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Nem o TACO salva: por que dólar teve pior semana em 8 meses

Moeda caiu até 1,9% com investidores reagindo mais à instabilidade política do que ao alívio comercial com a Europa

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Exame.com
24/01/2026, 16:43 • Atualizado em 24/01/2026, 16:43
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Dólar | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

Dólar | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás em suas ameaças de impor tarifas sobre a União Europeia por conta da Groenlândia, dando continuidade à saga do TACO Trade, já bem conhecida nos mercados. Pouco tempo atrás, o "Trump Always Chickens Out" (ou "Trump sempre desiste", na tradução literal) seria o suficiente para provocar um sentimento positivo em Wall Street. Dessa vez, não foi bem assim.

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O dólar foi o maior impactado. Na semana, a moeda americana acumulou perdas entre 1,6% e 1,9%, a depender do índice considerado, com destaque para a baixa de 1,8% no ICE U.S. Dollar Index e de 1,6% no WSJ Dollar Index. Na sexta-feira, 23, o Bloomberg Dollar Spot Index recuou 0,7%, com o iene liderando os ganhos entre os pares do G10.

Política externa como fator de risco

As declarações de Trump no dia 17, que ameaçavam impor tarifas de 10% a 25% sobre oito países da Otan a partir de fevereiro, foram interpretadas como um risco sistêmico para a estabilidade geopolítica entre os EUA e seus aliados.

O anúncio afetou o dólar de forma atípica: mesmo em um ambiente de aversão a risco, a moeda americana perdeu força, o que, para os analistas, indica que o comportamento da política externa passou a ser visto como fator de instabilidade.

Em vez de impulsionar uma fuga para ativos seguros denominados em dólar, o episódio gerou desvalorização da moeda, alta no ouro e perdas nas bolsas. A reversão das tarifas, anunciada no dia 21 após encontro com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, foi recebida não como alívio, mas como confirmação da imprevisibilidade do governo.

Fed, juros e realocação global pressionam o câmbio

A política monetária dos EUA manteve-se como pano de fundo importante na semana. Investidores continuaram a projetar dois cortes de juros em 2026, enquanto o Federal Reserve sinaliza apenas um. A expectativa de afrouxamento monetário contribuiu para reduzir o diferencial de juros frente a outras economias, como a zona do euro e o Japão.

Simultaneamente, fundos de pensão europeus e nórdicos aceleraram a diversificação de carteiras, diminuindo a exposição a ativos americanos diante de preocupações com a sustentabilidade fiscal dos EUA e a autonomia do banco central. Essa realocação de longo prazo enfraquece o dólar de maneira estrutural, independente de eventos pontuais, de acordo com especialistas.

Dados da Commodity Futures Trading Commission mostraram que traders cortaram apostas contra o dólar até 20 de janeiro, mas o movimento de proteção aumentou. Opções cambiais passaram a embutir prêmios mais altos para hedge de queda da moeda, no maior nível desde junho.

Com a estabilidade nos rendimentos dos Treasuries e a manutenção de juros na Europa e Japão, os fundamentos técnicos também pressionaram o dólar. A diferença de trajetória entre o Fed e outros bancos centrais não foi alterada pelo recuo nas tarifas, limitando qualquer efeito positivo da trégua.

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