Alcolumbre “se fecha em copas” sob pressão por CPMI do Master e veto à dosimetria
Na sexta-feira, indicado por presidente do Senado a fundo de pensão foi alvo da Polícia Federal
Eduardo Gayer, Marcela Mattos
10/02/2026, 12:07 • Atualizado em 10/02/2026, 12:14
compartilhar
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem evitado reunir as lideranças da Casa no momento em que enfrenta uma “sinuca de bico” sobre dois relevantes temas em debate no Parlamento: a possível derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria e a eventual instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar a suposta fraude no banco Master.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A razão para o “dilema” é regimental. Se convocar sessão do Congresso para derrubar o veto, como têm pressionado lideranças do centro e da oposição, ficaria obrigado a instalar a CPMI, composta por deputados e senadores. Pelo regramento interno, qualquer requerimento de CPMI que tenha as assinaturas necessárias para instalação deve ser lido em plenário logo na primeira sessão do Congresso.
Alcolumbre tem interesse em derrubar o veto à redução de penas dos condenados na trama golpista, matéria aprovada por ampla maioria na Câmara e no Senado, mas havia sinalizado a interlocutores sua resistência a investigações parlamentares em ano eleitoral. Na sexta-feira (6), o presidente da Amapá Previdência, Jocildo Lemos, indicado pelo senador, foi alvo de operação da Polícia Federal que investiga justamente as conexões entre fundos de pensão e o banco Master. Além disso, um dos irmãos de Alcolumbre integra o conselho fiscal do órgão.
Nos bastidores, senadores da base e da oposição reclamam do “sumiço” de Alcolumbre. Desde que o Congresso retomou os trabalhos, no último dia 2, ele ainda não realizou as tradicionais reuniões de líderes, momento em que geralmente há cobranças sobre as definições dos projetos prioritários.
A postura reclusa contrasta com a do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Enquanto no Senado as sessões desta semana pré-Carnaval serão todas semipresenciais, Motta reuniu os líderes, enviou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto pelo fim da escala 6x1, um dos mais polêmicos em tramitação, e abriu votação no plenário já na segunda-feira.
O SBT News conversou com três influentes senadores, que dizem não ter obtido retorno do presidente da Casa sobre como resolver o imbróglio em torno da pauta. “O Davi chegou de maneira muito rápida e foi embora para o Amapá para resolver os problemas dele. Não falou com ninguém e está se escondendo de todo mundo”, afirmou à reportagem uma liderança do Senado.
Procurado, Alcolumbre não se manifestou. Interlocutores ponderam que o presidente do Senado tem priorizado reuniões individuais e que até o fim da semana deve conversar com 40 senadores. Não houve, porém, definições sobre quando ele chamará a próxima sessão do Congresso.
Em conversas reservadas, senadores acreditam ser difícil acabar com o impasse dentro do regimento. Com o presidente do Senado fechado em copas, integrantes da Casa avaliam a possibilidade de que Alcolumbre tente dar cabo a uma “interpretação alternativa” do regramento interno do Congresso para evitar uma CPMI do Master.
Uma outra possibilidade aventada é a de que, caso fique inevitável o avanço das investigações sobre o banco de Daniel Vorcaro, o presidente do Congresso opte por uma solução “caseira” e dê andamento a uma comissão de inquérito composta apenas por senadores, o que manteria sob as suas rédeas um controle maior do que no caso de uma CPMI, composta também por deputados.
Alcolumbre “se fecha em copas” sob pressão por CPMI do Master e veto à dosimetriaNa sexta-feira, indicado por presidente do Senado a fundo de pensão foi alvo da Polícia FederalPolítica2026-02-10T12:07:40.693ZO presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem evitado reunir as lideranças da Casa no momento em que enfrenta uma “sinuca de bico” sobre dois relevantes temas em debate no Parlamento: a possível derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria e a eventual instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar a suposta fraude no banco Master. + A razão para o “dilema” é regimental. Se convocar sessão do Congresso para derrubar o veto, como têm pressionado lideranças do centro e da oposição, ficaria obrigado a instalar a CPMI, composta por deputados e senadores. Pelo regramento interno, qualquer requerimento de CPMI que tenha as assinaturas necessárias para instalação deve ser lido em plenário logo na primeira sessão do Congresso. Alcolumbre tem interesse em derrubar o veto à redução de penas dos condenados na trama golpista, matéria aprovada por ampla maioria na Câmara e no Senado, mas havia sinalizado a interlocutores sua resistência a investigações parlamentares em ano eleitoral. Na sexta-feira (6), o presidente da Amapá Previdência, Jocildo Lemos, indicado pelo senador, foi alvo de operação da Polícia Federal que investiga justamente as conexões entre fundos de pensão e o banco Master. Além disso, um dos irmãos de Alcolumbre integra o conselho fiscal do órgão. Nos bastidores, senadores da base e da oposição reclamam do “sumiço” de Alcolumbre. Desde que o Congresso retomou os trabalhos, no último dia 2, ele ainda não realizou as tradicionais reuniões de líderes, momento em que geralmente há cobranças sobre as definições dos projetos prioritários. + A postura reclusa contrasta com a do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Enquanto no Senado as sessões desta semana pré-Carnaval serão todas semipresenciais, Motta reuniu os líderes, enviou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto pelo fim da escala 6x1, um dos mais polêmicos em tramitação, e abriu votação no plenário já na segunda-feira. O SBT News conversou com três influentes senadores, que dizem não ter obtido retorno do presidente da Casa sobre como resolver o imbróglio em torno da pauta. “O Davi chegou de maneira muito rápida e foi embora para o Amapá para resolver os problemas dele. Não falou com ninguém e está se escondendo de todo mundo”, afirmou à reportagem uma liderança do Senado. Procurado, Alcolumbre não se manifestou. Interlocutores ponderam que o presidente do Senado tem priorizado reuniões individuais e que até o fim da semana deve conversar com 40 senadores. Não houve, porém, definições sobre quando ele chamará a próxima sessão do Congresso. Em conversas reservadas, senadores acreditam ser difícil acabar com o impasse dentro do regimento. Com o presidente do Senado fechado em copas, integrantes da Casa avaliam a possibilidade de que Alcolumbre tente dar cabo a uma “interpretação alternativa” do regramento interno do Congresso para evitar uma CPMI do Master. Uma outra possibilidade aventada é a de que, caso fique inevitável o avanço das investigações sobre o banco de Daniel Vorcaro, o presidente do Congresso opte por uma solução “caseira” e dê andamento a uma comissão de inquérito composta apenas por senadores, o que manteria sob as suas rédeas um controle maior do que no caso de uma CPMI, composta também por deputados.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/alcolumbre-se-fecha-em-copas-sob-pressao-por-cpmi-do-master-e-veto-a-dosimetria