Caneta emagrecedora no SUS pode baixar preço na farmácia?
Especialistas veem efeito indireto do SUS sobre os preços, principalmente por escala e competição
Exame.com
Foto: Reprodução | EMS
A entrada das canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS) pode fazer mais do que ampliar o acesso ao tratamento contra a obesidade. Se o governo avançar com compras em grande escala, o movimento pode aumentar a competição entre fabricantes, estimular a produção nacional e, indiretamente, contribuir para uma queda dos preços também nas farmácias.
"Essa entrada das canetas no SUS pode ser um fator de transformação", avalia o estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle. Para ele, porém, o efeito sobre os preços no varejo não deve ser automático. "Pode ter queda nos preços? Acho que indiretamente, sim. Não é algo que vai ter um efeito direto."
Na visão de Saravalle, o principal fator de pressão sobre os preços continuará sendo o aumento da concorrência, especialmente com a perda de exclusividade da semaglutida e a entrada de novoscompetidores nacionais.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.
O especialista em investimentos e sócio da GT Capital, Gabriel Pinheiro, segue raciocínio semelhante, e vê que o movimento de queda dos preços já começou antes mesmo de qualquer distribuição ampla pelo SUS.
"Na minha opinião, o preço já está caindo, e não é por causa do SUS. Isso é concorrência pura, com quebra de patente da semaglutida em março e entrada de EMS, Hypera, Eurofarma", diz.
Mas Pinheiro destaca que o preço negociado pelo governo não se transfere automaticamente para o balcão das farmácias. "Tecnicamente, compra pública e preço de farmácia são coisas separadas, não existe um cano direto ligando o desconto que o governo negocia no SUS ao preço que você paga no balcão. Não é automático."
O efeito, na avaliação do especialista, pode aparecer de maneira indireta. "Se o SUS compra em volume, ele dá escala para a indústria nacional, os fabricantes diluem custo, e isso realimenta a guerra de preço que já está rolando no varejo. Ou seja, acelera uma tendência que já existia, não cria uma nova."
SUS pode ampliar escala e competição
O governo também pode alterar a dinâmica do mercado ao se tornar comprador de grandes volumes. Para o especialista em investimentos e sócio-fundador da AW Capital, Augusto Parente, esse movimento aumenta o poder de negociação do setor público e pode incentivar novos investimentos na produção nacional.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pontua que a ampliação da oferta já vem ajudando a reduzir os valores cobrados no mercado. "O que estava custando R$ 1,7 mil, R$ 2 mil, já está entre R$ 300 e R$ 400 na farmácia, aumentando o acesso. Isso já ajuda muita gente", em evento.
Padilha também disse que o governo trabalha para estimular a fabricação local. "Perguntaram quem teria condições de produzir, aqui no Brasil, a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expirava neste ano de 2026. Tivemos uma resposta muito boa."
Novo Nordisk e Eli Lilly entram na disputa
A maior concorrência também pressiona as farmacêuticas globais que lideraram a primeira fase de expansão dos medicamentos GLP-1. "Do lado global, Novo e Eli Lilly perdem monopólio de preço no Brasil, mas já se anteciparam", afirma Pinheiro.
Segundo o especialista, a Novo ressubmeteu o Wegovy à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) , responsável por avaliar a entrada de medicamentos e outros tratamentos na rede pública, com desconto de quase 60%.
A estratégia indica que a disputa pelo mercado público também pode pressionar os preços praticados pelas grandes farmacêuticas, especialmente em um cenário de maior presença de fabricantes nacionais.
Caneta emagrecedora no SUS pode baixar preço na farmácia?Especialistas veem efeito indireto do SUS sobre os preços, principalmente por escala e competiçãoEconomia2026-09-23T15:52:14.742ZA entrada das canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS) pode fazer mais do que ampliar o. Se o governo avançar com compras em grande escala, o movimento pode aumentar a competição entre fabricantes, estimular a produção nacional e, indiretamente, contribuir para uma queda dos preços também nas farmácias. "Essa entrada das canetas no SUS pode ser um fator de transformação", avalia o estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle. Para ele, porém, o efeito sobre os preços no varejo não deve ser automático. "Pode ter queda nos preços? Acho que indiretamente, sim. Não é algo que vai ter um efeito direto." Na visão de Saravalle, o principal fator de pressão sobre os preços continuará sendo o aumento da concorrência, especialmente com a perda de exclusividade da semaglutida e a entrada de novoscompetidores nacionais. O especialista em investimentos e sócio da GT Capital, Gabriel Pinheiro, segue raciocínio semelhante, e vê que o movimento de queda dos preços já começou antes mesmo de qualquer distribuição ampla pelo SUS. "Na minha opinião, o preço já está caindo, e não é por causa do SUS. Isso é concorrência pura, com quebra de patente da semaglutida em março e entrada de EMS, Hypera, Eurofarma", diz. Mas Pinheiro destaca que o preço negociado pelo governo não se transfere automaticamente para o balcão das farmácias. "Tecnicamente, compra pública e preço de farmácia são coisas separadas, não existe um cano direto ligando o desconto que o governo negocia no SUS ao preço que você paga no balcão. Não é automático." O efeito, na avaliação do especialista, pode aparecer de maneira indireta. "Se o SUS compra em volume, ele dá escala para a indústria nacional, os fabricantes diluem custo, e isso realimenta a guerra de preço que já está rolando no varejo. Ou seja, acelera uma tendência que já existia, não cria uma nova." SUS pode ampliar escala e competição O governo também pode alterar a dinâmica do mercado ao se tornar comprador de grandes volumes. Para o especialista em investimentos e sócio-fundador da AW Capital, Augusto Parente, esse movimento aumenta o poder de negociação do setor público e pode incentivar novos investimentos na produção nacional. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pontua que a ampliação da oferta já vem ajudando a reduzir os valores cobrados no mercado. "O que estava custando R$ 1,7 mil, R$ 2 mil, já está entre R$ 300 e R$ 400 na farmácia, aumentando o acesso. Isso já ajuda muita gente", em evento. Padilha também disse que o governo trabalha para estimular a fabricação local. "Perguntaram quem teria condições de produzir, aqui no Brasil, a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expirava neste ano de 2026. Tivemos uma resposta muito boa." Novo Nordisk e Eli Lilly entram na disputa A maior concorrência também pressiona as farmacêuticas globais que lideraram a primeira fase de expansão dos medicamentos GLP-1. "Do lado global, Novo e Eli Lilly perdem monopólio de preço no Brasil, mas já se anteciparam", afirma Pinheiro. Segundo o especialista, a Novo ressubmeteu o Wegovy à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) , responsável por avaliar a entrada de medicamentos e outros tratamentos na rede pública, com desconto de quase 60%. A estratégia indica que a disputa pelo mercado público também pode pressionar os preços praticados pelas grandes farmacêuticas, especialmente em um cenário de maior presença de fabricantes nacionais.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/caneta-emagrecedora-no-sus-pode-baixar-preco-na-farmacia