Economia

Choque de oferta é desafio especial e BC precisa estar ainda mais vigilante, diz Galípolo

Presidente da autarquia disse ainda que os instrumentos que ela possui foram desenhados para “outro tipo de tempestade”

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Reuters
13/05/2026, 13:33 • Atualizado em 13/05/2026, 13:33
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Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Divulgação/Alexandre Boiczar/Banco Central

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Divulgação/Alexandre Boiczar/Banco Central

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira (13) que choques de oferta observados no período recente impõem à autoridade monetária desafio especial porque afetam a percepção sobre o trabalho da autarquia, embora os instrumentos que ela possui tenham sido desenhados para “outro tipo de tempestade”.

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Em conferência na sede do BC, Galípolo afirmou que esse ambiente de incerteza, associado a um mercado de trabalho apertado e expectativas de mercado desancoradas no Brasil, demanda que a autarquia esteja ainda mais vigilante.

"A gente está em um período no qual essas surpresas, intempéries, mudanças no clima e no tempo têm ocorrido em uma concentração muito grande, estamos passando pelo quarto choque de oferta em menos de seis anos", disse.

"Os bancos centrais são desenhados para ter como objetivo uma meta de inflação, e as pessoas convivem com o nível de preços. Após quatro choques, isso vem produzindo uma dissonância que coloca os bancos centrais em uma situação especialmente difícil."

Quando atua na política monetária elevando o nível dos juros básicos da economia, o BC gera um encarecimento do crédito, o que tende a arrefecer a atividade econômica por meio de uma redução do consumo, um efeito mais direto sobre a demanda. Portanto, choques de oferta, como a disparada do preço do petróleo com a guerra no Irã, produzem desafio distinto.

Na apresentação, Galípolo afirmou que o BC não irá se desviar de seu objetivo central de controlar a inflação, que tem no Brasil uma meta contínua de 3%.

A autoridade monetária vem promovendo cortes graduais da taxa Selic, que está no momento em 14,50% ao ano, no que tem chamado de "calibração". O BC tem alertado que pretende encerrar o ciclo com os juros ainda em nível restritivo, citando também a elevação de incertezas diante do conflito no Oriente Médio.

(Por Bernardo Caram, edição de Camila Moreira)

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