Cultura

Documentário sobre Rita Lee é lançado nos dois anos de morte da cantora

"Rita Lee: Mania de Você" reúne depoimento de convidados especiais, como Ney Matogrosso e Gil, além de homenagens da família

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Júlia Zuin
08/05/2025, 19:59 • Atualizado em 08/05/2025, 19:59
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Entre o céu e o rock, Rita Lee ainda faz a gente feliz | Foto: Reprodução Redes Sociais

Entre o céu e o rock, Rita Lee ainda faz a gente feliz | Foto: Reprodução Redes Sociais

“Enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz”, diz Rita Lee em sua música "Saúde", lançada em 1981. Mesmo dois anos após sua morte, aos 75 anos, em maio de 2023, a cantora continua a proporcionar alegria aos seus fãs.

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Estreia nesta quinta-feira (8), dia que marca a ida da artista para outro plano – quem sabe, até, extraterrestre, já ela chegou a dizer que gostaria de ser abduzida – o documentário "Rita Lee: Mania de Você". O filme está disponível na plataforma de streaming HBO Max.

A obra reúne depoimentos de convidados especiais, como a família de Rita, e amigos. Entre eles estão Ney Matogrosso, Gilberto Gil, seus filhos e, também, Roberto de Carvalho, ex-companheiro da artista. O filme se propõe a revisitar a vida, a carreira e o legado musical da "rainha do rock brasileiro".

O argentino Guido Goldberg foi o diretor do documentário. Para ele, o maior desafio enquanto produzia o material foi se desvencilhar a cantora da imagem de ídolo – de acordo com Goldberg, ela foi mais que, apenas, um ícone.

Entre o céu e o rock, Rita Lee ainda faz a gente feliz | Foto: Reprodução Redes Sociais
Entre o céu e o rock, Rita Lee ainda faz a gente feliz | Foto: Reprodução Redes Sociais

Rita foi filha, ventre, cônjuge, transgressora, rebelde e revolucionária. Fez parte da oposição às forças armadas na época da Ditadura Militar no Brasil, com início em 1964; na ocasião foi presa quando estava grávida. Ela tinha 28 anos quando foi encaminhada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) por porte de maconha. Rita alegou que a droga foi colocada em sua casa por autoridades para que ela fosse propositalmente detida.

A então detenta foi salva por sua colega de profissão, Elis Regina, no segundo dia de prisão. Mas teve que passar um ano em recolhimento domiciliar e pagar 50 salários mínimos, valor que equivaleria, hoje, a R$ 70 mil.

“'Ô, Ovelha Negra, tem uma cantora famosa rodando a baiana, dizendo que vai chamar a imprensa. Ela quer te ver', fiquei esperando, não sei, uma Nossa Senhora do Rock, e, de repente, vejo a Elis com o João Marcelo. Ela soltou a mão do filho e me deu um abraço. Perguntou como eu estava, disse que eu estava muito magra. Aí começou a falar duro com os policiais: 'O que vocês estão fazendo com ela?'", relatou em live no final de 2020.
Entre o céu e o rock, Rita Lee ainda faz a gente feliz | Foto: Reprodução Redes Sociais
Entre o céu e o rock, Rita Lee ainda faz a gente feliz | Foto: Reprodução Redes Sociais

Rita foi classificada como a artista brasileira mais censurada da época. Algumas de suas músicas, para as Forças Armadas, eram consideradas eróticas, como Banho de Espuma e Lança Perfume. Outra canção famosa, Papai, Me Empresta o Carro, de acordo com as autoridades, incitava comportamentos imorais como o uso de drogas.

O documentário ilustra diferentes fases de Rita Lee. João Lee, um dos filhos da artista, compartilhou em suas redes social um trecho do longa e desabafou: “São muitas emoções, muitas memórias e muitas saudades. O que eu mais quero é que vcs todos se divirtam assistindo esse documentário. Liberem as emoções”.

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