Economia

Constantino Jr. fundou primeira aérea brasileira low cost

No início dos anos 2000, a GOL foi a primeira companhia brasileira a adotar o bilhete eletrônico e as vendas pela internet

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Avião da Gol em aeroporto de Brasília | 27/5/2024/Reuters/Adriano Machado

Quando chegou ao mercado em 2001, fundada por Constantino Júnior, a GOL Linhas Aéreas se destacou por ser primeira companhia aérea brasileira a operar com o modelo de baixo custo e alta eficiência (low cost, low fare). Na época, a estrutura da empresa revolucionou o mercado local ao democratizar o acesso ao transporte aéreo, introduzir check-in digital e utilizar frota única Boeing 737.

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Essas medidas permitiram à empresa oferecer tarifas mais competitivas e atrair um público que até então não viajava de avião com frequência, o que ajudou ampliar o mercado aéreo brasileiro.

O ex-CEO Constantino Júnior, que faleceu neste sábado, 24, era filho de Nenê Constantino, fundador do Grupo Áurea, e começou a trabalhar aos 14 anos como digitador em uma das empresas da família. Aos 15, aprendeu a pilotar aviões, unindo duas paixões que marcariam a trajetória da Gol. A Gol comemorou 25 anos de história no último dia 15 de janeiro.

Crescimento acelerado e consolidação

Nos anos seguintes ao início das operações, com Constatino Júnior à frente da operação, a GOL apresentou um crescimento rápido e consistente. A expansão da malha aérea, aliada à forte demanda por passagens mais baratas, consolidou a companhia como uma das líderes do setor no Brasil.

Um marco importante dessa trajetória ocorreu em 2007, quando a GOL adquiriu a Varig, uma das companhias aéreas mais tradicionais do país. A operação fortaleceu a presença da empresa em rotas estratégicas, ampliou sua atuação internacional e consolidou sua posição entre as maiores companhias aéreas da América Latina.

Paralelamente ao avanço tecnológico, a companhia criou o Instituto GOL, entre 2010 e 2012, impulsionou o reconhecimento por iniciativas de acessibilidade, como o desenvolvimento de rampa de acesso à aeronave e da primeira escada com elevador do setor.

Entre os marcos recentes da companhia está a entrada no grupo Abra, em maio de 2022, holding que reúne também a Avianca e a Wamos. “É um orgulho para a Abra contar com o legado e o time de uma companhia aérea como a GOL. Sei que juntos seguiremos fazendo história e voando”, afirmou Adrian Neuhauser, CEO do grupo, na época.

Futuro com atuação nacional e internacional

Atualmente, a GOL Linhas Aéreas opera uma extensa malha de voos nacionais e internacionais, e conecta dezenas de destinos no Brasil, na América do Sul, no Caribe e nos Estados Unidos. A companhia mantém sua estratégia focada em eficiência operacional, inovação tecnológica e experiência do cliente.

Em 2026, além de celebrar seu jubileu de prata, a empresa projeta a maior alta temporada de verão de sua história, com crescimento de 20% em relação ao verão 2024/2025, somando mais de 5.200 voos e cerca de 980 mil assentos destinados a operações internacionais.

Com foco em um futuro cada vez mais global, a companhia também vem acelerando a expansão internacional. Entre os destaques recentes estão o anúncio de voos diretos e exclusivos para destinos estratégicos como Ushuaia, no extremo sul do continente, e Bariloche, ambos previstos para o inverno de 2026.

Desistência da união com a Azul e queda no mercado

Apesar do crescimento, a Gol enfrenta outros problemas de desvalorização na Bolsa de Valores. A companhia integra o grupo de companhias aéreas que viram seus papéis praticamente perderem valor na Bolsa desde o início da pandemia, em 2020. Em um intervalo de cinco anos, as ações acumulam desvalorização próxima de 99%.

Em janeiro de 2025, a possibilidade de união entre GOL e Azul surgiu como uma resposta estratégica a um cenário de forte pressão financeira e estrutural no setor aéreo brasileiro, especialmente após os impactos da alta do dólar e do custo do combustível.

O movimento entre Gol Linhas Aéreas e Azul foi oficialmente encerrada porque as negociações não avançaram de forma significativa nos meses que se seguiram à assinatura do memorando.

A controladora da Gol, o Grupo Abra, comunicou a desistência após constatar que as conversas ficaram estagnadas, em grande parte porque a Azul tem concentrado esforços no seu próprio processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.

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