Economia

BRB aprova ações contra ex-gestores por caso Banco Master

Acionistas autorizam a estatal a buscar ressarcimento de prejuízos ligados a operações com Master e Reag, mas ainda não apontaram responsáveis

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Caio Barcellos
Fachada da sede do BRB, em Brasília | Divulgação/Joédson Alves/Agência Brasil

Fachada da sede do BRB, em Brasília | Divulgação/Joédson Alves/Agência Brasil

Os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram nesta segunda-feira (24) uma autorização para que a instituição entre na Justiça contra ex-administradores que venham a ser responsabilizados por prejuízos decorrentes das operações com o Banco Master e a Reag.

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Contudo, a autorização não significa que o BRB já tenha definido quais ex-dirigentes serão processados. Os nomes dependerão do avanço das investigações e da identificação de eventuais responsabilidades individuais nas operações.

“A autorização atende Artigo nº 159 da Lei nº 6.404/1976 e não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas. A deliberação durante a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) é um rito procedimental essencial para que sejam continuadas as apurações de responsabilidade por parte da Polícia Federal (PF) e demais órgãos investigativos”, disse a instituição.

A proposta submetida aos acionistas prevê a possibilidade de responsabilização tanto por ações quanto por omissões e busca permitir a recuperação de valores caso os prejuízos sejam atribuídos a antigos integrantes da administração.

Na justificativa apresentada antes da assembleia, a própria administração do BRB afirmou haver indícios de irregularidades nas operações envolvendo Master e Reag, investigadas pela Operação Compliance Zero, e sinais de danos relevantes ao patrimônio da instituição. Segundo o documento, a extensão desses prejuízos ainda deverá ser definida a partir de informações técnicas, contábeis e regulatórias.

Operações com o Master

Os negócios realizados pelo BRB com o Banco Master estão no centro da Operação Compliance Zero, da PF. Em junho, o atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, afirmou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que o BRB havia adquirido cerca de R$ 30 bilhões em títulos do Master e estimava ser necessário provisionar R$ 8,8 bilhões diante do risco de perdas. Desse montante, ao menos R$ 2,6 bilhões correspondiam a ativos sem lastro, segundo o executivo.

A investigação também alcançou antigos integrantes da cúpula do banco, como o ex-presidente Paulo Henrique Costa, preso preventivamente desde abril. A PF investiga suspeitas de que carteiras de crédito sem lastro ou fraudulentas tenham sido transferidas pelo Master a estatal —a defesa de Costa nega a prática de irregularidades.

Paulo Henrique Costa comandou o BRB de 2019 a 2025 e chegou à presidência do banco por indicação do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Já em 2026, diante dos impactos da crise sobre o banco, o governo do DF encaminhou à Câmara Legislativa um plano que previa a contratação de até R$ 6,6 bilhões em empréstimos para reforçar o capital da instituição.

Na semana passada, a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 60 dias para concluir o inquérito e indicou a necessidade de ouvir outros integrantes da antiga Diretoria Colegiada do BRB que participaram da aprovação de operações com o Master. A apuração busca determinar a participação de cada dirigente e dimensionar os prejuízos provocados pelos negócios investigados.

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