Guerra no Oriente Médio vai pressionar fertilizantes e energia, diz Mauro Vieira
Chanceler afirma que Brasil tem maior autonomia em petróleo, mas segue exposto a efeitos indiretos da crise

Caio Barcellos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (18), no Senado, que a escalada do conflito no Oriente Médio pode afetar o Brasil principalmente por meio dos fertilizantes, dos custos logísticos e da volatilidade nos preços de energia.
Segundo o chanceler, embora o país tenha avançado na produção de petróleo e hoje conte com maior autonomia, a economia brasileira permanece vulnerável a choques externos.
Vieira destacou que uma eventual interrupção no fluxo de petróleo na região pode provocar inflação internacional, escassez de produtos e desorganização das cadeias produtivas.
“A interrupção desse fluxo pode e afetará gravemente a economia mundial, vai produzir escassez de vários produtos, vai produzir escassez de energia, vai produzir grande inflação”, disse.
O chanceler ressaltou que a principal preocupação, no caso brasileiro, não está apenas no petróleo, mas em insumos estratégicos. Ele citou os fertilizantes como ponto sensível, dada a dependência externa do agronegócio.
Para mitigar riscos, o governo tem buscado diversificar fornecedores, ampliando relações comerciais com países da América do Sul e da África. Vieira mencionou, por exemplo, negociações com a Bolívia e outros produtores para reduzir a vulnerabilidade do Brasil nesse mercado.
A crise internacional também já começa a gerar efeitos indiretos internos. Durante a audiência, senadores citaram pressões sobre o preço do diesel e impactos no transporte e na atividade agrícola.
Operação para brasileiros
Vieira também detalhou a atuação do Itamaraty para retirar brasileiros da região. Segundo ele, cerca de 8 mil pessoas estavam em trânsito em hubs como Catar, Dubai e Abu Dhabi no início da crise.
O governo articulou saídas por rotas alternativas, inclusive por via terrestre até a Arábia Saudita, para permitir o retorno ao Brasil.
Pressão no Congresso
A audiência ocorre em meio à cobrança de parlamentares por explicações sobre os efeitos econômicos da guerra e a preparação do governo para um cenário de instabilidade prolongada.
Senadores demonstraram preocupação com impactos sobre o agronegócio e o abastecimento, especialmente diante da dependência de insumos importados.
Vieira afirmou que o governo acompanha os desdobramentos em conjunto com outras áreas, como Fazenda e Minas e Energia, e defendeu a ampliação de parcerias comerciais como forma de reduzir riscos externos.








