CNI critica Selic em 15% e diz ser indispensável flexibilização na próxima reunião
Entidade afirma que juros elevados prejudicam crescimento econômico, encarecem crédito e desestimulam investimentos no país

Antonio Souza
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou, nesta quarta-feira (28), a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa Selic em 15% ao ano.
Segundo a entidade, a medida desconsidera a desaceleração da inflação e provoca impactos negativos sobre a economia e a sociedade.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há mais tempo. Ele afirma que a manutenção da Selic elevada aprofunda a desaceleração e classifica como indispensável a flexibilização no futuro.
“Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião”, afirmou Alban.
De acordo com a CNI, diversos indicadores apontavam a possibilidade de redução imediata da Selic. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2025 com alta de 4,26%, abaixo do teto da meta de inflação (4,5%) e inferior ao resultado de 2024 (4,83%).
A instituição também justifica que as expectativas de inflação caminham para o centro da meta de 3%, projetando 3,1%, segundo dados do Boletim Focus, o que é considerado um cenário de redução da taxa de juros.
Juros reais estão acima do necessário, diz entidade
A CNI avalia que o atual nível da Selic representa uma taxa de juros real de 10,5% ao ano, cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra, estimada pelo Banco Central em 5% ao ano.
Segundo a confederação, a taxa de juros adequada para controlar a inflação e preservar o crescimento econômico estaria em torno de 10,3% ao ano, o que indica que a Selic está 4,7 pontos percentuais acima do necessário.
A entidade também alerta para os efeitos dos juros elevados sobre o acesso ao crédito. De acordo com a Sondagem de Crédito da CNI, 80% das empresas que enfrentaram dificuldades para contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo apontam os juros altos como principal obstáculo. Entre as empresas com problemas para captar crédito de longo prazo, o percentual é de 71%.
Além disso, 33% das indústrias afirmaram que as condições de financiamento pioraram nos últimos seis meses. A oferta de crédito também desacelerou: as concessões cresceram 3,7% em 12 meses até novembro de 2025, contra 10,7% no acumulado até dezembro de 2024.
Projeções para o PIB e confiança do empresário
Segundo a CNI, os juros elevados pressionam o chamado “Custo Brasil” e reduzem a competitividade da indústria. A entidade projeta crescimento do PIB de 1,8% em 2026, após alta estimada de 2,5% em 2025. O FMI e o Banco Mundial também revisaram para baixo suas estimativas, para 1,6% e 2%, respectivamente.
Outro reflexo é a queda da confiança empresarial. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registrou, em janeiro de 2026, 48,5 pontos, o pior resultado para o mês em dez anos, indicando pessimismo do setor.









