Economia

Fundador do Peixe Urbano explica por que a "febre de 2010" chegou ao fim

Julio Vasconcellos, um dos três criadores da plataforma, diz que compras coletivas tiveram impacto cultural semelhante ao do iFood

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Exame.com
27/12/2025, 16:15 • Atualizado em 27/12/2025, 16:15
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Peixe Urbano: o nome da plataforma remetia à ideia de cardume, num modelo que dependia do volume de compradores para validar promoções | Julio Vasconcellos/Acervo Pessoal/Reprodução

Peixe Urbano: o nome da plataforma remetia à ideia de cardume, num modelo que dependia do volume de compradores para validar promoções | Julio Vasconcellos/Acervo Pessoal/Reprodução

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O Peixe Urbano encerrou suas operações em 2021, após mais de uma década como referência no e-commerce local brasileiro.

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Fundada em 2010 por três empreendedores — Julio Vasconcellos, Alex Tabor e Emerson Andrade — a empresa foi a primeira a popularizar o modelo de compras coletivas no país, em uma época em que o Groupon ganhava escala nos Estados Unidos.

Atualmente, Vasconcellos é sócio do fundo da venture capital Atlantico. "Montei o fundo que eu queria ter tido como investidor na época que eu ainda era um empreendedor", afirma à EXAME.

A plataforma de compras coletivas começou no Rio de Janeiro e logo se expandiu para São Paulo, para outras capitais e para outros países da América Latina. Em seu auge, o Peixe Urbano chegou a contabilizar 27 milhões de usuários cadastrados.

Os cupons oferecidos abrangiam setores como gastronomia, estética, turismo e entretenimento.

Primeiro funcionário do Facebook no Brasil

Antes de fundar a plataforma, Vasconcellos trabalhava no Facebook, sendo o primeiro funcionário da empresa no Brasil e responsável pelo crescimento dela no país. O desejo por começar um próprio negócio fez com que ele encabeçasse o Peixe Urbano, que foi uma grande febre dos anos 2010.

"Quem viveu a época, lembra o quanto que as pessoas falavam do Peixe Urbano. Estava na boca do povo, todo mundo comprava. Para se ter uma noção, vendíamos mais de um milhão de cupons por mês em uma época em que a internet era muito menor do que é hoje. Foi um fenômeno cultural", relembra.

Hoje, ele compara o sucesso da época ao que o iFood representa culturalmente hoje, afirmando ter grande admiração pela empresa de delivery.

O nome Peixe Urbano remetia à ideia de cardume, num modelo que dependia do volume de compradores para validar promoções.

A geolocalização permitia que o consumidor encontrasse ofertas próximas e, muitas vezes, ativasse o cupom diretamente pelo celular, com a função "use agora".

Novos donos

Em 2014, o Peixe Urbano foi comprado pela gigante chinesa Baidu, que passou a comandar a operação brasileira ao adquirir a participação majoritária dos fundadores.

Três anos depois, em 2017, a Baidu vendeu a empresa ao fundo mexicano Mountain Nazca, então dono do Groupon no Brasil. Com isso, os dois negócios foram fundidos.

"Foi uma venda estratégica. Estávamos num momento de transição da internet no computador para o celular no Brasil. Na China, isso já tinha acontecido alguns anos antes, então eles saberiam lidar com essa realidade e, mais do que tudo, tinham capital para fazer a transição. Fazia parte de uma visão de longo prazo", explica Vasconcellos.

Após a fusão, o Peixe Urbano tentou diversificar com novos produtos. Um deles foi a carteira digital Peixe Pay, que não obteve tração. As operações do negócio principal também não estavam performando bem.

O Peixe afogado em dívidas

Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada em 2021, a empresa acumulava mais de R$ 50 milhões em dívidas.

A pandemia da Covid-19 foi o golpe derradeiro: as vendas, que já haviam caído nos anos anteriores, despencaram de R$ 1,5 milhão por dia para menos de R$ 100 mil, com 95% das ofertas ligadas a setores duramente atingidos, como viagens e eventos.

Em janeiro de 2021, o site saiu do ar com a justificativa de “intermitência sistêmica”, mas o real motivo foi a falta de recursos para continuar operando.

Julio Vasconcellos afirma que já pensou muito no que poderia ter feito de diferente para que o Peixe Urbano fosse um grande e-commerce até os dias atuais.

"No fim, descobrimos que, no mundo inteiro, o modelo de compras coletivas e cupom não vingou. Por várias razões, as pessoas cansaram do modelo de comprar coletivamente um serviço. É diferente do e-commerce, onde você geralmente compra um produto físico, que continua", afirma.

"O Mercado Livre, por exemplo, sempre teve uma posição muito forte, e continua tendo. Talvez não havia tanto espaço para de fato crescermos para a venda online de produtos físicos", finaliza.

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