Política

Alcolumbre “se fecha em copas” sob pressão por CPMI do Master e veto à dosimetria

Na sexta-feira, indicado por presidente do Senado a fundo de pensão foi alvo da Polícia Federal

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Eduardo Gayer, Marcela Mattos
10/02/2026, 12:07 • Atualizado em 10/02/2026, 12:14
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem evitado reunir as lideranças da Casa no momento em que enfrenta uma “sinuca de bico” sobre dois relevantes temas em debate no Parlamento: a possível derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria e a eventual instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar a suposta fraude no banco Master.

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A razão para o “dilema” é regimental. Se convocar sessão do Congresso para derrubar o veto, como têm pressionado lideranças do centro e da oposição, ficaria obrigado a instalar a CPMI, composta por deputados e senadores. Pelo regramento interno, qualquer requerimento de CPMI que tenha as assinaturas necessárias para instalação deve ser lido em plenário logo na primeira sessão do Congresso.

Alcolumbre tem interesse em derrubar o veto à redução de penas dos condenados na trama golpista, matéria aprovada por ampla maioria na Câmara e no Senado, mas havia sinalizado a interlocutores sua resistência a investigações parlamentares em ano eleitoral. Na sexta-feira (6), o presidente da Amapá Previdência, Jocildo Lemos, indicado pelo senador, foi alvo de operação da Polícia Federal que investiga justamente as conexões entre fundos de pensão e o banco Master. Além disso, um dos irmãos de Alcolumbre integra o conselho fiscal do órgão.

Nos bastidores, senadores da base e da oposição reclamam do “sumiço” de Alcolumbre. Desde que o Congresso retomou os trabalhos, no último dia 2, ele ainda não realizou as tradicionais reuniões de líderes, momento em que geralmente há cobranças sobre as definições dos projetos prioritários.

A postura reclusa contrasta com a do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Enquanto no Senado as sessões desta semana pré-Carnaval serão todas semipresenciais, Motta reuniu os líderes, enviou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto pelo fim da escala 6x1, um dos mais polêmicos em tramitação, e abriu votação no plenário já na segunda-feira.

O SBT News conversou com três influentes senadores, que dizem não ter obtido retorno do presidente da Casa sobre como resolver o imbróglio em torno da pauta. “O Davi chegou de maneira muito rápida e foi embora para o Amapá para resolver os problemas dele. Não falou com ninguém e está se escondendo de todo mundo”, afirmou à reportagem uma liderança do Senado.

Procurado, Alcolumbre não se manifestou. Interlocutores ponderam que o presidente do Senado tem priorizado reuniões individuais e que até o fim da semana deve conversar com 40 senadores. Não houve, porém, definições sobre quando ele chamará a próxima sessão do Congresso.

Em conversas reservadas, senadores acreditam ser difícil acabar com o impasse dentro do regimento. Com o presidente do Senado fechado em copas, integrantes da Casa avaliam a possibilidade de que Alcolumbre tente dar cabo a uma “interpretação alternativa” do regramento interno do Congresso para evitar uma CPMI do Master.

Uma outra possibilidade aventada é a de que, caso fique inevitável o avanço das investigações sobre o banco de Daniel Vorcaro, o presidente do Congresso opte por uma solução “caseira” e dê andamento a uma comissão de inquérito composta apenas por senadores, o que manteria sob as suas rédeas um controle maior do que no caso de uma CPMI, composta também por deputados.

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