Economia

Após tarifaço de Trump, Fazenda diz que impacto deve ter pouca influência no crescimento do PIB em 2025

Secretaria de Política Econômica também vê desaceleração pequena em 2026, de 2,5% para 2,4%, mesmo diante da política restritiva de juros do Banco Central

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SBT News, com informações da Reuters
11/07/2025, 12:55 • Atualizado em 11/07/2025, 13:06
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Fachada do Ministério da Fazenda, em Brasília | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fachada do Ministério da Fazenda, em Brasília | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda revisou para cima a previsão de crescimento do Brasil em 2025, passando a ver uma desaceleração apenas marginal em 2026 mesmo diante da política restritiva de juros do Banco Central (BC), informou a Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta sexta-feira (11).

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Segundo boletim divulgado pela SPE, que não considerou efeitos potenciais do aumento das tarifas sobre o Brasil pelos Estados Unidos, a Fazenda elevou sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2,5% neste ano, contra previsão de 2,4% feita em maio. Para 2026, a estimativa passou de 2,5% para 2,4%.

"Essa revisão (para 2025) está relacionada principalmente à resiliência do mercado de trabalho no segundo trimestre e ao avanço pouco expressivo da inadimplência, levando à expectativa de melhor desempenho do consumo das famílias nos próximos meses, apesar da política monetária restritiva", disse a SPE no relatório.

Para 2026, a pasta apontou que a previsão de crescimento mais baixo é influenciada pela elevação na expectativa de mercado para a Selic, a taxa básica de juros, neste ano, ponderando que a desaceleração é contida pelo efeito inercial da alta da atividade no ano anterior. Nos anos seguintes, o crescimento esperado é de cerca de 2,6%, patamar classificado pela SPE como "próximo ao potencial".

O Banco Central levou a taxa básica de juros do país a 15% ao ano, maior nível em duas décadas, e previu que ela permanecerá nesse patamar por período bastante prolongado para levar a inflação à meta de 3%, citando a desaceleração da atividade como fator importante nesse processo.

As projeções da SPE apontam para uma atividade mais forte do que a estimativa mais recente do BC, que previu em junho que o PIB crescerá 2,1% em 2025 – a autarquia ainda não apresentou dados para 2026. O governo também está mais otimista do que analistas de mercado, que projetam uma alta de 2,23% neste ano e 1,86% no próximo.

Tarifas de Trump a produtos brasileiros

Segundo a SPE, as projeções ainda não consideram os impactos potenciais da elevação na tarifa de importação dos Estados Unidos para o Brasil, de 10% para 50%, anunciada nesta semana pelo governo do presidente Donald Trump e que podem entrar em vigor em agosto.

"A carta que comunicou a elevação da tarifa justifica a decisão por razões apenas políticas, gerando grande insegurança. O impacto da medida deve ser concentrado em alguns setores específicos, influenciando pouco a estimativa de crescimento em 2025", apontou o documento.

No relatório, a Fazenda ainda projetou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano com alta de 4,9%, ante avanço de 5,0% na projeção de maio. Para 2026, o ministério prevê que a inflação será de 3,6%, mesmo nível estimado antes.

De acordo com a pasta, o ajuste para 2025 reflete uma "inflação abaixo da esperada nos meses de maio e junho, além de revisões no cenário à frente devido principalmente à menor cotação projetada para o real frente ao dólar".

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