Governo fará fiscalização eletrônica de todos os fretes e suspenderá empresas irregulares
Ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou medidas para responsabilizar empresas e arrefecer ânimo dos caminhoneiros, que articulam greve


SBT News
O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou nesta quarta-feira (18), que o governo federal vai intensificar as fiscalizações sobre o cumprimento do preço de fretes após identificar altas irregulares motivadas pelas oscilações no preço de energia com a guerra no Irã. A ideia é aprimorar o sistema para fiscalizar todos os fretes do país eletronicamente, além de aumentar a presença de fiscais in loco nos estados.
“A capacidade de fiscalização física tem a limitação da presença humana nos locais. Mas nós temos a maior capacidade de fazer a fiscalização eletrônica adequada”, afirmou Renan em coletiva a jornalistas.
O aprimoramento da capacidade de vigiar o cumprimento das regras teve como base a compilação de notas fiscais eletrônicas de caminhões que cruzam o país, cuja apresentação é obrigatória no transporte de cargas. A partir disso, Renan diz que irá disponibilizar essa base de monitoramento dos fretes para acesso público nas próximas semanas.
Frete é o valor pago pelo transporte de mercadorias de um ponto a outro — como combustível, alimentos ou produtos industriais — e faz parte do custo final ao consumidor, impactando em produtos como a gasolina e o diesel. A fiscalização exercida pelo governo é o controle sobre como esse transporte é feito e quanto está sendo cobrado, incluindo a verificação de contratos, documentos fiscais e possíveis abusos ou irregularidades, como preços inflados ou sonegação.
Conforme o ministro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificou que cerca de 20% das empresas têm descumprido o piso mínimo do frete e explorado a guerra para lucrar de forma irregular. Agora, o que o governo tenta é aumentar a capacidade de fazer a regra ser cumprida além da aplicação de multas, dando capacidade à ANTT para suspender empresas que estejam burlando o frete reiteradamente.
Renan citou nominalmente gigantes do setor de alimentos e de transportes, como a BR Foods, Raízen, Vibra Energia, Raízen, Unilever e AmBev, para evidenciar a responsabilidade de embarcadoras no aumento de preços que tem impactado o consumidor. “Estamos falando de agentes econômicos relevantes, e não de casos pontuais”, frisou.
O tema ganhou urgência no governo depois que ameaças de greve de caminhoneiros contra reajustes nos preços do diesel acenderam um alerta para uma crise indesejada em ano eleitoral. Um dos líderes do movimento atribuiu a motivação da guerra ao reajuste do diesel anunciado pela Petrobras na última sexta-feira (13), menos de 24 horas após o governo federal lançar um pacote para frear a alta do combustível.
Renan deu razão à insatisfação dos caminhoneiros e buscou atribuir a responsabilidade pelo aumento de custos às empresas, apesar dos esforços do governo para amortecer o impacto. “Não é um problema marginal, é uma distorção de mercado", afirmou.
Haddad pressiona por corte no ICMS
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que vai apresentar propostas aos estados para tentar conter a alta dos combustíveis, incluindo uma possível redução temporária do ICMS, com período de transição entre 30 e 60 dias. O tema foi discutido em reunião com secretários de Fazenda dos estados e do Distrito Federal nesta quarta, mas não houve definição.
Segundo Haddad, o plano envolve três frentes principais: aumento da arrecadação sem elevação de impostos, combate à especulação nos preços e ajustes na legislação sobre devedores contumazes.
Haddad também criticou práticas de mercado que, segundo ele, estariam pressionando artificialmente os preços, mesmo sem mudanças nos custos. “No caso da gasolina, a Petrobras não mudou o preço. No entanto, os especuladores estão aproveitando esse clima tenso em função da guerra para tirar proveito da situação, prejudicando a economia popular”, disse.








