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França x Marrocos: relação vai muito além do futebol

Países disputam uma vaga na semifinal da Copa do Mundo em um confronto marcado por mais de um século de colonização, migração e intercâmbio cultural

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Julia Delaosa
09/07/2026, 19:43 • Atualizado em 09/07/2026, 19:43
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França x Marrocos: relação vai muito além do futebol

França e Marrocos se enfrentam nesta quinta-feira pelas quartas de final da Copa do Mundo. O duelo reedita a semifinal do Mundial de 2022, mas também coloca frente a frente duas seleções unidas por mais de um século de história, marcada pela colonização francesa, pela migração e pelo intercâmbio cultural.

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Do protetorado à independência

As relações entre França e Marrocos foram profundamente transformadas em 1912, quando o Tratado de Fez instituiu o Protetorado Francês sobre o país norte-africano. Embora o sultanato, que é uma uma forma de governo tenha sido mantido formalmente, a França passou a exercer o controle político, militar e econômico do território.

O domínio colonial durou até 1956, quando Marrocos conquistou a independência. Nesse período, a administração francesa reorganizou a economia, a infraestrutura e a administração pública em função dos interesses da metrópole, ampliando a exploração de recursos naturais e o uso da mão de obra local.

Mesmo após a independência, a influência francesa permaneceu. O idioma francês continua amplamente utilizado na administração pública, nos negócios e no ensino superior, enquanto os laços políticos, econômicos e culturais seguem marcando a relação entre os dois países.

A diáspora que aproximou os dois países

A migração de marroquinos para a França ganhou força durante o período colonial e se intensificou após a Segunda Guerra Mundial, quando o país europeu precisava de mão de obra para sua reconstrução. Ao longo das décadas, filhos e netos desses imigrantes passaram a integrar a sociedade francesa, que hoje abriga uma das maiores comunidades de origem marroquina fora de Marrocos.

Essa presença também ajuda a explicar por que os dois países mantêm uma relação tão próxima no futebol, refletida na formação de jogadores e na composição das seleções.

Dos 26 convocados da França para a Copa do Mundo, 23 nasceram em território francês. Apenas Michael Olise (Inglaterra), Marcus Thuram (Itália) e Brice Samba (República Democrática do Congo) nasceram fora do país. Ao mesmo tempo, boa parte do elenco possui ascendência africana. Kylian Mbappé, por exemplo, tem mãe de origem argelina, enquanto outros jogadores mantêm raízes familiares em países como Mali, Senegal e Camarões.

Do lado marroquino, o movimento ocorreu no sentido inverso. Nos últimos anos, a Federação Real Marroquina de Futebol intensificou o trabalho para convencer atletas nascidos na diáspora europeia a defenderem a seleção nacional. Nesta Copa, 19 dos 26 convocados nasceram fora de Marrocos. O técnico Mohamed Ouahbi também representa essa ligação: nasceu em Schaerbeek, na Bélgica, filho de imigrantes marroquinos.

Ao todo, os dois elencos reúnem 29 jogadores nascidos na França, um retrato dos vínculos históricos que unem as duas seleções.

Muito além de uma vaga na semifinal

O reencontro entre França e Marrocos simboliza uma relação moldada pelo período colonial e pelos fluxos migratórios das décadas seguintes. Dentro de campo, a disputa vale uma vaga na semifinal da Copa do Mundo. Fora dele, o confronto reúne duas seleções cujas trajetórias continuam conectadas por uma história comum, refletida na composição de seus elencos e na presença de atletas formados entre os dois países.

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