Economia

Copom decide se eleva Selic a 13,25% após 1ª reunião sob comando de Galípolo

Decisão sobre taxa de juros básica será anunciada nesta quarta (29); CNI fala em "crônica da morte anunciada" com mais custos para empresas brasileiras

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SBT News
29/01/2025, 13:17 • Atualizado em 29/01/2025, 13:32
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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central | Edilson Rodrigues/Agência Senado

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central | Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulga nesta quarta-feira (29) a primeira decisão de 2025 sobre a taxa básica de juros, a Selic, após reunião que começou no dia anterior. O encontro - primeiro liderado pelo novo presidente do BC, Gabriel Galípolo - deve resultar na elevação de 1 ponto percentual da taxa Selic, de 12,25% para 13,25% ao ano.

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Galípolo, indicado pelo presidente Lula, assumiu o comando do BC no lugar de Roberto Campos Neto. Apesar da mudança, ele sinaliza manutenção da política contracionista, ou seja, com "juros mais altos por mais tempo".

O BC projetou, na última ata, mais duas elevações de 1 ponto percentual, em janeiro e março, levando a Selic este ano para 14,25% ao ano - o que será, se tudo se confirmar, o maior patamar desde outubro de 2016.

A elevação dos juros acontece porque os diretores que compõe o Comitê de Política Monetária consideram que a resiliência econômica e o aquecimento do mercado de trabalho, com desemprego no menor nível da série histórica, contribuem para o aumento da inflação, ou seja, para a subida nos preços. A elevação dos juros é o "remédio" contra a inflação.

A inflação é o que faz o brasileiro achar que está empobrecendo, e que o dinheiro que ganha não é suficiente para pagar as contas.

Remédio com efeitos colaterais

A elevação dos juros, por outro lado, pode afetar o consumo, o mercado de trabalho, impactar investimentos e, principalmente, impactar negativamente a produção industrial brasileira.

"Para os empresários que precisam investir na compra de máquinas e equipamentos, ou mesmo contratar capital de giro par fazer frente às necessidades financeiras do dia a dia, o custo do crédito fica ainda mais caro com a subida da Selic, sendo um impeditivo para a execução de diversos projetos, fazendo com que o Brasil desperdice uma série de oportunidades", explica a Confederação Nacional da Indústria (CNI) em comunicado divulgado ainda na terça-feira.

A CNI destaca que o custo financeiro dos juros altos se acumula ao longo da cadeia produtiva, amplificando seus danos.

"Na indústria, setor que é estruturado em cadeias longas, esse efeito é devastador. O custo financeiro embutido no produto industrial final pode representar até 25% do preço ao consumidor, o que é insustentável para a competitividade do setor", alerta o setor.

No mesmo posicionamento, a CNI classifica o eventual aumento da taxa Selic como “a crônica de uma morte anunciada” de cultura dos juros altos. A esperada continuidade do ciclo de alta dos juros, segundo a entidade, desconsideraria os esforços da política fiscal e na atividade econômica que estão em curso, e traria "efeitos negativos sobre a criação de emprego e renda".

Segundo a CNI, o pacote de corte de gastos proposto pelo governo federal e aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado é "relevante", já que prevê economia com despesas primárias federais em 2025 e em 2026 (podendo chegar a R$ 70 bilhões) . Além disso, a entidade lembra da da promessa do governo Lula para de novas medidas para garantir o equilíbrio fiscal.

Na avaliação dos representantes da indústria, a pressão sobre as expectativas de inflação se deu após um movimento de depreciação do real, em uma "reação exagerada" ao pacote fiscal do governo. O setor também alerta que, caso a Selic suba 1 ponto percentual (p.p.) na reunião do Copom, "o custo da dívida bruta federal aumentará em R$ 50 bilhões, de acordo com estimativas do próprio Banco Central".

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