Fazenda liga PIB fraco a juros e sinaliza corte na projeção
Economia cresceu 0,5% no 2º trimestre; ministério de Dario Durigan vê restrições de crédito, prevê nova perda de ritmo no 3º e retomada gradual no fim do ano
Caio Barcellos
Ministro da Fazenda, Dario Durigan | Divulgação/Washington Costa/MF
O Ministério da Fazenda atribuiu a desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre aos efeitos ainda predominantes dos juros elevados sobre o consumo, os investimentos e os setores mais dependentes da demanda doméstica. A avaliação foi divulgada nesta terça-feira (1º), após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar crescimento de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho.
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O resultado representa uma perda de ritmo diante da expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre e ficou abaixo dos 0,8% previstos pela Secretaria de Política Econômica (SPE) no Boletim Macrofiscal de julho. Ainda assim, superou ligeiramente a mediana de 0,4% das projeções do mercado.
Segundo o ministério de Dario Durigan, a composição do crescimento também foi mais fraca do que o número agregado sugere. A agropecuária surpreendeu positivamente e avançou 2,8%, mas indústria e serviços cresceram apenas 0,1% e 0,2%, respectivamente, abaixo das projeções da SPE.
Na indústria, a frustração ficou concentrada principalmente na transformação e nos segmentos de eletricidade, gás, água e saneamento. Nos serviços, comércio, atividades financeiras, imobiliárias e outros serviços também tiveram desempenho inferior ao esperado pela equipe econômica.
Pelo lado da demanda, a principal indicação de enfraquecimento veio do consumo das famílias, que caiu 0,4% depois de crescer 0,8% nos primeiros três meses do ano. Os investimentos avançaram 1,2%, mas também perderam força diante da alta de 3,4% registrada no trimestre anterior.
A política monetária também aparece na explicação para o desempenho da indústria de transformação, que caiu 0,9% na comparação com o segundo trimestre de 2025 e acumulou a quinta retração consecutiva nessa base. Segundo a SPE, o setor tem sido afetado pela política monetária ainda restritiva.
“A desaceleração do consumo reflete as restrições de crédito, embora tenha sido atenuada pela resiliência do mercado de trabalho, marcado por taxa de desemprego em patamar mínimo da série histórica, avanço ainda que modesto nas ocupações formais e crescimento real do rendimento habitual médio e da massa salarial”, diz o comunicado da Fazenda.
Demanda interna perde força
Os cálculos da Fazenda mostram que a absorção doméstica, que reúne consumo e investimentos realizados dentro do país, teve contribuição nula para o crescimento do PIB no segundo trimestre. Nos primeiros três meses do ano, esse componente havia acrescentado 1,2 ponto percentual ao resultado.
O setor externo retirou outros 0,4 ponto percentual do crescimento, diante da queda das exportações e do avanço das importações. Com a demanda final praticamente estagnada, a variação dos estoques respondeu por uma contribuição positiva de 0,9 ponto percentual e sustentou parte relevante da expansão do trimestre.
Na avaliação da SPE, esse quadro é compatível com os efeitos dos juros altos sobre os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico, especialmente indústria de transformação, construção e comércio. O endividamento elevado também é apontado pela Fazenda como fator que restringe a absorção doméstica.
Projeção de 2,3% tem viés de baixa
Para o terceiro trimestre, a Fazenda espera nova desaceleração da economia, com a dissipação de efeitos de políticas públicas que ajudaram a sustentar a atividade no início do ano. A redução do custo do crédito deve compensar parte desse movimento, mas a reação mais consistente dos setores sensíveis aos juros é esperada apenas posteriormente.
A SPE avalia que o ciclo de cortes iniciado em março, que reduziu a taxa básica de juros -a Selic- de 15% para 14% ao ano, ainda terá efeito limitado sobre a economia em 2026, já que a taxa básica permanece em nível considerado restritivo. O repasse da queda dos juros para crédito, consumo e investimentos deverá ocorrer apenas parcialmente até o fim do ano.
