Adultos organizam o mês, mas não planejam futuro, diz estudo
Estudo revela desafios dos brasileiros para criar reservas, investir para a aposentadoria e se preparar para imprevistos
Camilly Rosaboni
Índice Planejar mostra desafios no planejamento financeiro dos brasileiros | Reprodução/Magnific
Os brasileiros conseguem organizar as contas do mês, mas ainda encontram dificuldades para planejar o futuro financeiro. É o que aponta o Índice Planejar, criado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), que avalia o comportamento financeiro de brasileiros das classes A, B e C com acesso à internet.
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Na primeira edição do levantamento, o país registrou 52,7 pontos em uma escala de 0 a 100 — quanto maior a pontuação, maior o nível de planejamento financeiro. A população de 25 a 44 anos aparece como a mais vulnerável entre as faixas etárias analisadas.
Segundo a Planejar, o resultado mostra que ainda há espaço para avançar no planejamento das finanças pessoais. “Isso mostra que ainda tem muita oportunidade para trabalhar o planejamento financeiro na população brasileira”, afirma Hilton Notini, gestor de Riscos e consultor da Planejar.
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10), a entidade destacou quatro principais conclusões do estudo:
organização financeira não significa, necessariamente, resiliência;
ter dinheiro investido não representa, por si só, uma reserva financeira;
há dificuldades para investir com foco na aposentadoria;
brasileiros de 25 a 44 anos são os mais pressionados financeiramente.
Organização financeira não garante proteção
A gestão orçamentária foi a dimensão com melhor desempenho entre os brasileiros. No entanto, o levantamento aponta uma diferença importante entre saber organizar receitas e despesas e ter recursos suficientes para enfrentar uma emergência.
Isso significa que uma pessoa pode saber quanto ganha e quanto gasta, mas ainda assim não ter uma estrutura financeira capaz de absorver uma perda de renda ou um gasto inesperado.
“Organização financeira não basta. Eu ainda posso saber quanto ganho e gasto, mas precisar recorrer a um financiamento para pagar alguma conta em atraso ou deixar um boleto para trás", afirma Ana Leoni, CEO da Planejar.
Divulgação/Planejar
Um dos exemplos está na formação de reservas. O estudo aponta desempenho maior no item relacionado à posse de produtos de poupança ou investimento (75,7 pontos) do que na capacidade de manter a vida financeira diante de uma interrupção de renda (21,3 pontos).
Por isso, a pesquisa diferencia ter algum dinheiro investido de contar com uma reserva financeira adequada para situações de emergência.
Planejamento para o futuro ainda é desafio
Outro ponto de atenção está no planejamento de longo prazo. Os resultados mostram uma distância entre reconhecer a importância de se preparar para a aposentadoria e adotar, de fato, comportamentos voltados a esse objetivo.
O planejamento de longo prazo registrou 43,3 pontos, enquanto a dimensão relacionada à previdência privada teve apenas 15,3 pontos, uma das menores notas do levantamento. “É uma das piores notas que temos no estudo”, afirma Hilton Notini.
Adultos de 25 a 44 anos são os mais pressionados
O nível de planejamento financeiro não aumenta necessariamente conforme a idade. Entre as faixas analisadas, os brasileiros de 25 a 44 anos apresentaram o pior desempenho, enquanto o grupo com 61 anos ou mais teve o melhor resultado.
Divulgação/Planejar
Segundo os organizadores, a faixa dos 25 aos 44 anos concentra uma série de responsabilidades financeiras. Formação de família, financiamentos de longo prazo e uma carreira ainda em consolidação podem aumentar a pressão sobre o orçamento, enquanto esse grupo tende a ter menos patrimônio acumulado para absorver essas despesas.
O resultado mostra que os desafios financeiros mudam ao longo da vida e, por isso, exigem prioridades e estratégias diferentes em cada fase.
O levantamento está em sua primeira edição e tem como objetivo mapear como os brasileiros lidam com as próprias finanças e identificar quais aspectos exigem mais atenção.
Para isso, o Índice Planejar divide o planejamento financeiro em cinco dimensões: gestão orçamentária, impacto do endividamento no orçamento, reservas e resiliência, proteção e seguros e planejamento de longo prazo.
A metodologia também considera que as prioridades financeiras mudam ao longo da vida. Um dos diferenciais do índice é avaliar o que as pessoas efetivamente fazem com o dinheiro, e não apenas o conhecimento que afirmam ter ou a percepção de que são organizadas financeiramente.
O estudo ouviu 2 mil pessoas e tem margem de erro de aproximadamente 2 pontos percentuais. Do total, 53% dos entrevistados são mulheres e 47%, homens. A idade média dos participantes foi de 40 anos. A distribuição por faixa etária foi: 16% de 16 a 24 anos; 23% de 25 a 34 anos; 23% de 35 a 44 anos; 28% de 45 a 60 anos; 10% com 61 anos ou mais. A renda familiar média dos entrevistados foi de R$ 5.778.
Segundo Ana Leoni, o objetivo é que o estudo ajude profissionais que trabalham com clientes e a própria população a identificar quais aspectos devem ser priorizados. Para ela, o índice pode servir como um direcionador de estratégias para melhorar a forma como o planejamento financeiro é colocado em prática.
