Saúde

Endometriose: entenda os sinais de alerta

Especialista ressalta dor ao evacuar, urgência para urinar e escapes de urina como possíveis sintomas

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Entenda os sintomas da endometriose | Freepik

Entenda os sintomas da endometriose | Freepik

Quando se fala em endometriose, a primeira associação que costuma surgir é com cólica e dor pélvica. Esses são, de fato, sintomas importantes, mas a doença pode apresentar manifestações que vão muito além deles. Hoje, temos uma tendência a não pensar na endometriose como uma dor apenas pélvica, mas como uma doença sistêmica, inflamatória e crônica.

Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose pode atingir entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, e o diagnóstico pode levar, em média, sete anos. Nesse período, sintomas que aparecem em outros sistemas do organismo podem ser confundidos com outras condições e acabar não sendo relacionados à doença.

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Quando o intestino também entra na história

O intestino é um dos órgãos que podem ser afetados pela reação inflamatória associada à endometriose. A mulher pode apresentar dor ao evacuar, sangramento durante a evacuação, constipação ou alterações na consistência das fezes. Esses sintomas podem ser intensos e se confundir com outras doenças, como a síndrome do intestino irritável. Por isso, é importante não subestimar o que a mulher relata, pensando que uma dor intestinal está relacionada somente ao útero ou ao ovário.

Um ponto que merece atenção é observar se esses sintomas apresentam relação com o ciclo menstrual. Quando uma alteração intestinal aparece ou piora durante a menstruação, essa informação pode ser importante para a investigação médica.

E quando o problema parece ser urinário?

A bexiga está localizada à frente do útero e, por sua proximidade com outras estruturas da pelve, também pode estar envolvida em manifestações relacionadas à endometriose.

Dor ao urinar, sensação de não esvaziamento completo da bexiga, vontade frequente de urinar e urgência urinária são alguns sintomas que podem aparecer. Em algumas situações, também pode haver sangue na urina.

Muitas mulheres acabam associando essas manifestações a uma infecção urinária. Porém, quando os exames de urina estão normais e os sintomas se repetem principalmente durante a menstruação, é importante ampliar a investigação.

Se eu percebo que tenho sangue na urina toda vez que estou menstruada, ou dor principalmente ao urinar durante ou próximo do ciclo menstrual, isso precisa chamar a atenção.

Mulheres jovens

A perda urinária costuma ser muito associada à idade, mas mulheres jovens também podem apresentar esse sintoma. Em alguns casos, a endometriose pode estar entre as condições que precisam ser investigadas.

A região pélvica possui uma rede de nervos e músculos que participa do controle da bexiga e do intestino. Quando existem focos de endometriose próximos dessas estruturas, o processo inflamatório pode interferir nessa região.

Pode haver sensação de esvaziamento incompleto, alterações no funcionamento da bexiga e até perda urinária aos esforços. Existem estudos sobre essa relação e sobre como a endometriose pode afetar toda essa estrutura do assoalho pélvico.

Assoalho pélvico

O assoalho pélvico é um conjunto de músculos responsável por sustentar estruturas como bexiga, útero e intestino. A inflamação e a dor crônica relacionadas à endometriose podem afetar essa musculatura, provocando tensão ou alterações no seu funcionamento.

Essa é uma das razões pelas quais considero a fisioterapia pélvica uma grande aliada no tratamento. A fisioterapeuta consegue avaliar a musculatura, identificar alterações e trabalhar aspectos que podem estar relacionados à dor, à função urinária e intestinal e à vida sexual da mulher.

Eu sempre falo que, basicamente, 100% das pacientes com endometriose, o ideal seria sempre passar com uma nutricionista e com uma fisioterapeuta, porque o tratamento precisa ter uma visão ampla do organismo e das necessidades de cada mulher.

Ciclo menstrual

Mais importante do que olhar para cada sintoma de forma isolada é perceber o padrão. Uma mulher que apresenta dor pélvica há meses e percebe que também tem alterações intestinais ou urinárias que pioram durante a menstruação deve levar essas informações ao médico.

Isso não significa que toda dor intestinal, alteração urinária ou perda de urina tenha relação com endometriose. Existem diversas outras causas possíveis. O importante é não ignorar sintomas persistentes ou que apresentem um padrão claro relacionado ao ciclo menstrual.

Quando esses sintomas estão relacionados à dor pélvica crônica, principalmente em uma história de mais de seis meses e existe relação com o ciclo menstrual, tem que acender uma luzinha e pensar nisso.

O diagnóstico da endometriose precisa ser considerado quando a mulher apresenta algum desconforto persistente. Não devemos subestimar sintomas urinários, intestinais ou qualquer inchaço abdominal. A dor pode ter diferentes causas, mas não deve ser considerada uma situação normal simplesmente porque acontece durante a menstruação.

** Marcos Tcherniakovsky é ginecologista e obstetra, diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e profissional na Clínica Ginelife

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