Economia

Produção industrial tem pior agosto desde 2015, diz CNI

Pesquisa mostra queda da produção e do emprego, capacidade ociosa acima da média e intenção de investimento no menor nível desde a pandemia

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Caio Barcellos
Produção industrial tem pior agosto desde 2015, diz CNI | Agência Brasil

Produção industrial tem pior agosto desde 2015, diz CNI | Agência Brasil

A produção industrial brasileira perdeu força em agosto e registrou o pior resultado para o mês desde 2015, segundo a Sondagem Industrial divulgada nesta segunda-feira (21) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento também aponta redução do emprego nas fábricas e queda da intenção de investimento dos empresários, que atingiu o menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19.

O indicador que mede a evolução da produção caiu de 51 pontos em julho para 46,3 pontos em agosto, uma redução de 4,7 pontos. A pesquisa utiliza uma escala de zero a 100, na qual resultados abaixo de 50 indicam queda da produção em relação ao mês anterior, enquanto valores superiores a esse patamar sinalizam crescimento.

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O resultado deste ano foi o mais baixo para o mês desde 2015, quando o indicador atingiu 42,7 pontos, durante a crise econômica. O resultado chama atenção porque a produção industrial costuma crescer de julho para agosto, mas registrou queda nesse período em 2025 e 2026, algo que não havia ocorrido nos nove anos anteriores.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que os números reforçam a perda de dinamismo da indústria observada desde o início do ano, em um cenário de enfraquecimento da demanda por produtos industriais e maior cautela dos empresários.

“O quadro já era de perda de atividade industrial mesmo, desde o início do ano a demanda por bens industriais vem caindo e com isso a atividade industrial vem de uma forma geral caindo, a moderação da expectativa já vem de algum tempo, mas agora em agosto houve essa queda mais forte”, afirmou Azevedo.

Recuo na capacidade e no emprego

A desaceleração também aparece na utilização da capacidade instalada, indicador que mostra quanto da estrutura produtiva disponível está efetivamente em uso. Em agosto, as indústrias utilizaram, em média, 69% de sua capacidade, abaixo dos 70% registrados em julho e da média histórica de 71% para os meses de agosto.

O emprego industrial também apresentou retração, com o indicador de evolução do número de trabalhadores passando de 48,6 pontos em julho para 48,2 pontos em agosto e permanecendo abaixo da linha de 50 pontos, patamar que separa o aumento da redução do emprego nas empresas consultadas.

Intenção de investimento

A disposição dos empresários para realizar novos investimentos recuou pelo quarto mês consecutivo e atingiu 51,3 pontos em setembro, ante 52,6 pontos em agosto. Trata-se do menor resultado desde agosto de 2020, quando o indicador estava em 51 pontos, na pandemia de Covid-19.

O desempenho também ficou abaixo da média histórica de 52,6 pontos. Diferentemente dos indicadores de produção, a intenção de investimento não utiliza a marca de 50 pontos para separar crescimento e queda: quanto maior sua pontuação, maior a disposição das empresas para investir.

“É reflexo também dessa queda de demanda [...] mas também há um quadro de incertezas domésticas que se aliam também aos cenários de incertezas externas que já vêm. É claro que a proximidade das eleições traz um certo grau de incerteza que vai fazendo com que os empresários se tornem mais cautelosos de ver nas expectativas”, afirmou Azevedo.

Expectativas para emprego e exportações pioram

A pesquisa mostra ainda que os quatro indicadores de expectativas para os próximos seis meses recuaram em setembro. Os empresários continuam esperando aumento da demanda por seus produtos e das compras de matérias-primas, mas em ritmo mais moderado, enquanto as perspectivas para as exportações e o emprego permanecem negativas.

O indicador de expectativa de demanda apresentou a maior queda, de 52,6 para 51,2 pontos, enquanto o de compras de matérias-primas recuou de 51,2 para 50,4 pontos.

Já as expectativas para a quantidade exportada e o número de empregados ficaram em 48,9 e 49,2 pontos, respectivamente, ambos abaixo do nível que indica crescimento.

No total, a Sondagem Industrial ouviu 1.403 empresas de diferentes portes entre 1º e 11 de setembro, sendo 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes indústrias.

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