Galípolo defende meta de inflação após PT pedir mudança
Presidente do BC afirma que "faz coro ao ministro Haddad"; titular da Fazenda também saiu em defesa do patamar em 3%, mas disse entender visão do partido

Felipe Moraes
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta-feira (11) a manutenção da meta de inflação em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. "Faço coro ao ministro Haddad", disse no CEO Conference Brasil, do banco BTG Pactual. O titular da Fazenda também saiu em defesa do patamar atual em fala nessa terça (10), no mesmo evento.
"Quando foi feito estudo do arcabouço do sistema de metas, que mudou de ano-calendário para meta contínua, eu ainda estava na Fazenda na época [foi diretor de Política Monetária até dezembro de 2024]. Comparando metas de outros países, avançados e emergentes, pra ver se a meta que estávamos estabelecendo estava fora do que é pra muitos dos nossos pares. Está em linha com o que a gente observa em outros países. Meta nesse patamar nos deixa muito próximos de outros países, regime de meta contínua", explicou.
As falas de Galípolo e Haddad ocorrem dias após o PT, partido do ministro da Fazenda, defender uma mudança no cálculo. "É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais", disse a sigla do presidente Lula (PT) em resolução alusiva aos 46 anos da legenda.
A meta de inflação mudou em 2024, com validade a partir de 2025, para um modelo contínuo e é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Fazem parte do colegiado Galípolo, Fernando Haddad e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
Na declaração de ontem, Haddad ponderou que "vão existir muitas vozes" e que não faz sentido "calar um partido, sobretudo democrático como o PT". Avaliou, porém, que "quando se está no governo, é preciso olhar um conjunto de variáveis de forma integrada, o que muitas vezes gera constrangimentos reais que precisam ser observados para não causar disfuncionalidades".
Galípolo disse nesta quarta acreditar que a discussão que precisa ser feita atualmente é sobre "por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente com seus pares, mais elevadas para, com muito esforço, conseguir fazer convergência maior para a meta". "Esse é o tema", completou.
"Aquela pergunta, 'por que temos taxas de juros elevadas quando comparadas com outros países', acho que é isso coloca metade da pergunta. [A pergunta é] por que, mesmo com taxas elevadas, temos dificuldades para conseguir convergência para meta e [temos] economia tão resiliente para uma taxa de juros tão elevada", acrescentou.