“Planejar não é apenas controlar o orçamento ou fazer as contas fecharem no fim do mês. É olhar para diferentes dimensões da vida financeira e entender quais devem ser priorizadas em cada fase”, afirma Ana Leoni.
*Sob supervisão
Adultos organizam o mês, mas não planejam futuro, diz estudoEstudo revela desafios dos brasileiros para criar reservas, investir para a aposentadoria e se preparar para imprevistosEconomia2026-09-10T14:41:59.004ZOs brasileiros conseguem organizar as contas do mês, mas ainda encontram dificuldades para planejar o futuro financeiro. É o que aponta o Índice Planejar, criado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), que avalia o comportamento financeiro de brasileiros das classes A, B e C com acesso à internet. Na primeira edição do levantamento, o país registrou 52,7 pontos em uma escala de 0 a 100 — quanto maior a pontuação, maior o nível de planejamento financeiro. A população de 25 a 44 anos aparece como a mais vulnerável entre as faixas etárias analisadas. Segundo a Planejar, o resultado mostra que ainda há espaço para avançar no planejamento das finanças pessoais. “Isso mostra que ainda tem muita oportunidade para trabalhar o planejamento financeiro na população brasileira”, afirma Hilton Notini, gestor de Riscos e consultor da Planejar. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10), a entidade destacou quatro principais conclusões do estudo: Organização financeira não garante proteção A gestão orçamentária foi a dimensão com melhor desempenho entre os brasileiros. No entanto, o levantamento aponta uma diferença importante entre saber organizar receitas e despesas e ter recursos suficientes para enfrentar uma emergência. Isso significa que uma pessoa pode saber quanto ganha e quanto gasta, mas ainda assim não ter uma estrutura financeira capaz de absorver uma perda de renda ou um gasto inesperado. “Organização financeira não basta. Eu ainda posso saber quanto ganho e gasto, mas precisar recorrer a um financiamento para pagar alguma conta em atraso ou deixar um boleto para trás", afirma Ana Leoni, CEO da Planejar. Um dos exemplos está na formação de reservas. O estudo aponta desempenho maior no item relacionado à posse de produtos de poupança ou investimento (75,7 pontos) do que na capacidade de manter a vida financeira diante de uma interrupção de renda (21,3 pontos). Por isso, a pesquisa diferencia ter algum dinheiro investido de contar com uma reserva financeira adequada para situações de emergência. Planejamento para o futuro ainda é desafio Outro ponto de atenção está no planejamento de longo prazo. Os resultados mostram uma distância entre reconhecer a importância de se preparar para a aposentadoria e adotar, de fato, comportamentos voltados a esse objetivo. O planejamento de longo prazo registrou 43,3 pontos, enquanto a dimensão relacionada à previdência privada teve apenas 15,3 pontos, uma das menores notas do levantamento. “É uma das piores notas que temos no estudo”, afirma Hilton Notini. Adultos de 25 a 44 anos são os mais pressionados O nível de planejamento financeiro não aumenta necessariamente conforme a idade. Entre as faixas analisadas, os brasileiros de 25 a 44 anos apresentaram o pior desempenho, enquanto o grupo com 61 anos ou mais teve o melhor resultado. Segundo os organizadores, a faixa dos 25 aos 44 anos concentra uma série de responsabilidades financeiras. Formação de família, financiamentos de longo prazo e uma carreira ainda em consolidação podem aumentar a pressão sobre o orçamento, enquanto esse grupo tende a ter menos patrimônio acumulado para absorver essas despesas. O resultado mostra que os desafios financeiros mudam ao longo da vida e, por isso, exigem prioridades e estratégias diferentes em cada fase. Como o Índice Planejar é calculado O levantamento está em sua primeira edição e tem como objetivo mapear como os brasileiros lidam com as próprias finanças e identificar quais aspectos exigem mais atenção. Para isso, o Índice Planejar divide o planejamento financeiro em cinco dimensões: gestão orçamentária, impacto do endividamento no orçamento, reservas e resiliência, proteção e seguros e planejamento de longo prazo. A metodologia também considera que as prioridades financeiras mudam ao longo da vida. Um dos diferenciais do índice é avaliar o que as pessoas efetivamente fazem com o dinheiro, e não apenas o conhecimento que afirmam ter ou a percepção de que são organizadas financeiramente. O estudo ouviu 2 mil pessoas e tem margem de erro de aproximadamente 2 pontos percentuais. Do total, 53% dos entrevistados são mulheres e 47%, homens. A idade média dos participantes foi de 40 anos. A distribuição por faixa etária foi: 16% de 16 a 24 anos; 23% de 25 a 34 anos; 23% de 35 a 44 anos; 28% de 45 a 60 anos; 10% com 61 anos ou mais. A renda familiar média dos entrevistados foi de R$ 5.778. Segundo Ana Leoni, o objetivo é que o estudo ajude profissionais que trabalham com clientes e a própria população a identificar quais aspectos devem ser priorizados. Para ela, o índice pode servir como um direcionador de estratégias para melhorar a forma como o planejamento financeiro é colocado em prática. “Planejar não é apenas controlar o orçamento ou fazer as contas fecharem no fim do mês. É olhar para diferentes dimensões da vida financeira e entender quais devem ser priorizadas em cada fase”, afirma Ana Leoni. *Sob supervisãoSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/brasileiros-dificuldade-planejamento-financeiro-indice-planejar
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