Economia

Dona do Ozempic lançará 5 medicamentos até 2030

CEO da Novo, antiga Novo Nordisk, anuncia plano para diversificar portfólio; falta de detalhes frustra investidores

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Novo Nordisk: estratégia não ficará restrita à busca por sucessores do Ozempic e do Wegovy | Victor Golmer/Getty Images

Novo Nordisk: estratégia não ficará restrita à busca por sucessores do Ozempic e do Wegovy | Victor Golmer/Getty Images

A Novo, antiga Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa responsável pelo Ozempic e Wegovy, pretende lançar mais de cinco medicamentos com potencial de se tornarem grandes sucessos comerciais até 2030, a fim de crescer em um mercado de medicamentos contra obesidade cada vez mais competitivo.

A companhia também vai perder a exclusividade das patentes da semaglutida em 2032 nos Estados Unidos, mercado que respondeu por mais da metade das vendas da Novo no ano passado.

O CEO Mike Doustdar reconheceu que esse é um dos principais pontos de preocupação do mercado. "O elefante na sala é a perda de exclusividade da semaglutida", afirmou durante o Capital Markets Day da Novo, em Londres, nesta segunda-feira, 21.

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A promessa de uma nova geração de medicamentos tem como meta gerar mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas, cerca de US$ 23 bilhões, em vendas ajustadas ao risco de seu portfólio de novos produtos até 2035.

Isso, porém, não foi suficiente para convencer o mercado, e as ações da Novo (NOVOb) chegaram a cair cerca de 8% em Copenhague nesta segunda-feira (21), antes de recuarem para uma queda de 4,35%, a 269 coroas dinamarquesas, por volta das 8h45 (horário de Brasília).

"Os investidores estão vendendo as ações porque não veem notícias concretas que possam impulsionar o preço das ações para cima", segundo o economista com atuação em investimentos da Nordnet, Per Hansen, em nota repercutida pela imprensa americana.

A frustração também está relacionada à falta de detalhes sobre os medicamentos que deverão sustentar a Novo até 2030. A empresa disse que espera crescer entre 2026 e 2030 em ritmo semelhante ao de outras grandes farmacêuticas, mas não apresentou uma projeção mais específica.

O próprio diretor-científico da companhia, Martin Lange, comentou sobre o assunto. "Todos os nossos testes estão em andamento e ainda não temos muitos dados para apresentar."

A corrida contra o fim das patentes

A perda de exclusividade da semaglutida representa uma mudança importante para uma companhia que cresceu rapidamente apoiada no sucesso do Ozempic e do Wegovy. Doustdar vê que a empresa criou "um mercado incrivelmente atraente."

"Agora, praticamente todas as outras empresas farmacêuticas — grandes ou pequenas — estão tentando entrar e competir conosco. Precisamos estar preparados para isso", destacou o CEO.

O plano é fazer com que a Novo atravesse o vencimento das patentes maior e menos dependente dos medicamentos que impulsionaram seu crescimento nos últimos anos.

A companhia não descarta parcerias e possíveis aquisições (M&A, em inglês) que possam complementar seu portfólio.

Diversificação para além da obesidade

A estratégia, no entanto, não ficará restrita à busca por sucessores de Ozempic e Wegovy. Diabetes e obesidade continuarão sendo a base da Novo, mas a farmacêutica quer ampliar sua presença em doenças do sangue e endócrinas, doenças hepáticas e cardiovasculares.

Nas pesquisas iniciais, a empresa também está explorando áreas como saúde feminina e masculina, dor e dependência. A Novo estabeleceu o objetivo de colocar 15 novos medicamentos por ano em estudos com humanos a partir de 2027.

A cobrança ocorre após uma sequência de resultados clínicos abaixo das expectativas e em meio ao avanço da Eli Lilly, dona do Mounjaro e do Zepbound.

As ações da Novo acumulavam queda de 29,74% nos últimos 12 meses, enquanto as da concorrente americana avançavam 52,72%.

O que vem depois de Ozempic e Wegovy

Os analistas da Bloomberg Intelligence, Michael Shah e Christos Nikoletopoulos pontuaram que o cenário de médio prazo depende fortemente do CagriSema, tratamento injetável de próxima geração contra obesidade.

Outros potenciais motores de crescimento estão em fases muito mais iniciais de desenvolvimento e, portanto, carregam maior risco de fracasso, esclareceram ao canal americano.

Outra frente são os comprimidos contra obesidade, e a Novo pretende ter pelo menos cinco medicamentos orais em estudos clínicos até o fim deste ano. Doustdar afirmou que a versão oral do Wegovy já alcançou sete milhões de prescrições nos EUA.

A companhia pretende ampliar em dez vezes sua capacidade de produção para atender 15 milhões de pacientes com tratamentos orais contra obesidade até o fim da década.

No total, a meta é alcançar mais de 60 milhões de pacientes no mundo até 2030.

*Com agências internacionais

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