Economia

Galípolo defende meta de inflação após PT pedir mudança

Presidente do BC afirma que "faz coro ao ministro Haddad"; titular da Fazenda também saiu em defesa do patamar em 3%, mas disse entender visão do partido

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Felipe Moraes
11/02/2026, 14:31 • Atualizado em 11/02/2026, 14:35
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Gabriel Galípolo, presidente do BC, fala em evento do BTG Pactual | Reprodução

Gabriel Galípolo, presidente do BC, fala em evento do BTG Pactual | Reprodução

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta-feira (11) a manutenção da meta de inflação em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. "Faço coro ao ministro Haddad", disse no CEO Conference Brasil, do banco BTG Pactual. O titular da Fazenda também saiu em defesa do patamar atual em fala nessa terça (10), no mesmo evento.

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"Quando foi feito estudo do arcabouço do sistema de metas, que mudou de ano-calendário para meta contínua, eu ainda estava na Fazenda na época [foi diretor de Política Monetária até dezembro de 2024]. Comparando metas de outros países, avançados e emergentes, pra ver se a meta que estávamos estabelecendo estava fora do que é pra muitos dos nossos pares. Está em linha com o que a gente observa em outros países. Meta nesse patamar nos deixa muito próximos de outros países, regime de meta contínua", explicou.

As falas de Galípolo e Haddad ocorrem dias após o PT, partido do ministro da Fazenda, defender uma mudança no cálculo. "É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais", disse a sigla do presidente Lula (PT) em resolução alusiva aos 46 anos da legenda.

A meta de inflação mudou em 2024, com validade a partir de 2025, para um modelo contínuo e é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Fazem parte do colegiado Galípolo, Fernando Haddad e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

Na declaração de ontem, Haddad ponderou que "vão existir muitas vozes" e que não faz sentido "calar um partido, sobretudo democrático como o PT". Avaliou, porém, que "quando se está no governo, é preciso olhar um conjunto de variáveis de forma integrada, o que muitas vezes gera constrangimentos reais que precisam ser observados para não causar disfuncionalidades".

Galípolo disse nesta quarta acreditar que a discussão que precisa ser feita atualmente é sobre "por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente com seus pares, mais elevadas para, com muito esforço, conseguir fazer convergência maior para a meta". "Esse é o tema", completou.

"Aquela pergunta, 'por que temos taxas de juros elevadas quando comparadas com outros países', acho que é isso coloca metade da pergunta. [A pergunta é] por que, mesmo com taxas elevadas, temos dificuldades para conseguir convergência para meta e [temos] economia tão resiliente para uma taxa de juros tão elevada", acrescentou.

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