Economia

Clima e guerras pressionam preços mundiais dos alimentos

Índice medido pela FAO atinge o nível mais alto em três anos, influenciado pelo El Niño, além dos conflitos na Europa e no Oriente Médio

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André de Sena, com informações da Reuters
Colheitadeiras colhem trigo em um campo na região de Kharkiv | REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy

Colheitadeiras colhem trigo em um campo na região de Kharkiv | REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy

Os preços mundiais dos alimentos subiram em julho, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2023, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pela FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a ⁠Agricultura. Os dois principais fatores que explicam esse cenário são as condições climáticas adversas e conflitos armados que ocorrem ao redor do mundo.

O Índice de Preço dos Alimentos é calculado mensalmente pela FAO, tendo como base uma sexta de commodities alimentícias comercializadas internacionalmente. Em julho, o indicador chegou a 131,1 pontos, ficando acima dos 130,3 pontos de junho. Com essa alta de 3,4%, ele alcança o maior nível em mais de três anos. Segundo o economista-chefe da agência, Máximo Torero Cullen, um dos fatores que explicam o cenário é o clima desfavorável, impulsionado pelo El Niño, fenômeno meteorológico que provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e influencia no restante do mundo.

Outro causa por trás da alta no preço dos alimentos são as guerras, principalmente de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no Oriente Médio, região que mais exporta petróleo no mundo. O conflito fez com que o valor da commodity subisse e pressionasse o preço dos combustíveis, o que encarece o transporte dos produtos agrícolas. A invasão da Ucrânia pela Rússia também é determinante nesse contexto. Os dois países estão entre os maiores exportadores de grãos. O conflito atrapalha os navios que usam rotas no Mar Negro para escoar a produção.

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A situação na região é tão adversa que a Ucrânia recorre a outros meios de transporte, utilizando ferrovias e rodovias. Mesmo assim, a logística segue gravemente prejudicada. Por conta disso, o trigo teve alta de 5,8% em julho, de acordo com a medição feita pela FAO. Esse cenário também interfere no preço dos óleos vegetais, que aumentaram 2%, atingindo o maior patamar desde 2022, ano em que a guerra no leste europeu teve início. Kiev é a maior exportadora mundial de óleo de girassol.

Outro produto com variação expressiva foi o açúcar, que subiu 5,6%, em meio a preocupações climáticas que devem afetar as produções na Europa e na Ásia, além das expectativas de que o Brasil apresente uma demanda maior por etanol, combustível feito a partir da cana-de-açúcar.

O índice da FAO só não foi mais alto por conta da queda no valor de outras commodities alimentícias. O preço das carnes caiu 2,8% em relação à alta recorde registrada em junho. Esse resultado foi puxado pelas carnes bovina, suína e de aves. Os laticínios sofreram uma desvalorização de 0,7%.

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