Diante desse cenário, a Fazenda informou que sua atual projeção de crescimento de 2,3% para o PIB de 2026 está em revisão e passou a ter viés de baixa. No primeiro semestre, a economia brasileira acumulou expansão de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Fazenda liga PIB fraco a juros e sinaliza corte na projeçãoEconomia cresceu 0,5% no 2º trimestre; ministério de Dario Durigan vê restrições de crédito, prevê nova perda de ritmo no 3º e retomada gradual no fim do anoEconomia2026-09-01T14:58:50.796ZO Ministério da Fazenda atribuiu a desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre aos efeitos ainda predominantes dos juros elevados sobre o consumo, os investimentos e os setores mais dependentes da demanda doméstica. A avaliação foi divulgada nesta terça-feira (1º), após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar O resultado representa uma perda de ritmo diante da expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre e ficou abaixo dos 0,8% previstos pela Secretaria de Política Econômica (SPE) no Boletim Macrofiscal de julho. Ainda assim, superou ligeiramente a mediana de 0,4% das projeções do mercado. Segundo o ministério de Dario Durigan, a composição do crescimento também foi mais fraca do que o número agregado sugere. A agropecuária surpreendeu positivamente e avançou 2,8%, mas indústria e serviços cresceram apenas 0,1% e 0,2%, respectivamente, abaixo das projeções da SPE. Na indústria, a frustração ficou concentrada principalmente na transformação e nos segmentos de eletricidade, gás, água e saneamento. Nos serviços, comércio, atividades financeiras, imobiliárias e outros serviços também tiveram desempenho inferior ao esperado pela equipe econômica. Pelo lado da demanda, a principal indicação de enfraquecimento veio do consumo das famílias, que caiu 0,4% depois de crescer 0,8% nos primeiros três meses do ano. Os investimentos avançaram 1,2%, mas também perderam força diante da alta de 3,4% registrada no trimestre anterior. A política monetária também aparece na explicação para o desempenho da indústria de transformação, que caiu 0,9% na comparação com o segundo trimestre de 2025 e acumulou a quinta retração consecutiva nessa base. Segundo a SPE, o setor tem sido afetado pela política monetária ainda restritiva. “A desaceleração do consumo reflete as restrições de crédito, embora tenha sido atenuada pela resiliência do mercado de trabalho, marcado por taxa de desemprego em patamar mínimo da série histórica, avanço ainda que modesto nas ocupações formais e crescimento real do rendimento habitual médio e da massa salarial”, diz o comunicado da Fazenda. Demanda interna perde força Os cálculos da Fazenda mostram que a absorção doméstica, que reúne consumo e investimentos realizados dentro do país, teve contribuição nula para o crescimento do PIB no segundo trimestre. Nos primeiros três meses do ano, esse componente havia acrescentado 1,2 ponto percentual ao resultado. O setor externo retirou outros 0,4 ponto percentual do crescimento, diante da queda das exportações e do avanço das importações. Com a demanda final praticamente estagnada, a variação dos estoques respondeu por uma contribuição positiva de 0,9 ponto percentual e sustentou parte relevante da expansão do trimestre. Na avaliação da SPE, esse quadro é compatível com os efeitos dos juros altos sobre os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico, especialmente indústria de transformação, construção e comércio. O endividamento elevado também é apontado pela Fazenda como fator que restringe a absorção doméstica. Projeção de 2,3% tem viés de baixa Para o terceiro trimestre, a Fazenda espera nova desaceleração da economia, com a dissipação de efeitos de políticas públicas que ajudaram a sustentar a atividade no início do ano. A redução do custo do crédito deve compensar parte desse movimento, mas a reação mais consistente dos setores sensíveis aos juros é esperada apenas posteriormente. A SPE avalia que o ciclo de cortes iniciado em março, que reduziu a taxa básica de juros -a Selic- de 15% para 14% ao ano, ainda terá efeito limitado sobre a economia em 2026, já que a taxa básica permanece em nível considerado restritivo. O repasse da queda dos juros para crédito, consumo e investimentos deverá ocorrer apenas parcialmente até o fim do ano. Diante desse cenário, a Fazenda informou que sua atual projeção de crescimento de 2,3% para o PIB de 2026 está em revisão e passou a ter viés de baixa. No primeiro semestre, a economia brasileira acumulou expansão de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025. + São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/fazenda-liga-pib-fraco-a-juros-e-sinaliza-corte-na-projecao