contra Reag]. Ato contínuo, BC liquida o Master, apuram-se uma série de irregularidades. Como este banco atingiu essa dimensão? Alguém vai responder como esta coisa chegou neste patamar. Balanço de R$ 80 bilhões, que ninguém sabe quanto valem ativos neste balanço, se valem R$ 10 bi, R$ 20 bi, R$ 40 bi", acrescentou.

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