Economia

BC é mais transatlântico do que jet ski e não pode fazer grandes mudanças, diz Galípolo sobre juros

Presidente da autoridade monetária afirma que Banco Central precisa avaliar dados com "serenidade" e tem papel de "suavizar os ciclos"

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Felipe Moraes
Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, fala em evento do banco BTG Pactual | Reprodução

Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, fala em evento do banco BTG Pactual | Reprodução

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (11) que a autoridade monetária "está mais para um transatlântico do que um jet ski" e "não pode fazer grandes movimentos ou mudanças" quando a questão é a taxa básica de juros, Selic, mantida em 15% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim de janeiro.

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Na ata que baseou a decisão, o colegiado confirmou sinalização do início de um ciclo de cortes a partir do próximo encontro, nos dias 17 e 18 de março. Falando no evento CEO Conference Brasil, do banco BTG Pactual, Galípolo evitou "fazer qualquer tipo de reparo sobre como a gente tem se comunicado", mas disse que é possível "aprofundar" o debate sobre juros e o cenário em torno de futuros anúncios do Copom.

O presidente da autarquia falou que o BC "olha para todas as variáveis" e brincou citando frase atribuída ao cantor Tim Maia: "Tudo é tudo, nada é nada". Segundo Galípolo, o ambiente atual traz "diversas fontes de incerteza", como cenário geopolítico internacional, mudanças na política econômica dos Estados Unidos e ano de eleição, "que sempre agrega mais incerteza".

De acordo com ele, o Copom escolheu "ser mais conservador e esperar mais 45 dias pra iniciar esse ciclo [de redução dos juros] com maior confiança". "Especialmente em anos como esse, quando BC puder colaborar para reduzir incerteza pro mercado, é saudável", explicou, voltando a usar o termo "calibragem", dito na última segunda em outra fala pública.

"Como já disse em reuniões internas: se você tem uma convicção muito grande no ambiente atual de incerteza sobre 0,10% de projeção para daqui 18 meses, minha divergência com você não é sobre política monetária, é sobre epistemologia", continuou. Galípolo reconheceu que "adoraria poder dizer" o que vai acontecer na política monetária nos próximos meses ou prever tamanho e duração de cortes na Selic, mas reforçou que o BC precisa agir com "serenidade" diante de dados e se ater à sua "função de reação".

"Corre risco de a gente dar algum tipo de sinalização que, dado nível de incerteza, pode ser frustrada, causando mais dano do que ajuda. Por isso, a gente usou a palavra serenidade, encarar dados com serenidade. Significa que o Banco Central está mais para um transatlântico do que um jet ski, não pode fazer grandes movimentos ou mudanças. Se move de maneira comedida e segura", acrescentou, admitindo que quem critica o BC por não elevar ou baixar juros com mais vigor está "fazendo o seu papel".

"O Banco Central tem que suavizar os ciclos", disse. "Faz parte do nosso mandato. No momento dado em que existe incerteza, a gente tem de ter serenidade para separar o que é ruído e o que é sinal, sempre incorporando cada uma das variáveis, o ambiente de inflação corrente e as expectativas [do mercado]", continuou.

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